Preços do boi gordo caem, até 5% em Mato Grosso do Sul, com quarentena alterando padrões de consumo; Pecuarista segue retendo a boiada nos pastos.
O mercado físico de boi gordo teve uma semana marcada por queda nos preços, com reflexo no atacado. A primeira quinzena de abril vem sendo marcada por uma demanda abaixo do normal, reflexo do novo coronavírus, que provocou isolamento social e fechamento de restaurante, bares, redes hoteleiras e outros estabelecimentos comerciais.
“O cenário é preocupante. Os frigoríficos atuam de maneira discreta no mercado, optando por manter suas escalas de abate encurtadas, posicionadas entre dois e três dias úteis. Por enquanto, os pecuaristas mantêm algum conforto diante das condições boas das pastagens, que permitem uma maior capacidade de retenção. No entanto, isso vai mudar com o decorrer do outono, pois o clima mais seco e as temperaturas amenas aumentam o desgaste dos campos e os obrigam a negociar as boiadas”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.
No app da Agrobrazil, pecuaristas tiveram mais cautela e o número de negociações foi menor no final desta semana, com menos dias úteis. Em Dracena/SP, pecuaristas tem recebido até R$ 10/@ para animais padrão China, ficando arroba em R$ 200 com pagamento à vista e abate para o dia 20 de abril.
Em Caçu/GO, o preço para esse mesmo animal é de R$ 185/@ à vista e abate para o dia 24 de abril. Em Sidrolândia, o valor foi de R$ 185/@ à vista e abate para o dia 13 de abril, boi mercado interno. A novilha gorda em Estrela do Norte/SP, foi de R$ 190/@ à vista e abate para o dia 14 de abril.
A média, segundo app da Agrobrazil, foi de R$ 198,27/@ para a praça de São Paulo, que teve uma variação de preços entre R$ 197 e R$ 200/@, para o Boi Gordo.
No atacado e no varejo, a demanda de carne bovina está completamente distorcida em meio ao isolamento social. Os cortes nobres permanecem escanteados, com uma clara predileção aos congelados e os embutidos, e ainda pela carne de frango, enquanto muitos frigoríficos relatam que o escoamento da carne bovina tem acontecido com lentidão.
Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à vista nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 08 de abril:
* São Paulo (Capital) – R$ 190,00 a arroba, contra R$ 201,00 a arroba em 02 de abril, caindo 4%.
* Goiás (Goiânia) – R$ 183,00 a arroba, ante R$ 188,00 a arroba (-2,6%).
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 186,00 a arroba, contra R$ 195,00 a arroba (-4,5%).
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 180,00 a arroba, contra R$ 190,00 a arroba (-5,2%).
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 172,00 a arroba, ante R$ 180,00 a arroba (-3,3%).
Preços internos – CEPEA
No mercado brasileiro, o Indicador do boi gordo Cepea/B3 registra média de R$ 200,29 nesta parcial de abril (até o dia 8), praticamente estável frente à de março (R$ 200,35).
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Segundo análise do Cepea, “os preços da arroba têm apresentado pequenas oscilações, influenciados pela entrada e saída de operados do mercado, que negociam apenas quando há necessidade”.
Além disso, continuam os pesquisadores, muitos frigoríficos têm trabalhado com escalas mais curtas. Nessa quarta-feira, 8, o Indicador fechou a R$ 201,80/@, com elevação diária de quase 1%.
Frigoríficos procuram boi para exportar à China
O apetite do frigorífico que faz boi China em SP está ávido e deve seguir com força nos próximos dias. O que reforça esta visão é o fato de ontem ter sido o primeiro dia na China em que não houve casos de mortos pelo novo coronavírus. A atividade econômica lá deve ganhar tração e pode haver recomposição de estoques.
Compre Rural com informações do Safras&Mercado, Scot Consultoria e Agrobrazil