Mercado físico inicia a semana firme, com negociações acima das referências em São Paulo e sinais de oferta mais ajustada nos próximos meses. Escalas menores e menor ocupação dos confinamentos ajudam a sustentar o viés positivo, apesar da desaceleração recente das exportações de carne bovina.
O mercado do boi gordo começa a segunda quinzena de setembro com sinais que mantêm o pecuarista atento à possibilidade de novas valorizações da arroba. Em São Paulo, a Agrifatto identificou negócios próximos de R$ 360/@, enquanto o Indicador do Boi DATAGRO avançou para R$ 350,77/@. Ao mesmo tempo, o mercado futuro continua trabalhando com prêmios expressivos sobre o físico, refletindo principalmente a expectativa de uma disponibilidade mais apertada de animais terminados nos próximos meses.
Os negócios próximos de R$ 360/@ ainda são pontuais e, segundo a Agrifatto, o baixo volume negociado não permite transformar esse valor em uma nova referência para o mercado paulista. Pela Scot Consultoria, as referências recentes estavam em R$ 345/@ para o boi comum e R$ 350/@ para o chamado “boi-China” no interior de São Paulo.
Nesta segunda-feira (14), o Indicador do Boi DATAGRO em São Paulo avançou 0,22%, encerrando em R$ 350,77/@. A maior parte das demais praças acompanhadas também apresentou valorização, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde a alta chegou a 0,57%, levando a referência para R$ 349,89/@.
Escalas menores ajudam a sustentar o físico
Outro dado que merece atenção vem da Agrobrazil. A média das escalas de abate recuou de 6,47 para 6,42 dias úteis. A mudança é pequena, mas reforça a necessidade de acompanhar o comportamento das compras frigoríficas nas próximas rodadas.
Um dos negócios que mais chamou atenção ocorreu em Cafelândia (SP). Uma novilha gorda foi negociada a R$ 355/@ à vista, com rendimento de 50% e apenas um dia de escala.
A situação, entretanto, ainda varia bastante entre as indústrias. Segundo análise de Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, frigoríficos de maior porte trabalham com maior conforto em suas escalas, enquanto unidades menores ainda encontram dificuldades. A consultoria também observa que a demanda doméstica pode perder força durante a segunda metade do mês.
Apesar disso, as referências levantadas pela Safras mostram uma arroba sustentada nas principais regiões pecuárias: São Paulo, R$ 350,33/@; Mato Grosso do Sul, R$ 347,39/@; Goiás, R$ 341,25/@; Minas Gerais, R$ 336,41/@; e Mato Grosso, R$ 330,95/@.
Mercado futuro ainda trabalha bem acima do físico
É na B3, porém, que aparece um dos sinais mais relevantes para os próximos meses.
Depois de uma sequência de valorização, o contrato de dezembro de 2026 superou R$ 380/@, ampliando consideravelmente o prêmio em relação ao mercado físico. O contrato de outubro havia encerrado a sexta-feira (11) em R$ 377,40/@, enquanto novembro chegou a R$ 384,25/@ e dezembro a R$ 384,35/@.
Segundo a Agrifatto, o ágio do contrato de outubro chegou a R$ 27,39/@ sobre o físico, enquanto nos vencimentos do fim de 2026 e início de 2027 o prêmio chegou a superar R$ 34/@. A leitura da consultoria é de que essa curva reflete, entre outros fatores, a expectativa de uma oferta de animais mais ajustada nos próximos meses e a possibilidade de retomada gradual da demanda chinesa.
Isso não significa que a arroba física necessariamente alcançará esses valores. O tamanho do prêmio mostra, entretanto, que os agentes do mercado continuam atribuindo preços significativamente maiores ao boi nos vencimentos mais distantes.
Confinamentos trazem novo sinal sobre a oferta
Os dados dos confinamentos ajudam a entender parte desse otimismo.
Em agosto de 2026, a taxa de lotação ficou em 74,59%, contra 87,20% no mesmo mês de 2025. A diferença de 12,61 pontos percentuais indica uma ocupação consideravelmente menor na comparação anual.
Outro indicador importante foi o Índice de Reposição de Gado (IRG), que terminou agosto em 0,943. Como o índice ficou abaixo de 1, havia mais bovinos deixando os confinamentos do que animais entrando para reposição.
Para o mercado, essa dinâmica merece acompanhamento porque pode significar menor disponibilidade de animais confinados adiante, justamente quando os contratos futuros trabalham com valores elevados. A própria Agrifatto já vinha apontando a expectativa de oferta mais ajustada como um dos fundamentos por trás da valorização da curva futura.
Exportações colocam um freio no otimismo
O principal contraponto neste momento está na demanda externa.
A nova parcial das exportações brasileiras de carne bovina em setembro mostra uma média diária de 9,96 mil toneladas, contra 14,30 mil toneladas/dia em setembro de 2025. Na comparação, o ritmo atual representa retração de 30,33%.
A divulgação desses números provocou pressão sobre o mercado futuro nesta segunda-feira. A expectativa é de que o ritmo dos embarques permaneça próximo de 10 mil toneladas diárias no curto prazo, colocando um fator de cautela sobre a valorização da arroba.
O movimento já vinha sendo observado pelo mercado. A Safras & Mercado apontava o declínio das exportações como um dos principais fatores de atenção do lado da demanda, ao lado de um consumo doméstico ainda pouco aquecido.
O câmbio, por sua vez, trouxe algum suporte: o dólar à vista avançou 0,49%, encerrando a R$ 5,1490.
Oferta pode ser decisiva para os próximos movimentos da arroba
Mesmo com a correção recente dos futuros e o desempenho mais fraco das exportações, o conjunto dos indicadores ainda mantém fundamentos positivos para o boi gordo. Há negócios pontuais próximos de R$ 360/@, as escalas apresentaram leve redução, os confinamentos estão menos ocupados que há um ano e a B3 continua precificando uma arroba significativamente superior ao mercado físico para os próximos meses.
A Agrifatto já destacava que, apesar de as escalas frigoríficas permanecerem confortáveis em várias regiões, algumas indústrias começaram a elevar suas ofertas de balcão em até R$ 5/@, enquanto a firmeza do mercado futuro reforçou a percepção de menor disponibilidade adiante.
Assim, o equilíbrio entre oferta e demanda volta a ser determinante. Se as exportações recuperarem ritmo enquanto a disponibilidade de animais terminados diminuir, o espaço para novas altas pode aumentar. Se os embarques permanecerem fracos, os frigoríficos ganham argumento para limitar os avanços.
Por enquanto, porém, a combinação de negócios perto de R$ 360/@ no físico e contratos acima de R$ 380/@ para o fim do ano mantém a possibilidade de valorização da arroba no radar do pecuarista — ainda que o caminho até esses patamares dependa, sobretudo, da confirmação de uma oferta mais curta nas próximas semanas.
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