Boi China: tudo o que você precisa saber sobre o padrão

Boi China: tudo o que você precisa saber sobre o padrão

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Segundo a consultoria Agrifatto, o país asiático chega a pagar o dobro pela carne do Boi China se comparado aos valores do atacado brasileiro.

A China, incluindo Hong Kong, comprou 56,5% da carne bovina brasileira no acumulado de 2020 até maio, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). E o país asiático não se destaca apenas em volume: chega a pagar até o dobro do que é oferecido pela proteína destinada ao mercado interno, considerando os preços no atacado, segundo a Agrifatto Consultoria. Veja como produzir o Boi China!

Tendo isso em vista, frigoríficos pagam bônus de R$ 5 a R$ 15 por arroba para animais que atendam as exigências do mercado chinês. Diante disso, é importante entender o que é o padrão China exigido para bovinos.

Padrão do boi China

Segundo a Agrifatto, os bois devem ser nascidos e criados em território brasileiro, ter no máximo quatro dentes incisivos permanentes, ter menos de 30 meses de idade no momento do abate, com Guia de Trânsito Animal (GTA) especificando a idade compatível, sem indícios de febre aftosa reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e com garantia de rastreabilidade.

Cuidados na propriedade

Em relação às propriedades, não pode haver casos de bovine spongiform encephalopathy (BSE) — popularmente conhecida como doença da vaca louca —, estomatite vesicular, antraz, diarreia viral e outras doenças nos últimos seis meses, além de não terem estado sob restrições veterinárias de quarentena nos últimos 12 meses.

Alimentação

Com exceção de leite e outros produtos lácteos, gelatina e colágeno preparados do couro ou pele de outro animal, os bois não podem receber substâncias que tenham origem de um ruminante (mamíferos que mastigam novamente o alimento que retorna do estômago), como bovinos, ovinos ou caprinos.

Também é necessário que os bois nunca tenham consumido remédios veterinários e suplementos alimentares proibidos na China ou no Brasil. A Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena chinesa oferece uma lista de tais produtos e o Ministério da Agricultura no Brasil atua junto ao produtor na comunicação das atualizações.

Foto Divulgação

Abate

Os animais não podem apresentar sintoma ou lesão compatível com tuberculose ou brucelose, em inspeções que ocorrem antes e depois do processo de abate. Qualquer problema nesse sentido pode impedir o envio de toda proteína produzida na propriedade.

Por fim, o pecuarista precisa concordar com o plano de controle de resíduos e contaminantes do governo brasileiro, que testa amostras de animais encaminhados para abate em estabelecimentos sob inspeção federal. A medida visa promover segurança química dos alimentos de origem animal produzidos no país.

Tendência para os próximos meses

O analista da Safras & Mercado Fernando Iglesias afirma que o preço pago pela China, de cerca de US$ 5 dólares por quilo — outros compradores pagam aproximadamente US$ 4 por quilo, vem de uma demanda muito acima da média do mercado chinês nos últimos meses.

Iglesias projeta que a tendência é de que isso se mantenha nos meses à frente, pois ainda que o país asiático consiga recompor seu rebanho, prejudicado pela peste suína africana, demoraria de dois a três anos para atingir os níveis anteriores. Ou seja, pelo menos até 2022, a tendência é de manutenção da demanda chinesa em relação às carnes brasileiras, tanto bovina quanto de frango e suína.

Quanto da produção brasileira atende a exigência chinesa no Boi China

De acordo com o analista da Agrifatto Consultoria Yago Travagini, esse número é difícil de estimar, pois a exigência chinesa é de um animal com quatro dentes, isto é, entre 30 a 36 meses de idade. Como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa apenas o abate de animais com menos de 24 meses, o número exato não é sabido.

Travagini estima que em Mato Grosso, maior estado produtor do país, cerca de 50% dos bovinos abatidos têm menos de 36 meses. Dessa forma, é possível dizer, de maneira não oficial, que quase metade do abate no país pode atender a demanda chinesa.

Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Tempo de investimento

Travagini diz que caso o pecuarista tenha capacidade de confinar, ele pode comprar um boi magro de 24 meses e entregar um boi gordo com 27 a 28 meses, atendendo a demanda em pouco mais de quatro meses de investimento. No entanto, se considerar um produtor que necessite fazer o ciclo completo, com intensificação e ração, pode colher resultados em 12 meses.

Situação em Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Estatística Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca, diz que o prêmio no estado está em torno de R$ 10 por arroba. O produtor que tem a disponibilidade de animais com menos de 30 meses leva o animal a plantas habilitadas para exportação e recebe o valor extra.

Latorraca analisa que essa diferença para o boi comum tem estimulado o confinamento e o semiconfinamento para produção deste animal de maneira específica.

Análise de mercado

O diretor de relacionamento com pecuaristas da JBS, Fábio Dias, acredita que além do mercado chinês, o Brasil deve olhar para o mercado de exportação como um todo, já que 80% dos embarques da carne brasileira vão para países que exigem animais mais jovens. Então, talvez seja interessante para o produtor pensar na redução do ciclo e produção de animais mais jovens e com boa carcaça, permitindo a ele manter todos os canais abertos.

Visão do pecuarista do Boi China

O pecuarista Amarildo Merotti afirma que o produtor tem que estar atento ao mundo todo e a todo o mercado. No fim do ano passado, a China demandou bastante carne brasileira e levou o preço a um patamar totalmente fora da média. Isso representou uma recuperação muito importante da margem do setor, que vinha sofrendo nos últimos anos.

Merotti também ressalta que, nos últimos dias, outros mercados têm reagido e feito uma competição maior com frigoríficos habilitados para exportar à China, o que acaba gerando melhor precificação para o produtor.

Fonte: Agrifatto e Canal Rural

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