Arco aponta cenário econômico como fator para queda nas vendas de ovinos na Expointer

Comercialização somou R$ 887,94 mil na 49ª Expointer, ante R$ 990,62 mil em 2025, e entidade projeta mercado aquecido nas feiras de verão.

A comercialização de ovinos na 49ª Expointer movimentou R$ 887,94 mil, uma redução de R$ 102,68 mil em relação aos R$ 990,62 mil registrados no ano passado. Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edmundo Gressler, entretanto, o resultado financeiro não deve ser analisado de forma isolada, porque o cenário econômico influencia a disposição dos compradores para investir.

Gressler ressalta que o número de animais comercializados seria um indicador mais adequado para dimensionar o desempenho das vendas. “Olhando positivo e negativo, se a gente for pensar que vendeu menos R$ 100 mil é negativo, mas talvez o positivo seja o número de animais comercializados. Daqui a pouco a gente vendeu R$ 100 mil menos, mas se vendeu muito mais animais do que o ano passado, talvez eu tenha uma avaliação melhor”, afirma.

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Na avaliação do presidente, a redução do valor movimentado pode estar relacionada ao comportamento mais cauteloso dos compradores diante do momento econômico. “O valor representa o momento econômico que a gente vive, que não é de insegurança, mas é de maior controle no dinheiro. Hoje a necessidade é no sentido de quem tem que guardar, de não gastar mais do que se pode gastar”, explica Gressler. Por isso, ele considera que o resultado da Expointer não indica perda de interesse pelos ovinos ou enfraquecimento da atividade.

A participação da ovinocultura na Expointer também foi avaliada positivamente pelo presidente da Arco. Segundo Gressler, os julgamentos de admissão e classificação ocorreram normalmente, com forte presença das raças e animais de ponta, enquanto a comercialização manteve a característica dos últimos anos, concentrada principalmente nos exemplares mais bem classificados. “A presença dos ovinos foi muito positiva, os julgamentos aconteceram dentro da normalidade, tudo com muito entusiasmo, refletindo o bom momento da ovinocultura”, destaca.

Gressler observa ainda que os animais campeões e reservados continuam apresentando maior liquidez, enquanto algumas fêmeas também foram procuradas para investimentos. O movimento de público, especialmente da metade para o fim da última semana da feira, contribuiu para a comercialização, após a melhora das condições climáticas. “A Expointer tem sido, nos últimos anos, uma comercialização em cima daqueles animais mais bem classificados, aqueles animais de ponta, campeões, reservados, que sempre tiveram uma liquidez mais efetiva”, afirma.

Para o presidente da Arco, a perspectiva para as feiras de verão é de aumento da movimentação comercial, sustentada principalmente pelo comportamento dos mercados de lã e de carne ovina. “A comercialização nas feiras de verão vai estar muito aquecida”, projeta Gressler, que aponta a valorização da lã nos mercados internacional e interno e o bom momento dos preços da carne ovina como fatores que podem estimular novos investimentos. Com os números da Expointer e das vendas desde as feiras de verão, a Arco já contabilizou, em comercialização, R$ 6.363.661,00.

A expectativa também está relacionada à busca por genética capaz de melhorar os índices produtivos dos rebanhos. Gressler avalia que o cenário favorece investimentos na produção de cordeiros mais precoces e pesados, o que pode ampliar a procura por animais de genética voltada à produção de carne nas próximas feiras do calendário da ovinocultura.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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