Rei do Agro: SLC Agrícola projeta 854,4 mil hectares e amplia aposta no algodão irrigado em 2026/27

Plano prevê crescimento de 2,2% na área, expansão da soja e avanço do algodão de segunda safra. Com custo médio estimado em R$ 7.217 por hectare, companhia combina irrigação, rotação de culturas e proteção de preços para buscar maior rentabilidade.

A SLC Agrícola projeta uma área de 854,4 mil hectares na safra 2026/27, avanço de 2,2% sobre os 836,1 mil hectares orçados para 2025/26. O planejamento consta do fato relevante de 7 de outubro de 2026, assinado em Porto Alegre pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Ivo Marcon Brum.

A ampliação será puxada pelo algodão de segunda safra, apoiado no aumento da área irrigada. Os números representam intenções de cultivo e estimativas operacionais: a companhia ressalva que o clima poderá alterar a área efetivamente plantada. A comparação é entre orçamentos das duas temporadas, não entre colheitas concluídas.

Soja cresce, enquanto algodão muda de calendário

O detalhamento aponta 854.371 hectares no novo ciclo, acréscimo de 18.276 hectares em relação à base anterior, conforme cálculo da reportagem a partir das áreas divulgadas. A soja comercial e para sementes continua com o maior espaço no planejamento: 442.075 hectares, ou 51,7% do total.

No algodão, a mudança principal está na distribuição entre safras. A primeira recua 10,8%, para 92.204 hectares, enquanto a segunda avança 12,2%, para 108.156 hectares. Somadas, as duas chegam a 200.360 hectares, apenas 0,3% acima do orçamento anterior.

Cultura ou atividade2025/26 (ha)2026/27 (ha)Variação
Soja comercial e sementes429.702442.075+2,9%
Algodão — primeira safra103.33492.204-10,8%
Algodão — segunda safra96.380108.156+12,2%
Milho — segunda safra158.249154.607-2,3%
Outras culturas e atividades48.43057.329+18,4%
Total836.095854.371+2,2%
Fonte da tabela: SLC Agrícola, fato relevante de 7 de outubro de 2026. Áreas orçadas para as operações da companhia; hectares por safra, sujeitos a alterações climáticas. Outras culturas e atividades incluem pecuária e produção florestal.

O milho de segunda safra perde 3.642 hectares e passa a 154.607 hectares. Já o grupo de outras culturas e atividades alcança 57.329 hectares, incluindo sorgo, trigo, sementes de forrageiras, pecuária e áreas florestais. O total divulgado agrega diferentes ciclos e atividades; não deve ser interpretado como área física de terras próprias.

Produtividade maior terá de enfrentar custos mais altos

Na soja, a produtividade estimada é de 4.080 quilos por hectare, alta de 1,1%. Isso equivale a 68 sacas de 60 quilos por hectare, em conversão da reportagem. No milho de segunda safra, a expectativa é de 7.957 quilos por hectare, avanço de 2,8%.

Para o algodão em pluma, a previsão é de 2.075 quilos por hectare na primeira safra e 2.000 quilos na segunda, aumentos de 0,4% e 0,9%. Esses rendimentos são projeções da SLC para suas operações e não referências nacionais de produtividade.

O custo médio por hectare está orçado em R$ 7.217, crescimento de 2,2%. A companhia atribui a pressão principalmente aos fertilizantes em dólar e à inflação de 4% considerada no planejamento. Defensivos mais baratos em moeda estrangeira e a valorização do real compensam parte dessa alta.

A premissa cambial do orçamento passou de R$ 5,45 para R$ 5,20 por dólar. Trata-se de hipótese de planejamento, não de cotação atual. Segundo a SLC, 57% do custo de produção está indexado à moeda norte-americana e 43% é denominado em reais.

Por cultura, a soja tem custo previsto de R$ 5.292 por hectare, alta de 2,1%, e o milho de segunda safra, de R$ 4.510, aumento de 3,8%. No algodão, os valores são R$ 14.102 na primeira safra e R$ 13.088 na segunda, avanços de 1,8% e 1,9%.

Proteção de preços reduz parte da exposição ao mercado

Na posição divulgada em outubro, 52,9% da soja de 2026/27 tinha preço protegido a US$ 12,36 por bushel, unidade de comercialização internacional do grão. A proteção cambial cobria 23,8%, a R$ 5,3916 por dólar. São operações distintas, com percentuais próprios de cobertura.

No algodão, o hedge de preço abrangia 62,2%, a 79,14 centavos de dólar por libra-peso. A proteção cambial atingia 23%, a R$ 5,7642 por dólar. Os preços das commodities são apresentados em base FOB porto; transporte e eventuais descontos de qualidade influenciam o valor nas unidades produtoras.

Essas posições retratam a data do comunicado e podem mudar. O hedge ajuda a dar previsibilidade à receita, mas não elimina a exposição ao clima, ao volume colhido ou à parcela da produção que continua sem preço fixado.

Pecuária e sementes completam o planejamento

Para 2027, a SLC estima vender 112,5 mil bovinos e produzir 86.280 big bags de sementes: 76 mil de soja, 6.280 de algodão e 4 mil de braquiária. Segundo o documento, as sementes atenderão terceiros, operações entre empresas do grupo e consumo interno; o volume não corresponde integralmente a vendas externas.

Para a gestão das fazendas, o ponto central é a combinação entre uso da área, calendário e desembolso. A irrigação amplia as possibilidades de segunda safra, enquanto a rotação reorganiza o espaço das culturas. O resultado econômico dependerá de transformar o rendimento previsto em produção efetiva e de administrar custos e preços ao longo do ciclo.

Leia também: SLC Agrícola monetiza duas fazendas e capta R$ 1 bilhão para ampliar sua área irrigada.

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