Azeite do Paraná faz história com primeira premiação internacional em concurso na Argentina

Produzido em Irati, o Cruz de Malta Blend de Safra recebeu o Gran Prestigio Oro, máxima distinção do concurso internacional realizado em Mendoza.

O azeite Cruz de Malta Blend de Safra, produzido pelo olivicultor e sommelier de azeites Marcio Thomaz, de Irati, na região Centro-Sul do Paraná, recebeu 90 pontos e o Gran Prestigio Oro, máxima distinção do 20º Concurso Internacional de Azeites de Oliva Extravirgem OLIVINUS 2026, realizado em Mendoza, na Argentina. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), esta é a primeira vez que um produtor paranaense conquista premiação em um concurso internacional de azeites.

O reconhecimento aconteceu na última quarta-feira (23), em cerimônia realizada na Universidade Juan Agustín Maza. O concurso recebeu amostras de 217 empresas de 21 países, avaliadas por um júri de 35 integrantes. De acordo com a organização, o Gran Prestigio Oro é concedido aos azeites que superam 86 pontos na avaliação.

Raiva mudou de perfil no Brasil: morcegos já são a principal origem dos casos humanos

“Receber este prêmio é a coroação de anos de muito trabalho, dedicação e, acima de tudo, a validação de que todo o esforço valeu a pena. Essa conquista é fruto de investimento e aprendizado desde os primeiros passos na cultura para alcançar a excelência que hoje entregamos no Azeite Cruz de Malta. Para a olivicultura paranaense, este reconhecimento prova o imenso potencial do nosso estado na produção de azeites de altíssima qualidade. Tenho certeza de que este prêmio abre novas portas e consolida o Paraná como polo emergente e altamente competitivo no cenário nacional, inspirando novos produtores e atraindo novos mercados”, afirma Marcio Thomaz.

Assistência técnica e pesquisa

Da primeira muda plantada ao reconhecimento internacional, a trajetória do Azeite Cruz de Malta foi construída ao longo de anos, com produtor e assistência técnica caminhando lado a lado. Marcio iniciou o cultivo em 2020, em uma propriedade de Irati, com o plantio de 800 oliveiras, conduzido inicialmente por ele próprio. Com o passar dos anos, o acompanhamento técnico do IDR-Paraná ajudou a avaliar o comportamento das diferentes espécies e cultivares e a identificar aquelas que melhor se adaptaram às condições do Paraná.

As informações obtidas a partir desse acompanhamento contribuíram para a elaboração do Boletim Técnico de Riscos Climáticos da Olivicultura do Paraná, que identificou 69 municípios com condições preliminares de aptidão para a cultura. O levantamento considera fatores como altitude, temperatura, acúmulo de horas de frio, umidade e condições durante o período de floração e produção.

“O que nós fizemos, após identificar que ele tinha plantado oliveira, foi fazer o acompanhamento do cultivo. Então, nós estamos acompanhando com ele quais as espécies, as cultivares que floresceram no estado do Paraná, inclusive na propriedade dele. E essa informação contribuiu para a construção do nosso boletim técnico de riscos climáticos da olivicultura do Paraná”, explica a Assessora Estadual de Plantas Potenciais do IDR-Paraná, Laís Adamuchio.

Segundo Laís, o acompanhamento também permitiu identificar resultados positivos com três principais cultivares: Arbosana, Arbequina e Koroneiki. A recomendação é que os produtores testem diferentes materiais genéticos nas propriedades, já que as condições de solo e microclima podem produzir resultados distintos.

Atualmente, o Paraná possui aproximadamente 25 produtores de oliveira, que somam cerca de 90 hectares cultivados. Como parte dos pomares ainda é jovem, o Estado ainda não dispõe de dados consolidados de produtividade. A oliveira começa a produzir frutos entre o segundo e o terceiro ano, mas a produção tende a se estabilizar entre o quarto e o quinto ano.

Qualidade e valor agregado

Azeite do Paraná faz história com primeira premiação internacional em concurso na Argentina
Foto: Divulgação

Para Laís, a premiação obtida em Mendoza demonstra o potencial da olivicultura paranaense para trabalhar com um produto de maior valor agregado. A produção estadual ainda é pequena e está em fase de desenvolvimento, mas as condições de algumas regiões favorecem a obtenção de azeites com características diferenciadas.

“Essa premiação do nosso produtor significa muito para nós, uma vez que o nosso azeite e as nossas condições edafoclimáticas apresentam condições suficientes para que os nossos produtores possam ser competitivos em relação ao mercado nacional e internacional. Isso apresenta para nós uma possibilidade que o nosso agricultor tem de agregar renda com um azeite diferenciado”, afirma a assessora.

Ela explica que a produção paranaense não tem como objetivo competir em escala com grandes produtores, mas explorar a qualidade e o valor agregado do produto. Entre os diferenciais está o intervalo reduzido entre a colheita das azeitonas e a extração do azeite. Em pequenas propriedades, esse processamento pode ser realizado em até 12 horas após a colheita, contribuindo para a preservação das características do produto.

No caso de Marcio, o cultivo reúne nove variedades de oliveiras. A colheita ocorre normalmente entre fevereiro e março e pode se estender por até 45 ou 60 dias, conforme o período de maturação das diferentes cultivares. Na propriedade, a extração é realizada poucas horas após a colheita.

Desenvolvimento da olivicultura

O trabalho de pesquisa e extensão do IDR-Paraná também busca ampliar as informações disponíveis para os produtores. O zoneamento realizado até o momento é preliminar, e a próxima etapa envolve a validação das cultivares nas diferentes regiões identificadas como aptas, com participação de universidades e instituições de pesquisa.

Entre os desafios estão a avaliação da produtividade dos diferentes materiais genéticos, o manejo fitossanitário e o aprimoramento de estruturas de processamento de menor porte. A intenção é também ampliar as possibilidades de agregação de valor por meio do turismo rural, da gastronomia e da integração da olivicultura com outras cadeias produtivas paranaenses.

A olivicultura pode ser uma alternativa de diversificação de renda para pequenas propriedades. Segundo o IDR-Paraná, os produtores interessados podem buscar orientação técnica nos escritórios regionais do instituto e consultar o Boletim Técnico de Riscos Climáticos da Olivicultura do Paraná, disponível nas publicações técnicas da instituição.

VEJA TAMBÉM:

ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.