40% do queijo consumido no Brasil tem origem em Minas

PARTILHAR
Foto: Divulgação

Para o mineiro, todo dia é dia de queijo. Porém, mundialmente, a data é celebrada dia 20 de janeiro. A celebração é importante para os mineiros devido à tradição do estado em produzir queijos de qualidade.

Minas Gerais tem a maior bacia leiteira do país, com produção, em 2020, de 9,7 bilhões de litros, segundo o IBGE. O volume corresponde a 27% do total nacional, com 34,5 bilhões de litros, e registrou um crescimento de 2,6% com relação a 2019. Para se ter uma ideia de como a produtividade mineira é significativa, a quantidade de leite produzido em Minas é superior à destinada à fabricação de queijos em todo o país, de 8,7 bilhões de litros.

São diversos tipos de queijo produzidos no estado, oferecendo inúmeras opções para os consumidores. Aqui, os admiradores dessa iguaria encontram desde queijos produzidos com leite pasteurizado, como o Queijo Minas Frescal, Queijo Minas Padrão e o Provolone, até aqueles fabricados com leite cru.

De acordo com o Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), do volume de 1,2 milhão de toneladas de queijo produzidas no Brasil, em 2020, cerca de 40% do total tem Minas Gerais como origem. As exportações brasileiras do produto, no mesmo ano, alcançaram a receita de 76 milhões de dólares. As estimativas do Silemg apontam ainda 216 mil fazendas produtoras de leite em Minas e um milhão de empregos gerados por toda a cadeia leiteira.

Além de 30 mil produtores rurais mineiros, elaborando 85 mil toneladas de queijos artesanais por ano, conforme estimado pela Emater-MG, os produtos lácteos industriais são de grande relevância econômica. O Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg) contabiliza 156 associados em todas as regiões de Minas. De acordo com o levantamento do Sindicato, essas indústrias processam 85% do leite inspecionado no estado.

Levantamento feito pelo Sistema Safra Agroindústria da Emater-MG demonstra a importância da atividade para o Estado. Segundo dados de 2021, do total de estabelecimentos agroindustriais de leite e derivados no estado, 92,6% pertencem à agricultura familiar.

Para se ter uma ideia, são 2,3 mil agroindústrias familiares de Queijo Minas Frescal, mais 927 de Queijo Muçarela e cerca de 400 unidades de processamento de Queijo Minas Padrão. Em se tratando de queijos artesanais, a produção mineira das queijarias familiares é também bastante expressiva. O número de agroindústrias de Queijo Minas Artesanal é de 3,3 mil. São 600 unidades de processamento de Requeijão Moreno e cerca de 570 de Queijo da Serra Geral.

Minas Gerais possui oito regiões caracterizadas como produtoras de Queijo Minas Artesanal: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro e Serras da Ibitipoca.

A caracterização e o reconhecimento das regiões são respaldados por estudos que avaliam o processo de fabricação e as características peculiares do local de origem, como a história, a economia, a cultura, relevo, altitude, vegetação, o clima, entre outros.

“O Queijo Minas Artesanal é a preservação de uma tradição de séculos de existência. Aliado à essa história, este produto representa a principal renda ou a complementação dos produtores. O queijo é uma alternativa à venda do leite para muitos deles, possibilitando a agregação de valor. O que se observa nas microrregiões produtoras de Queijo Minas Artesanal é a transferência do ‘saber fazer’ essa iguaria de pais para filhos, permitindo a manutenção da tradição”, afirma Fernanda Quadros, engenheira de alimentos da Emater-MG.

Turismo rural e gastronomia

Um exemplo que reúne turismo e gastronomia é a Rota do Queijo Artesanal do Triângulo Mineiro. Criada recentemente, a ideia é estimular o turismo rural associado à gastronomia e, principalmente, divulgar o queijo produzido na região. A rota é formada por quatro fazendas localizadas em três municípios. São elas: Fazenda Retiro Velho, em Araguari; Fazenda São José do Paranaíba, em Tupaciguara; Fazenda Aprazível e Fazenda Rio das Pedras, em Uberlândia. As queijarias possuem o registro de inspeção do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) ou do Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

A iniciativa é resultado de um trabalho entre a Emater-MG, as famílias produtoras e a Associação de Produtores de Queijo Minas Artesanal do Triângulo (AQMATRI). “A Emater-MG tem trabalhado com as famílias produtoras de queijo no sentido de melhorar cada vez mais a qualidade do queijo e do leite, e demais orientações em relação à embalagem e à maior inserção do queijo no mercado”, explica Patrícia Freitas.

A rota do queijo leva à queijaria Ouro das Gerais. Ela possui o Selo Arte concedido pelo IMA e já ganhou a medalha de Prata no Concurso Mundial do Queijo em 2019 – evento realizado na França. A fazenda é conduzida pela veterinária e produtora Walkíria Naves e seu esposo, Gilmar. Os filhos do casal, Matheus e Thiago, estudantes de Zootecnia e Administração, ajudam na atividade que eles pretendem dar continuidade no futuro. O rebanho da propriedade é de gado Jersey, com alimentação a pasto.

A produção mensal é de 1,5 mil quilos de queijo, que é comercializada em diversos estados, como Espírito Santo, Goiás, Paraná e São Paulo. “A rota do queijo é uma oportunidade para o consumidor conhecer todo o processo de fabricação, que não está apenas dentro da queijaria. E à medida que as pessoas conhecem o processo de fabricação do queijo, elas vão valorizar ainda mais o Queijo Minas Artesanal”, afirma Walkíria”.

Na Fazenda Rio das Pedras, em Uberlândia, a produção de queijo foi passada de geração em geração. Dona Inêz Gomes conta que a sua avó e sua mãe produziam esta que é uma das iguarias mais conhecidas de Minas Gerais. Na propriedade são produzidos Queijo Frescal. A produção da Queijaria Gomes é comercializada, principalmente, em Uberlândia. Mas uma parte do que é produzido é vendida nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Com a Rota do Queijo Artesanal do Triângulo Mineiro, segundo dona Inêz, as expectativas para a atividade são as melhores. “A gente acha que vai trazer mais pessoas para conhecerem as propriedades, como é feito o queijo. Vai ser bom para todo mundo”, diz a produtora.

Sucesso internacional

Nos últimos anos, os queijos mineiros também têm sido valorizados no mundo. Na edição de 2021 do Araxá International Cheese Awards, os queijos de Minas Gerais faturaram 69 medalhas, entre ouro, prata e bronze. Foi o estado brasileiro com o maior número de premiações, seguido por São Paulo, com 16 medalhas.

A disputa, realizada em Araxá, região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, teve a participação de mais de 800 queijos mineiros, nacionais e de outros países.

Fonte: JM Online

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com