Arroba decola a R$ 320 e frigorífico fica sem boi, veja

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Algumas indústrias estão comprando do “campo para o gancho” e devem subir, ainda mais, as ofertas de preços para o boi gordo; Arroba já bateu R$ 320,00!

O mercado físico de boi gordo voltou a ter preços acentuadamente mais altos nesta terça-feira, 16, independente da praça pecuária avaliada. Com um cenário onde a oferta de animais terminados é bastante tímida no momento, fazendo com que os frigoríficos operem com escalas de abate encurtadas, algumas indústrias do Centro-Oeste, estão comprando do “campo para o gancho”, fazendo com que a referência de preços suba a régua.

A expectativa, segundo levantamento realizado pelo país, é de que não haja grande avanço do volume de animais terminados até meados no decorrer deste bimestre, reforçando a expectativa de recorde no preço da arroba. O movimento vem se mostrando bastante arrojado, até pelas circunstâncias apresentadas ao mercado, com a China ainda ausente, mas com grande firmeza no consumo do mercado interno.

A menor oferta de boiadas está ditando o ritmo dos negócios nas praças paulistas. A referência para o boi gordo voltou aos R$300,00/@, preço bruto e a prazo. Alta de 2,7% ou R$8,00/@ comparado à última sexta-feira (12/11). 

Cenário de firmeza também para as fêmeas, cujas altas foram de R$5,00/@ para a vaca e novilha gordas, negociadas em R$275,00/@ e R$287,00/@, respectivamente, nas mesmas condições de pagamento, apontou a Scot Consultoria.

O Indicador do Cepea, abriu a semana com uma nova disparada de preços com uma valorização de 0,71%, fazendo com que o preço ficasse cotado a R$ 303,15/@, acumulando uma valorização de quase 18% no mês de novembro. Ainda dentro desse cenário, o boi brasileiro para a ser negociado na média de US$ 55,20/@.

Os preços da arroba, segundo o Cepea, subiram cerca de R$ 46,00/@ neste mês de novembro. Essa alta, apoiado na baixa oferta de animais para abate e melhora na demanda interna pela carne brasileira, elevou os preços ao patamar pré vaca-louca. Infelizmente, muitos pecuaristas ainda estão contabilizando o prejuízo dos últimos dois meses. Veja o gráfico abaixo.

Segundo o app da Agrobrazil, os preços na praça paulista estão variando de 295,00/@ a R$ 310,00/@. Entretanto, como dito anteriormente, as indústrias em Goiás, estão com escalas extremamente curtas. A melhor negociação do dia ficou para Goiatuba, com preço pago de R$ 320,00/@ para as novilhas, com pagamento à vista e com negociação e abate no dia 16 de novembro!

Nesta terça-feira, as plantas frigorificas analisaram o desempenha de vendas do final de semana, com feriado prolongado. Enquanto isso, a referência para negócios em São Paulo segue em R$ 300,00/@. Na B3, o contrato futuro de boi gordo com vencimento para nov/21 encerrou o dia cotado em R$ 306,15/@, valorizando 0,26% no comparativo diário. 

“O volume retraído de ofertas é o grande elemento de alta no curto e no médio prazo. A expectativa é de que não haja grande avanço do volume de animais terminados até meados no decorrer deste bimestre. O movimento vem se mostrando bastante arrojado, até pelas circunstâncias apresentadas ao mercado, com a China ainda ausente, sem projeção de retorno às compras. O desempenho das exportações na segunda semana de novembro reforça toda essa situação, com resultado pífio na comparação com igual período do ano passado”, disse Iglesias da Safras&Mercado.

“A dificuldade na aquisição de lotes tem garantido suporte ao movimento de alta na arroba”, relata a consultoria.

Além de uma oferta enxuta, muitos pecuaristas passaram a reter os animais na fazenda, visando barganhar preços maiores após os prejuízos gerados pelas fortes quedas verificadas nos meses de setembro e outubro, acrescenta a IHS.

O registro de chuvas em importantes regiões do País favorece a estratégia de segurar o boiada no campo à espera de preços mais altos.

Média diária exportada recua 42,94% na segunda semana de novembro/21

Nesta terça-feira (16), a Secretária Comércio Exterior (Camex) reportou que a média diária exportada de carne bovina fresca, refrigerada e congelada ficou em 4,7 mil toneladas na segunda semana, na qual teve um recuo  de 42,94% frente a média do mesmo período do ano passado, que ficou em 8,3 mil toneladas.

Durante a última semana 22,48 mil toneladas de carne bovina in natura foram exportadas pelo Brasil, uma média de 4,49 mil t/dia, o que representa uma queda de 14,59% no comparativo semanal. A primeira quinzena de nov/21 se encerrou com um total de 38,28 mil toneladas da proteína bovina encaminhada para fora do país, com a média diária mensal se estabelecendo em 4,78 mil toneladas, apesar do recuo na semana, ainda assim tal volume é 16,46% maior que o fechamento de out/21.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 301 na modalidade à prazo, contra R$ 300 na sexta-feira (12).
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 300, ante R$ 290.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 299, inalterada.
  • Em Cuiabá (MT), a arroba ficou indicada em R$ 280, ante R$ 266.
  • Em Uberaba (MG), preços a R$ 300, por arroba, estável.

Atacado

Já os preços da carne bovina subiram com força no atacado. O quarto traseiro teve preço de R$ 21,20 por quilo, alta de 80 centavos. O quarto dianteiro foi a R$ 14,15 por quilo, alta de 85 centavos, e a ponta da agulha passou de R$ 13 por quilo para R$ 14 por quilo.

Mesmo assim, os preços da carne permanecem distantes das indicações do boi gordo na compra de gado. “Resta saber se o mercado brasileiro terá capacidade para absorver a proporção das altas da matéria-prima país afora”, disse o analista de Safras & Mercado.

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