Agricultor é burro se não defender preservação ambiental, diz ministra

Agricultor é burro se não defender preservação ambiental, diz ministra

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Foto: Adriano Machado/Reuters

Tereza Cristina reafirmou que produtividade e sustentabilidade podem caminhar juntas e que governo está atento a questões ambientais.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reafirmou, nesta quarta-feira (12/6), que a produtividade e a sustentabilidade podem andar juntas e disse considerar que, se não fizer uma defesa do meio ambiente, o produtor rural está sendo burro. Ela fez as declarações em entrevista ao programa Central da Globonews.

“O agricultor é o maior defensor do meio ambiente. Ele tem que ser. Porque, senão, ele é burro. O negócio dele não vai prosperar. Ele depende dessa preservação”, disse a ministra, bastante questionada sobre a relação entre agricultura e meio ambiente.

Para Tereza Cristina, o Brasil tem uma legislação ambiental mais rigorosa que em outras partes do mundo. Um bom Código Florestal, que ficou “no meio do caminho” entre as reivindicações de ruralistas e ambientalistas. Mas é preciso que o Código seja cumprido.

Ela é contra o projeto de lei de autoria dos senadores Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar, que revoga o artigo 68 do Código e retira a obrigatoriedade de se estabelecer reserva legal em propriedades rurais do país. Mas acredita que, no caso específico da região amazônica, é necessário fazer um zoneamento ecológico-econômico para que estados não fiquem em situação de pobreza.

A política ambiental do Brasil vem sendo alvo de críticas de organizações aqui e no Exterior. Declarações de membros do atual governo questionando a necessidade do país permanecer no Acordo de Paris ou mesmo sobre a existência do aquecimento global geraram polêmica. De início, houve uma tentativa de fundir o Ministério da Agricultura com o do Meio Ambiente, o que acabou sendo revisto.

Mais recentemente, foram países que enviam recursos para a preservação da Floresta Amazônica que questionaram a gestão ambiental no Brasil. Noruega e Alemanha manifestaram rejeição à proposta do governo brasileiro, de mudanças na gestão do Fundo Amazônia, criado em 2008 e gerenciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na avaliação de Tereza Cristina, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem um jeito diferente de lidar com esses assuntos. Mas ele conhece as questões ambientais e é comprometido com elas. O importante, talvez, seja melhorar a comunicação do que o Brasil faz em matéria de política ambiental.

“Não o vejo transgredindo nada. Ele foi junto comigo ao Itamaraty conversar com o ministro Ernesto (Araújo, das Relações Exteriores) sobre a importância de permanecer no Acordo de Paris, até porque o Brasil já cumpriu grande parte do que foi lá e ofereceu. Preservamos muito. Precisamos melhorar a comunicação”, disse.

Para a ministra, o produtor rural precisa ter acesso a financiamento para colocar sua propriedade em dia com a legislação ambiental. Na visão dela, não adianta o Brasil ter um Cadastro Ambiental Rural com mais de 5 milhões imóveis no país sem que haja condições de viabilizar a regularização ambiental onde for necessário.

Tereza Cristina se mostrou favorável à proposta de tornar o CAR permanente, podendo ser feito ou alterado a qualquer tempo. E à prorrogação dos prazos de adesão do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Segundo ela, é uma adequação, já que o Estado não deu conta de analisar todos os dados do cadastro.

Agrotóxicos

A ministra negou que haja um excesso de liberação de agrotóxicos no Brasil. Desde o início deste ano, foram liberados 197 produtos no país. Segundo a ministra, esse número está relacionado à entrada de genéricos no mercado, fruto de quebras de patentes de moléculas antes das multinacionais e que agora passaram a ser produzidas por empresas menores.

Ela argumentou ainda que o Brasil faz parte de diversos acordos internacionais, afirmando que nem no mercado interno nem no exterior chegam produtos com níveis de resíduo acima dos permitidos. “Se nossos produtos tivesse níveis que não fossem aceitáveis, não seriam exportados para mais de 160 países. Os nossos concorrentes agradecem essa campanha que tem sido feita contra o Brasil.”

Tereza Cristina disse ter uma preocupação maior com os pequenos produtores, mais vulneráveis, segundo ela, a contaminações por agrotóxicos. Para resolver a questão, ela informou que o governo está editando um decreto para associações de classe, sindicatos rurais e distribuidores estimularem, por exemplo, a utilização correta dos equipamentos de proteção individual (EPI).

“Eu gostaria de colocar um produto na minha mesa com segurança. Seja orgânico, que também tem problemas. Os bioinsumos, se não forem bons, também têm contaminação, tanto quanto o com agrotóxico mal utilizado”, comentou.

Tereza Cristina informou ainda que o governo prepara um plano relacionado à conservação da água. Segundo ela, será uma iniciativa ambiciosa e que pode ser implantada em etapas, com a intenção de preservar recursos hídricos para o consumo humano e o uso na produção agropecuária.

“Temos que segurar água no solo para que seja melhor utilizada, um programa de microbacias é essencial, pequenas barragens ou açudes, curvas de nível. A dessalinização da água do mar tem que ser para as pessoas”, resumiu.

Fonte: Globo Rural

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