Bayer vence julgamento sobre Roundup nos Estados Unidos; entenda

Júri decidiu por unanimidade a favor da Monsanto em processo envolvendo três mulheres; companhia também busca aprovação de acordo de US$ 7,25 bilhões para encerrar parte dos litígios

A Bayer conquistou uma vitória judicial nos Estados Unidos em mais um processo envolvendo o Roundup, herbicida à base de glifosato. Segundo informações da Reuters, um júri de St. Louis, no Missouri, decidiu por unanimidade a favor da Monsanto, subsidiária do grupo alemão, em uma ação movida por três mulheres que relacionavam o uso do produto ao desenvolvimento de linfoma não Hodgkin.

O resultado representa um avanço na defesa da companhia, mas não encerra o contencioso envolvendo o herbicida. A Bayer ainda enfrenta aproximadamente 65 mil ações nos Estados Unidos e tenta obter aprovação judicial para um acordo de US$ 7,25 bilhões, destinado a solucionar dezenas de milhares de processos.

A disputa permanece relevante para o setor de insumos agrícolas por envolver responsabilidade dos fabricantes, exigências de rotulagem e os custos associados a litígios sobre produtos utilizados no controle de plantas daninhas.

O que estava em discussão no julgamento

As três autoras processaram a Monsanto em 2020. Elas alegaram que o uso regular do Roundup teria provocado a doença e sustentaram que o herbicida apresentava falhas de concepção e riscos excessivos. A ação também apontava suposta negligência na comercialização.

O júri rejeitou as pretensões das autoras e decidiu a favor da empresa. O veredicto se refere a esse processo específico: não representa, por si só, o encerramento das demais ações nem uma conclusão científica definitiva sobre o glifosato.

Esse foi o primeiro julgamento envolvendo o Roundup desde uma decisão da Suprema Corte americana, em junho, que restringiu argumentos utilizados contra fabricantes em disputas sobre a rotulagem do produto, apontou a Reuters.

Rotulagem está no centro da disputa jurídica

De acordo com o material consultado, a decisão da Suprema Corte limitou ações fundamentadas na ausência de advertências sobre câncer nos rótulos do Roundup, considerando as exigências da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA.

A Bayer sustenta que esse entendimento também alcança alegações de falha na concepção do produto e negligência. Os advogados das autoras, porém, contestam essa interpretação.

A extensão dessa proteção jurídica continua sendo um ponto de divergência entre as partes, com importância para a condução dos processos restantes.

Bayer vê resultado como sinal para outras ações

Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, 30 de outubro, o diretor jurídico da Bayer nos Estados Unidos, Bill Dodero, avaliou que a vitória evidencia as dificuldades que outros demandantes poderão enfrentar.

Segundo a posição apresentada pela companhia, os autores precisarão demonstrar tanto a sustentação jurídica de suas alegações quanto as provas necessárias para comprová-las. Essa avaliação expressa o entendimento da defesa da Bayer sobre o alcance do resultado.

Acordo bilionário ainda depende da Justiça

Outra frente da estratégia da companhia é a proposta de US$ 7,25 bilhões para resolver parte dos litígios. Porém, o acordo ainda aguarda análise de um juiz estadual do Missouri.

A distinção é importante: o veredicto favorável em St. Louis e a proposta de acordo são frentes diferentes. A vitória no julgamento não significa aprovação automática da negociação nem elimina os demais processos.

O que a decisão representa para o agronegócio

Para o setor agrícola, o desdobramento concentra atenção no ambiente jurídico e empresarial de uma das maiores fornecedoras de insumos do mundo. O material consultado, contudo, não informa mudanças de preço, oferta ou autorização de uso do glifosato no Brasil decorrentes desse julgamento.

A Bayer nega que o glifosato cause câncer e defende a segurança do ingrediente ativo. Ainda segundo informações da Reuters, a EPA já apresentou avaliação de que a substância provavelmente não é cancerígena e realiza uma nova análise.

O caso exige separar três questões: o resultado de um processo judicial, a avaliação científica de uma substância e as regras que autorizam seu uso. A vitória da Monsanto trata da primeira delas e ocorre enquanto a companhia ainda busca uma solução mais ampla para seu passivo judicial nos Estados Unidos.

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