Oferta restrita e escalas de cinco a sete dias úteis sustentam preços para a abertura desta segunda-feira; fechamento semanal teve boi-China a R$ 370 em São Paulo e negócios acima dessa referência.
O mercado do boi gordo chega à abertura desta segunda-feira, 5 de outubro, com um cenário favorável ao pecuarista: oferta limitada de animais terminados, frigoríficos precisando recompor suas programações e valorização da arroba em importantes regiões produtoras. No fechamento da última semana, o boi-China acumulou alta de R$ 10 por arroba em São Paulo, enquanto o animal destinado ao mercado interno avançou R$ 6, segundo levantamento da Scot Consultoria.
A combinação mantém espaço para novas tentativas de reajuste, especialmente nas praças em que as indústrias trabalham com escalas mais curtas. Entretanto, o ritmo das compras e a capacidade de repassar o aumento do gado para a carne serão decisivos para confirmar a continuidade do movimento. A semana começa com viés de alta, mas com diferenças entre regiões, categorias e condições de pagamento.
Fechamento semanal fortalece a arroba em São Paulo
Na sexta-feira, 2 de outubro, a referência da Scot Consultoria para o boi gordo sem padrão de exportação em São Paulo ficou em R$ 362 por arroba, em valores brutos e a prazo. Uma semana antes, em 25 de setembro, a cotação era de R$ 356.
Já o boi-China terminou o período em R$ 370 por arroba, contra R$ 360 no fechamento anterior. A valorização foi de aproximadamente 2,8% na semana, superior ao avanço de cerca de 1,7% do boi destinado ao mercado interno.
| Categoria em São Paulo | Referência em 25/9 | Fechamento em 2/10 | Alta semanal |
|---|---|---|---|
| Boi gordo sem padrão de exportação | R$ 356/@ | R$ 362/@ | R$ 6/@ |
| Boi-China | R$ 360/@ | R$ 370/@ | R$ 10/@ |
Fonte: Scot Consultoria. Valores brutos e a prazo.
A diferença entre as duas categorias passou de R$ 4 para R$ 8 por arroba. O movimento indica maior valorização dos animais que atendem às exigências do mercado chinês, embora o prêmio efetivamente recebido dependa das condições de cada negociação.
A Agrifatto também identificou negócios a R$ 375 por arroba em São Paulo, a prazo, além de vendas pontuais a R$ 370 em Mato Grosso do Sul. São operações específicas, que não devem ser interpretadas como preço disponível para todos os lotes.
Escalas curtas mantêm frigoríficos no mercado
A principal sustentação da arroba continua vindo da dificuldade de encontrar boiadas prontas para abate. Segundo a Safras & Mercado, as programações industriais permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis, exigindo compras frequentes para manter as unidades abastecidas.
Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria, avalia que a necessidade de recompor essas escalas segue favorecendo reajustes. Até frigoríficos de maior porte passaram a elevar suas indicações, embora ainda existam diferenças em relação aos valores oferecidos por unidades menores.
Na avaliação de Felipe Fabbri, zootecnista e analista da Scot Consultoria, “o mercado é comprador”. A oferta de animais terminados permanece mais contida do que no mesmo período do ano anterior, sustentando a expectativa de preços firmes em outubro.
Para a abertura da semana, isso significa que a urgência de compra de cada frigorífico pode pesar tanto quanto a referência geral da praça. Unidades com menor cobertura de abate tendem a enfrentar mais dificuldade para resistir às pedidas dos vendedores.
Alta alcança diferentes regiões produtoras
Entre quinta-feira, 1º de outubro, e sexta-feira, dia 2, a Agrifatto registrou valorização em 10 das 17 regiões monitoradas: São Paulo, Acre, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins.
Nas outras sete regiões acompanhadas, as referências permaneceram estáveis.
Outro levantamento, da Safras & Mercado, mostrou avanço nas cinco referências estaduais apresentadas no fechamento de sexta-feira:
| Estado | Preço médio em 2/10 | Variação sobre o dia anterior |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 369,00/@ | +R$ 2,58 |
| Goiás | R$ 356,25/@ | +R$ 2,68 |
| Minas Gerais | R$ 361,79/@ | +R$ 1,50 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 360,68/@ | +R$ 2,38 |
| Mato Grosso | R$ 342,91/@ | +R$ 1,29 |
Carne no atacado será o teste para a continuidade da alta
Enquanto a arroba ganhou força, o mercado atacadista de carne bovina encerrou a sexta-feira com preços estáveis. As referências informadas pela Safras & Mercado foram:
- Quarto dianteiro: R$ 22,00 por quilo;
- Quarto traseiro: R$ 28,00 por quilo;
- Ponta de agulha: R$ 20,50 por quilo.
A entrada dos salários no início do mês pode estimular o consumo e a reposição entre varejo e atacado. Esse movimento ajudaria a indústria a absorver o encarecimento da matéria-prima.
Por outro lado, frango, carne suína e ovos continuam competindo pelo orçamento do consumidor. Se a carne bovina não acompanhar a valorização do gado, a pressão sobre as margens pode tornar os frigoríficos mais seletivos nas compras.
O que esperar na abertura da semana
A leitura do fechamento aponta maior poder de negociação para o pecuarista que possui animais terminados, sobretudo onde há poucas ofertas e escalas apertadas. Segundo a Agrifatto, produtores têm dosado as vendas e fracionado os lotes, comportamento que ajuda a limitar a disponibilidade imediata.
Na B3, o contrato de novembro de 2026 chegou a R$ 395 por arroba durante a semana, conforme o balanço apresentado pela Scot. A referência revela uma expectativa mais valorizada para os próximos meses, mas não representa preço garantido no mercado físico.
Para esta segunda-feira, os sinais mais relevantes serão a duração das escalas, a confirmação de negócios acima das referências e a reação da carne no atacado. A continuidade da oferta restrita favorece novos reajustes; a intensidade da alta dependerá da necessidade de compra das indústrias e da resposta da demanda.
Para o produtor, o cenário recomenda comparar propostas considerando prazo de pagamento, descontos, frete e bonificações. Uma cotação maior só representa um negócio melhor quando também entrega maior valor líquido pela boiada.
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