“Boi China” crava R$ 315/@ enquanto boi comum patina

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O ambiente de negócios é pautado pela restrição de oferta, o que dificulta a composição das escalas de abate, destaque para o Boi China que disparou!

O mercado físico do boi gordo teve preços pontualmente mais altos nesta quarta-feira, 10. O destaque é para o “Boi China”, aquele animal jovem de até 30 meses, já que a indústria tem melhores margens com o avanço da competitividade da carne brasileira com o avanço do dólar. O ágio chega a R$ 10/@ em relação ao boi comum.

O ambiente de negócios ainda é truncado e pautado pela restrição de oferta, resultando em uma grande dificuldade na composição das escalas de abate por parte dos frigoríficos.

Segundo a Scot Consultoria, os preços da vaca e da novilha gordas estão firmes em  R$282,00/@ e R$297,00/@, preços brutos e a prazo. As indústrias frigoríficas com destino ao mercado interno, lidam com oferta baixa de  boiadas e escoamento de carne lento.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado chegou a R$ 309,76/@, na quarta-feira (10/03), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 294,27/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 286,99/@.

Ainda de acordo com o app, o volume de animais classificados como “Boi China”, vem ganhando destaque e trazendo grande liquidez para as indústrias, principalmente com o avanço do dólar.

O indicador do boi gordo do Cepea voltou a renovar a máxima histórica da série ao superar R$ 308 pela primeira vez. A cotação variou 0,87% em relação ao dia anterior e passou de R$ 306,15 para R$ 308,8 por arroba. Sendo assim, no acumulado do ano, o indicador valorizou 15,59%. Em 12 meses, os preços alcançaram 52,34% de alta.

Escalas de abate apertadas e Mercado Futuro

Enquanto isso, os negócios de boi gordo registraram leve melhora de liquidez, mas ainda não o suficiente para dar suporte às programações de abate, que seguem encurtadas em todo o território nacional, atendendo em média 5,0 dias úteis, fazendo o preço do animal para exportação chegar aos R$ 315,00/@.

No mercado futuro, os contratos do boi gordo negociados na B3 tiveram mais um dia positivo. O vencimento para março passou de R$ 308,75 para R$ 309,1, o para abril foi de R$ 305,25 para R$ 306,5 e para maio, de R$ 299,85 para R$ 301,1 por arroba.

Mercado Truncado

Além disso, relata a IHS, as indústrias frigoríficas continuam cadenciado o fluxo de compra de gado, com novos relatos de plantas pulando dias de abate e operando com escala reduzida. Há também unidades que optaram em sair temporariamente do mercado, à espera de uma melhor definição em relação às medidas de isolamento social (para conter o avanço de Covid-19). Dessa maneira, as escalas de abate, em sua maioria, giram atualmente entre três e quatro dias úteis, com raras exceções.

Por sua vez, os pecuaristas continuam tirando proveito da boa condição de pasto para reter animais terminados e barganhar valores maiores de olho nos elevados custos de produção (reposição cara, além do aumento nos preços das rações). De olho na boa remuneração da atividade de cria, muitos produtores também reduziram o ritmo de vendas de fêmeas para abate, o que contribui ainda mais para o enxugamento da oferta em todo o País.

No front externo, a demanda segue aquecida, com grande apetite de países asiáticos pelo produto brasileiro, além de um câmbio altamente favorável às exportações, informa a IHS. “Pode-se notar essa força compradora pelo diferencial de base nos preços da arroba entre Mato Grosso e São Paulo, maiores exportadores do País, frente a outros Estados”, compara a IHS.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Nesta quarta, os valores da arroba ficaram em R$ 310 em São Paulo,
  • R$ 295 em Goiás,
  • R$ 303 em Minas Gerais,
  • R$ 293 em Mato Grosso do Sul,
  • R$ 297 em Mato Grosso.

Atacado

Mercado atacadista apresenta firmeza em seus preços no decorrer da quarta-feira, a tendência de curto prazo ainda remete a pontual alta dos preços, em linha com a melhor reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.

No entanto, as preocupações em torno de medidas mais severas de restrição em função da pandemia acabam limitando a demanda de bares, restaurantes e de outros estabelecimentos. Somado a isso não há uma previsão tão otimista acerca do processo de retomada do crescimento econômico no país, nesse tipo de ambiente a tendência é pelo consumo de proteínas mais acessíveis.

O corte traseiro ainda é precificado a R$ 20, por quilo. Já o corte dianteiro permanece precificado a R$ 16,10, por quilo. A ponta de agulha permanece  precificada a R$ 15,70, por quilo.

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