Arroba a R$ 200: Está caro ou barato?

Arroba a R$ 200: Está caro ou barato?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Afinal de contas, qual o equilíbrio para o mercado do boi, arroba a R$ 200 é caro ou barato? Uma coisa é certa, a arroba precisava de uma correção de valor!

A pecuária de corte viu o valor da arroba decolar de agosto até novembro, atingindo um pico de negociações de valores próximos a R$ 250 no último mês. Entretanto, o mês de dezembro começou com um pé esquerdo, se assim podemos dizer. O pecuarista precisava dessa correção no preço da arroba, mas ainda paira algumas dúvidas, qual o equilíbrio para esse valor? Arroba a R$ 200: Está caro ou barato? Vamos tentar entender!

“A volatilidade dos preços no mercado futuro de boi gordo permanece nas alturas, numa movimentação frenética e muitas vezes sem conexão com os fundamentos, que têm deixado até mesmo os operadores mais experientes sem conseguir entender o que está acontecendo”, ponderou Leandro Bovo, da Radar Investimento, em seu artigo publicado pela Scot Consultoria. Começo com esse cenário para que tenhamos em mente que não existe ainda uma margem definida ou uma base para o mercado do boi gordo. Uma coisa é certa, arroba a R$ 160,00, nunca mais!

Com o preço da arroba do boi gordo subindo e a demanda por animais prontos para abate seguindo o mesmo fluxo, era esperado que o mercado de reposição fosse reagir e, bom, reagiu de uma forma ainda maior. Chegamos a ter animais comercializados acima de R$ 2 mil, para bezerros desmamados, e de R$ 2700 para o boi magro de 12@. O desespero é inimigo do lucro e, também, do mercado e da lei da oferta e da demanda.

Inúmeros foram os negócios de compra dessa reposição em valor altos e, o pior, não foram feitos travas para a venda desses animais no mercado futuro. Uma coisa é certa, agora é pensar e rezar para ganhar na mega-sena. Então esse pecuarista vai tomar prejuízo? Ainda não sabemos, mas ao que tudo indica, a margem será apertada!

Arroba a R$ 200 é caro ou barato?

Perguntar isso para qualquer um nesse momento é quase unanime a resposta: ” ainda da pra subir mais!”. Entretanto, é preciso estar atento aos negócios fora da porteira e analisar toda a situação. O Brasil tem a sua maior demanda sendo o mercado interno, quase 70% da carne produzida. Esse mercado, diferente do mercado de exportação, é mais sensível aos grande aumentos e acabam optando por outras fontes de proteína, aguardando uma estabilidade dos preços.

A lei da oferta e da demanda é implacável meus amigos, o mercado é, na maior parte, equilibrado pelo consumidor final. O Brasil e, principalmente, o pecuarista viu em dezembro esse cenário. Os estoques dos atacadistas ficaram parados, a indústria tirou o pé das compras e o pecuarista viu a arroba sofrer uma desvalorização acima de 7%.

Os custos de produção, projetados para engorda e terminação dessa reposição que está sendo negociada agora, está subindo. O mercado do milho já atingiu patamares de R$ 50 por saca e deve continuar firme, já que os estoque estão baixos e a exportação anda muito atrativa. O mercado da soja, segue em seus quase R$ 86, e o plantio da safra atrasou, afetando algumas áreas produtoras e, apesar do recorde de produção esperado, o mercado de exportação fará com que o preço permaneça mais alto.

Uma coisa é certa e o mercado em si já está ciente disso, a arroba não irá retornar ao mesmo patamar de R$ 160. A estabilidade prevista para o preço de negociação desse valor é de R$200 nas principais praças e o de R$ 215 para os animais de exportação.

Em resumo e sem muitas delongas, o grande problema não é preço que você recebe pelo seu produto, mas sim o quanto você gasta para produzir esse bem. Agora é o momento de cada pecuarista olhar para dentro da sua porteira e avaliar o seu planejamento, garantindo estratégias para aumentar a margem de lucro e afastar as ameças.

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