Boi brasileiro é o mais desvalorizado do mundo

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@rimaagropecuaria

Chegando no “limite” da desvalorização, o preço do boi gordo brasileiro no mundo atingiu o valor de U$ 48,75/@; Atualmente é o mais barato frente a outros países!

Com o maior rebanho comercial do mundo, com mais de 218 milhões de cabeças de gado, e com liderança mundial na exportação de carne bovina, o Brasil, vêm sofrendo com a grande pressão negativa nos preços da arroba. Esse cenário, após o auto embargo das exportações para China – devido os casos atípicos da vaca louca – , trouxe uma onda de desgastes nos preços pagos pela matéria prima e colocou o boi brasileiro como o mais barato do mundo!

Fazendo um comparativo, o preço do boi brasileiro negociado atualmente em dólar, é praticamente o mesmo valor do animal negociado a um ano atrás. Sendo assim, o pecuarista segue com uma margem de lucro negativa, já que os custos de produção tiveram uma alta de mais de 50% na diária do confinamento.

Desde dia 2 de setembro, quando o mercado acordou com os eventos – o Mapa somente oficializou dia 4 -, da vaca louca, o boi gordo já perdeu uns R$ 62,00/@, levanto em conta a cotação do dólar (15/10) de R$ 5,44. O boi gordo hoje, em São Paulo, gira em torno dos R$ 265,00/@.

Ainda segundo os dados, o Brasil, considerado o maior exportador de carne bovina do mundo, bateu recorde de volume e faturamento com os embarques no mês de setembro, mesmo após o embargo da China. Entretanto, a primeira quinzena de outubro, já aponta para um grande baque.

A Secretária Comércio Exterior (Camex) reportou que o volume embarcado de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada atingiu 30,4  mil toneladas nos primeiros seis dias úteis de outubro/21. No mesmo período do ano passado, o volume total exportado em outubro foi de 162,6 mil toneladas em 20 dias úteis. A média diária exportada de carne bovina ficou em 5,07 mil toneladas na segunda semana de outubro, isso representa uma queda de 37,65% frente a média do total exportado no mesmo período do ano passado, que ficou em 8,13 mil toneladas. 

Esse cenário, somado a um mercado interno ainda patinando no consumo da proteína, tem feito com que os preços do boi gordo tivessem um grande recuo de preços. Conforme o gráfico abaixo, o valor atual é de U$ 48,75/@, ou seja, além de ser o boi mais barato do mundo, ele vale menos que a metade do boi australiano, hoje cotado a U$ 107,10/@.

Exportações negativas

Segundo a Radar Investimentos, se o ritmo dos embarques for mantido até o final deste mês, o volume consolidado seria ao redor de 94,3 mil toneladas, aproximadamente 50% e 40% abaixo nas comparações mensal e anual. “Vale a pena reforçar que ainda há boa parte do mês a ser contabilizado, o que deve alterar estas estimativas abaixo”, ressaltou. 

Os preços médios na primeira semana de outubro ficaram próximos de US$ 5.340,70 mil por tonelada, na qual teve uma alta de 25,84% frente aos dados divulgados em outubro de 2020, que registraram o valor médio de US$ 4.2455,1 mil por tonelada. 

O valor negociado para o produto chegou em US$ 162.532 milhões na segunda semana de outubro deste ano, tendo em vista que o preço comercializado durante o mês de setembro do ano anterior foi de US$ 690.444 milhões. A média diária ficou em US$ 27.088 milhões e registrou uma desvalorização de 21,53%, frente ao observado no mês de outubro do ano passado, que ficou em US$ 34.522 milhões.

Brasil irá se recuperar?

O atual cenário é vivido com grande esperança de uma retomada breve das exportações, mas é preciso pontuar alguns fatores que deixaram algumas interrogações. A começar pelos motivos reais que fizeram com que a China ainda mantivesse o embargo das exportações, mesmo após a certificação da OIE em relação ao status sanitário do país.

Outro ponto que precisa ser revisto e renegociado é o protocolo comercial entre Brasil e China, sendo que muitos pontos desfavorecem a pecuária nacional e, em momento algum, foi questionado pelos órgãos brasileiros. A exemplo da Inglaterra que, mesmo tendo anunciado um caso típico de vaca louca, continua a exportar animais abaixo de 30 meses para os asiáticos.

@agropecuáriaveneza

Além disso, é preciso que o MAPA, junto as entidades que representam a cadeia da carne, busquem fortalecer o mercado com outros países importadores, como Rússia, EUA e Arábia Saudita, que são importantes compradores da carne bovina brasileira, reduzindo a dependência dos asiáticos.

Até o momento, meus caros amigos pecuaristas e consultores, o país e nós (pecuaristas) vamos continuar pagando a conta dessas ações que acabam por descreditar e desvalorizar o nosso produto frente aos concorrentes internacionais. E para finalizar, ações de retorno do consumo interno são necessários, tendo em vista que este mercado é responsável por cerca de 70% do consumo.

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