Boi gordo chega a R$ 372/@ e oferta curta pressiona frigoríficos a pagar mais

Scot registra valorização de até R$ 5 por arroba no mercado paulista; Safras & Mercado e Agrifatto apontam escalas apertadas e frigoríficos ativos nas compras

O mercado do boi gordo iniciou a semana com novos reajustes e maior pressão sobre os frigoríficos para recompor suas programações de abate. Em São Paulo, o boi destinado ao mercado chinês chegou a R$ 372 por arroba, enquanto o animal sem padrão de exportação alcançou R$ 367 por arroba, segundo levantamento da Scot Consultoria referente à segunda-feira, 5 de outubro. Os valores são brutos e para pagamento a prazo.

A valorização ocorre em um cenário de oferta restrita de animais terminados e escalas de abate curtas, combinação que mantém a indústria ativa na busca por matéria-prima. Para o pecuarista, o movimento abre espaço para negociar melhores condições, embora os preços ainda apresentem diferenças relevantes entre regiões, categorias de animais e unidades compradoras.

Arroba sobe até R$ 5 no mercado paulista

De acordo com a Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão de exportação registrou alta de R$ 5 por arroba em São Paulo na abertura da semana. Para o chamado “boi-China”, o avanço foi de R$ 2 por arroba.

Categoria em São PauloCotação por arrobaAlta no levantamento
Boi gordo sem padrão de exportaçãoR$ 367,00R$ 5,00
Boi-ChinaR$ 372,00R$ 2,00
Referências da Scot Consultoria para 5 de outubro de 2026. Valores brutos, com pagamento a prazo.

O quadro reflete a dificuldade de encontrar boiadas prontas para o abate neste período de entressafra dos animais terminados a pasto. Com menor disponibilidade, frigoríficos que precisam preencher suas escalas têm menos espaço para resistir aos preços pedidos pelos vendedores.

Escalas curtas mantêm frigoríficos nas compras

Segundo a Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis. O analista Fernando Henrique Iglesias avalia que a necessidade de recompor as programações favorece novos reajustes no mercado físico.

Em análise divulgada pela Safras News em 5 de outubro, Iglesias destacou que o movimento também alcança compradores de maior porte:

“As indústrias de maior porte também passaram a elevar suas indicações, embora ainda exista uma importante dispersão entre os valores praticados pelas diferentes unidades.”

Na avaliação do analista, a perspectiva permanece favorável à valorização da arroba no curto prazo.

O diagnóstico converge com o levantamento semanal da Agrifatto, que aponta média nacional de seis dias úteis de abate, com programações pouco confortáveis na maioria das praças monitoradas.

Segundo a consultoria, a oferta enxuta, a necessidade de alongar as escalas e a demanda no início da primeira quinzena de outubro vêm dando sustentação aos preços.

“Os compradores acabam aceitando os preços pedidos pelos pecuaristas para manter o ritmo das exportações e garantir estoques neste período de crescimento sazonal do consumo”, destaca a Agrifatto, em análise reproduzida pelo Portal DBO em 5 de outubro.

Confira os preços médios por estado

O levantamento divulgado pela Safras & Mercado apresentou as seguintes referências na abertura da semana:

EstadoPreço médio por arroba
São PauloR$ 366,42
Minas GeraisR$ 360,29
Mato Grosso do SulR$ 358,30
GoiásR$ 353,57
Mato GrossoR$ 341,62
Referências divulgadas em 5 de outubro de 2026.

As médias estaduais e as cotações da Scot representam levantamentos distintos, com recortes próprios. Por isso, a média paulista não deve ser interpretada como equivalente à referência específica do boi-China.

A Agrifatto também ressalta que as negociações variam conforme região, categoria, prazo de pagamento e tamanho dos lotes. Entregas menores e fragmentadas tendem a receber remuneração inferior, segundo a consultoria.

Carne no atacado ainda limita o ritmo da valorização

Apesar da alta do boi gordo, o mercado atacadista de carne bovina começou a semana com preços estáveis. Segundo Iglesias, a entrada dos salários na economia pode estimular a reposição entre atacado e varejo nos próximos dias.

O avanço da carne, entretanto, encontra resistência na concorrência com outras proteínas. Frango, cortes suínos e ovos seguem como alternativas mais acessíveis ao consumidor, limitando o espaço para repasses.

As referências apresentadas pela Safras foram:

Corte no atacadoPreço por quilo
Quarto dianteiroR$ 22,00
Quarto traseiroR$ 28,00
Ponta de agulhaR$ 20,50

Esse descompasso ajuda a explicar por que a oferta curta sustenta a arroba, mas não assegura reajustes contínuos na mesma intensidade. A indústria precisa comprar animais e, ao mesmo tempo, encontrar espaço para repassar o custo à carne.

O que observar nas próximas negociações

Para o produtor com animais prontos, a necessidade de compra dos frigoríficos é o principal ponto de sustentação do mercado neste momento. Comparar ofertas de diferentes unidades, prazos de pagamento e condições comerciais pode fazer diferença no resultado da venda.

A Agrifatto avalia que ainda existe espaço para novos reajustes, mas condiciona a continuidade das altas ao ritmo das compras e ao repasse da valorização da arroba aos preços da carne.

O mercado entra nesta terça-feira, 6 de outubro, com os levantamentos de segunda-feira indicando firmeza no físico. Oferta de boiadas, duração das escalas e reposição no atacado serão os principais sinais para acompanhar a força das próximas negociações.

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