Arroba sai por R$ 170, união de classe pode reverter cenário

Arroba sai por R$ 170, união de classe pode reverter cenário

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Próximas semanas serão decisivas para as negociações do mercado do boi, se o pecuarista não segurar, o preço da arroba vai despencar com oferta elevada!

O avanço do coronavírus e a restrição de circulação de pessoas segue impactando o mercado futuro do boi gordo que trabalha nos contratos com valores ao redor de R$ 170,00. Apesar do mercado físico estar descolado das negociações futuras, frigoríficos já anunciaram a suspensão dos abates. 

Segundo o app da Agrobrazil, pecuaristas de São Paulo estão com uma média cotada em R$ 198,38/@, sendo que a semana passada tivemos uma arroba média de R$ 200. Pecuaristas de Quintana/SP, fizeram vendas de R$ 195/@ com prazo de 3 dias para pagamento e abate para o dia 20 de março. Já para o Boi China, a arroba em Presidente Bernardes/SP, ficou em R$ 200 com pagamento à vista e abate em 26 de março. A maior preocupação ficou para Mato Grosso do Sul, veja!

Segundo informações do Agrobrazil, em Aquiduana, no Mato Grosso do Sul, pecuaristas entregaram o Boi China por R$ 170/@ com pagamento à vista e abate par ao dia 26 de março, conforme a imagem abaixo. Essas negociações preocupam os demais pecuaristas que temem por uma queda maior e pedem união nesse momento para não deixar a pressão de baixa ganhar força no mercado.

Esse e outros negócios foram informados no app da Agrobrazil. Qual o limite para as altas na reposição? Qual o cenário para o mercado do boi? Confira tudo no app da Agrobrazil!

Momento é de quarentena para os animais também, propõe pecuarista

O pecuarista João Vitor Fortes Goulart, dono da fazenda Santa Rita da Aldeia, no município de Porto Estrela, MT, propõe “quarentena na venda de gado pronto para abate”, por causa do surto do novo coronavírus.

Os pecuaristas, unidos aos outros movimentos, buscam se impor perante as quedas do mercado, impostas também pelos frigoríficos que se aproveitam da atual situação de “pânico” no país. Agora é momento de ter cautela, de ter união para não deixar que a arroba volte a valer R$ 160. Até o GPB, um dos maiores grupos da pecuária brasileira, está lançando o movimento nas redes sociais.

MENSAGEM DE PECUARISTAS QUE ESTÃO SE UNINDO

“Senhores frigoríficos, em razão do corona vírus estamos fora das vendas!!! Trabalhamos todos os dias para melhor atende-los. Preço base mínimo para negociações de R$190,00 e R$180,00 machos e fêmeas para atende-los de uma forma transparente e ética. Agradecemos a compreensão!!!”

Segundo o Pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, as próximas semanas vão ser decisivas para as negociações no mercado do boi gordo. “Na semana passada, o mercado físico e futuro estavam descolados. Hoje, já vemos notícias de frigoríficos dando férias coletivas em função das empresas e escolas estarem paralisados”, afirma.

Do lado da oferta, os pecuaristas estão com boas condições de pastagens e a partir de agora o clima deve ser mais seco. “Tem muitos pecuaristas que estão aguardando uma recuperação da arroba e ver como o mercado doméstico vai reagir diante do coronavírus”, comenta. 

Com relação a demanda, Carvalho aponta que as exportações estão com bom desempenho e a China ainda segue realizando compras, mas em menor quantidade. A preocupação do mercado é com o impacto que o coronavírus vai causar na demanda interna por carne bovina. 

“Ainda não sabemos se o Brasil vai fechar fronteiras e o mercado externo acaba sendo uma esponja para enxugar o excedente que fica no mercado interno. É importante ter uma visão ponderada sempre, mas sabemos que podemos ter um choque de demanda”, alerta o pesquisador. 

Nas últimas semanas, os contratos negociados na Bolsa Brasileira (B3) para o boi gordo registraram queda de R$ 30,00. “Isso assusta as pessoas, porém esses preços pode vir a ser praticados caso tenha uma retração mundial e vários países fechando fronteiras. Eu acredito que não chega cair nestes patamares e vamos nos recuperar bem rápido”, relata. 

Outro ponto que pode impactar o mercado é a falta de container e pelo fato dos trabalhadores estarem afastados provoca uma lentidão no descarregamento da carga. “É um cenário incerto ainda, mas  se tiver a falta mais grave de container pode pressionar os valores da arroba”, diz Carvalho.

Segundo Scot Consultoria

No fechamento do mercado dessa terça-feira (10:10 h), em São Paulo, boa parte das indústrias estavam fora das compras. Mantivemos as cotações vigentes na sexta-feira, último dia com quantidade expressiva de negócios, para referência. 

Há frigoríficos que suspenderam as operações em algumas unidades por meio de férias coletivas, e outros que estão em compasso de espera, em função das consequências no consumo de carne bovina no mercado interno e do fluxo de exportação, e das medidas sanitárias para desacelerar a propagação do coronavírus.

As que estão ativas, abriram as ordens de compra, para não comprar, pois as ofertas estão até R$15,00/@ abaixo da referência, sem negócios concretizados. As programações de abate estão, em função disso, encurtando. 

Contraponto no sudeste de Rondônia

Na região a cotação do boi gordo caiu 2,3% na comparação dia a dia. Assim como nas outras regiões, as ofertas de compra diminuíram bruscamente, porém, ao contrário das outras praças, no sudeste de Rondônia houve negócios efetivados.

O boi gordo está cotado em R$170,00/@, à vista, bruto, R$169,50/@, à vista, com o desconto do Senar e em R$167,50/@, à vista, livre de impostos ( Senar + Funrural ).

Compre Rural com informações do Cepea, Scot Consultoria, Notícias Agrícolas, Agrobrazil e Consultores

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