Bezerro despenca R$ 240/cab; Hora de comprar a reposição?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

A trajetória de desvalorização nos preços dos animais jovens ao dos últimos trinta dias já somam mais de R$ 240/cab, desde que atingiu o pico. Veja!

O volume de negócios no mercado brasileiro de animais para reposição, incluindo as vendas em leilões, continua a apresentar um fraco desempenho ao longo destes últimos dias. Apesar da queda nos preços, o mercado segue travado por uma baixa liquidez, também, no mercado do boi gordo. Mas afinal, depois desse recuo de preços, é hora do pecuarista fazer a reposição?

Segundo analise do mercado, a procura no mercado de bovinos mais jovens, que já vinha registrando uma liquidez abaixo da média para o período, foi ainda mais prejudicada nesta semana. Os pecuaristas que buscam fazer a reposição, estão apreensivos quanto ao custo de produção desses animais, diante da alta nos preços dos grãos!

Em um dos principais polos de produção de bezerros do país, as cotações tiveram grande recuo. O Indicador Bezerro Cepea (praça MS) fechou a sexta-feira cotado a R$ 2.872,21/cab. Sendo assim, desde que atingiu o pico de preços, o indicador recuou cerca de R$ 240,00/cab. Conforme o gráfico de preços abaixo!

Entretanto, quando olhado os últimos quatro meses – de abril até o momento – os preços tiveram uma desvalorização ainda maior. Outro ponto que chama atenção é em relação ao peso dos animais que, segundo os dados das negociações informadas no app da Agrobrazil.

Segundo apontou o relatório parcial do mês de agosto da Agrobrazil, a média para os bezerros, na praça paulista, fechou primeira quinzena de Agosto cotado a R$ 13,79/kg, ou seja, um grande recuo de quase R$ 1,00/kg frente a média do mês anterior. As negociações para as fêmeas foram insuficientes para gerar uma média, apontando para uma queda no volume de negociações informadas pelos pecuaristas no aplicativo.

Segundo o relatório semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a cotação média para os animais como o boi magro, garrote e bezerro de ano apresentaram desvalorização de 2,07%, 3,37% e 1,80% e ficaram cotados na média de R$ 4.127,86, R$ 3.657,62 e R$ 3.115,31, na mesma ordem e no comparativo entre jul.21 e jun.21.

Na outra ponta, o pecuarista da terminação vem reduzindo a busca por animais jovens, já que ele não quer arcar com os altos custos de produção na fase de recria.

Por sua vez, observa a IHS, permanecem os relatos sobre a dificuldade de escoamento de animais mais erados no mercado, já que os pecuaristas confinadores não encontram viabilidade econômica com base nos custos de produção atuais e nos preços indicados nos contratos futuros de boi gordo negociados na B3.

Neste mesmo período, o pecuarista da cria, viu a sua relação de troca encurtar, já que os custos de produção desse sistema avançou nos últimos meses, principalmente no custo com a dieta e reforma de pastagem e cercas.

Para o curto prazo, prevê a Scot, a expectativa é de que o clima continue pesando sobre as cotações e, com isso, mais quedas não estão descartadas.

Segundo dados da Scot Consultoria, no acumulado de julho, os preços da reposição acumularam queda de 5% no País, com um recuo de cerca de R$ 150,00/cab em todas as categorias. Ainda segundo a consultoria, os preços das categorias dos Machos Nelore, ficaram da seguinte forma:

  • Boi Magro: R$ 4.100,00 / R$ 341,70/@
  • Garrote: R$ 3.555,00 / R$ 373,50/@
  • Bezerro: R$ 3.100,00 / R$ 13,80/kg
  • Desmama: R$ 2.850,00 / R$ 15,80/kg

Momento é de comprar a reposição?

O pecuarista perdeu poder de compra frente aos suplementos minerais. Em São Paulo, compra-se 2,3 sacas de 30 quilos do suplemento citado com o valor de uma arroba de boi gordo, uma queda de 6,7% na comparação mês a mês. Em doze meses, a queda foi de 14,6% ou 11,7 quilos de suplemento a menos por arroba de boi gordo.

Diante disso, apesar da desvalorização dos animais para reposição, o alto custo dos insumos pode tornar inviável a negociação desses animais neste momento, já que a pressão nas cotações ainda devem perdurar, apontando para uma melhor margem para as negociações.

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