Fazenda criada para comprar equipamentos médicos vira legado familiar no interior de Goiás

Projeto rural de uma família ligada à medicina enfrentou anos de baixo retorno, mudou a estratégia pecuária e encontrou na raça Sindi, na genética e na participação dos filhos um novo caminho

A Fazenda Caraíbas, em Guarinos (GO), nasceu com uma função bem diferente daquela que exerce atualmente. Segundo relato da família publicado pela RVC FM, a propriedade foi pensada como uma fonte complementar de renda para ajudar nos investimentos necessários à estrutura médica ligada ao trabalho do neurocirurgião Wildebram Bastos na região de Ceres.

Ao lado da arquiteta Raquel Thomé Bastos, Wildebram havia deixado Goiânia em busca de condições para desenvolver um serviço especializado em neurocirurgia no Centro-Norte de Goiás. O Sebrae registra que o casal se estabeleceu na região há cerca de 14 anos e adquiriu a propriedade rural aproximadamente dois anos depois. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

O plano de renda que demorou a funcionar

A primeira aposta da família foi no Nelore comercial. A expectativa era transformar a atividade pecuária em uma segunda fonte de renda, mas os resultados demoraram a aparecer. Em relato publicado em 2026, Raquel afirmou que, por volta de 2018, depois de mais de cinco anos de atividade, os custos continuavam altos e o retorno esperado ainda não havia chegado.

O cenário levou o casal a rever o modelo da propriedade. Em vez de simplesmente manter o sistema inicial, passaram a buscar conhecimento sobre manejo, reprodução, genética e gestão. O Sebrae registra que foram necessários cerca de dois anos de pesquisa até a família chegar à raça que mudaria o direcionamento do negócio.

Gado Sindi abriu uma nova frente para a propriedade

A escolha recaiu sobre o Sindi, raça zebuína de origem paquistanesa, conhecida pela dupla aptidão para carne e leite e pela adaptação a ambientes quentes.

A decisão alterou a lógica da fazenda. O foco deixou de estar apenas na quantidade de animais e passou a incluir seleção e valorização genética. Esse tipo de estratégia também ganhou espaço no Brasil com o avanço de ferramentas voltadas ao melhoramento genético da raça Sindi.

Na Fazenda Caraíbas, o trabalho foi ampliado com tecnologias de reprodução assistida, entre elas a fertilização in vitro (FIV). Segundo o Sebrae, a propriedade recebeu acompanhamento por meio do Sebraetec e de consultorias voltadas também à administração e à gestão rural.

Em maio de 2025, o Sebrae informou que a criação de Sindi na propriedade de 50 hectares havia começado cerca de três anos antes, com apenas três fêmeas, e já reunia mais de 70 animais da raça. O trabalho incluía multiplicação de fêmeas puras de origem e cruzamentos com Nelore e Jersey.

Gestão passou a acompanhar a genética

A mudança do rebanho veio acompanhada de outra transformação: a profissionalização da administração.

O casal passou a acompanhar custos, produtividade e decisões reprodutivas de maneira mais estruturada. A propriedade também passou a receber eventos técnicos. Em maio de 2026, a Fazenda Caraíbas sediou a segunda edição do Dia de Campo Sindi Caraíbas, voltado à genética, gestão rural, manejo e sucessão familiar.

A experiência mostra um ponto importante para outras propriedades: investir em genética não elimina a necessidade de controle financeiro e planejamento. Reprodução assistida e animais selecionados representam investimento e precisam estar inseridos em uma estratégia compatível com o sistema de produção e com o mercado que o pecuarista pretende atender.

Filhos passam a fazer parte do futuro da fazenda

Se a origem da Caraíbas esteve ligada à necessidade de complementar a renda familiar, o papel assumido pela propriedade anos depois ultrapassou essa função.

Os filhos do casal, Estêvão e Tomás, começaram a participar ainda crianças da rotina no campo. Em 2024, o Sebrae já registrava o envolvimento dos dois com as atividades da fazenda. Em 2026, a sucessão familiar apareceu entre os temas do Dia de Campo realizado na propriedade, com a família destacando a participação dos meninos no manejo e no acompanhamento do rebanho.

A experiência se conecta a uma discussão crescente sobre tecnologia e sucessão familiar nas propriedades rurais, principalmente quando os filhos passam a participar não apenas do trabalho operacional, mas também da gestão e das decisões sobre o futuro do negócio.

Na Caraíbas, esse processo começou antes de existir uma definição sobre quem assumirá a atividade no futuro. A propriedade que nasceu como tentativa de reforçar a renda para um projeto ligado à medicina acabou se transformando em um negócio baseado em genética bovina, gestão e convivência familiar.

O resultado não veio da expansão rápida, mas da mudança de direção depois de anos de retorno abaixo do esperado. Hoje, a história da fazenda reúne uma trajetória pouco comum: medicina, pecuária, reprodução assistida e sucessão familiar dentro do mesmo projeto.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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