Bezerro recua mais R$ 330/cab; Era de ouro acabou?

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@victordarido

Se o pecuarista da cria apostou na alta do bezerro neste ano, o segundo semestre parece ter dado um banho de água fria; pecuarista perde poder de compra!

O mercado da reposição segue com baixa fluidez nas negociações, os pecuaristas estão preocupados. O volume de negócios no mercado de gado para reposição não apresentou evolução ao longo desta semana para nenhuma categoria. Para os animais mais jovens, a situação é ainda pior nas principais praças pecuárias pelo país.

A onda de frio que atingiu boa parte do país e as geadas sobre as pastagens, que já sofrem com o período seco, afetou o mercado de reposição. As cotações tiveram uma queda ainda mais para os animais jovens, já que os pecuaristas estão evitando os altos custos de produção da fase de recria desses lotes.

Considerando as cotações dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os principais polos de produção de bezerros do país, as cotações tiveram grande recuo. O Indicador Bezerro Cepea (praça MS) fechou a quinta-feira cotado a R$ 2.799,17, o que representou uma desvalorização mensal de quase 2%.

Entretanto, quando olhado os últimos quatro meses – de abril até o momento – os preços tiveram uma desvalorização ainda maior. Segundo os dados do Cepea, os preços tiveram média de R$ 3.140,55/cab em Abril e caíram para o patamar de R$ 2.803,28/cab. Sendo assim, o recuo representa uma desvalorização de R$ 337,24/cab.

Vale ressaltar que o peso dos animais segue estável neste período, ou seja, os animais comercializados estão na cada dos 205kg. Sendo assim, o pecuarista da cria, viu a sua relação de troca encurtar neste período já que os custos de produção desse sistema avançou nos últimos meses, principalmente no custo com a dieta e reforma de pastagem e cercas.

A liquidez nos leilões de animais jovens caiu fortemente na última semana depois dos danos causados pelas adversidades climáticas (frio intenso e geadas) às pastagens e às lavouras de grãos do Centro-Sul do País. Com isso, os preços das categorias mais jovens recuaram durante a semana nas principais praças, em relação à semana anterior.

Com o avanço da colheita da safrinha e a quebra da safra se confirmando, os custos de produção devem se elevar ainda mais ao longo deste segundo semestre. Outro ponto de atenção é quanto ao valor da arroba do boi gordo que parece ter encontrado um ponto de equilíbrio, o que limite maiores apetites por animais mais jovens.

Segundo dados da Scot Consultoria, no acumulado de julho, os preços da reposição acumularam queda de 3% no País, com um recuo de cerca de R$ 50,00/cab em todas as categorias. Ainda segundo a consultoria, os preços das categorias dos Machos Nelore, ficaram da seguinte forma:

  • Boi Magro: R$ 4.250,00 / R$ 354,20/@
  • Garrote: R$ 3.700,00 / R$ 389,50/@
  • Bezerro: R$ 3.200,00 / R$ 14,20/kg
  • Desmama: R$ 2.850,00 / R$ 15,80/kg

Para o curto prazo, prevê a Scot, a expectativa é de que o clima continue pesando sobre as cotações e, com isso, mais quedas não estão descartadas.

bezerro nelore no pe da vaca
Foto: Faz. SantaNice

Poder de compra do pecuarista

O pecuarista perdeu poder de compra frente aos suplementos minerais.

Em São Paulo, compra-se 2,3 sacas de 30 quilos do suplemento citado com o valor de uma arroba de boi gordo, uma queda de 6,7% na comparação mês a mês.

Desde abril, mês com a melhor relação de troca, o poder de compra caiu 23,1%, o equivalente a 20,7 quilos a menos do insumo por arroba de boi gordo. Em doze meses, a queda foi de 14,6% ou 11,7 quilos de suplemento a menos por arroba de boi gordo.

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