Aos 103 anos, produtor ainda dirige, anda a cavalo e acompanha duas fazendas em MS

Ranulfo Custódio Alves completou 103 anos em maio e continua ao volante em Camapuã; aos 102, sua rotina incluía a administração de duas fazendas, cavalgadas e pescarias

Aos 103 anos, o produtor rural Ranulfo Custódio Alves continua preservando uma autonomia construída ao longo de mais de oito décadas de vida em Camapuã, no interior de Mato Grosso do Sul. Nascido em 1923, ele segue dirigindo sua caminhonete e mantendo uma rotina que passa pela cidade, pela propriedade rural e por visitas à família em Campo Grande.

O centenário chamou atenção nacional antes mesmo de completar 102 anos, quando chegou sozinho à unidade do Detran-MS de Camapuã dirigindo sua Ford F-1000 para renovar a Carteira Nacional de Habilitação. Meses depois, reportagens mostraram uma rotina ainda mais incomum para sua idade: administração de propriedades rurais, acompanhamento dos trabalhos no campo, cavalgadas e pescarias. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Aos 103 anos, Ranulfo continua dirigindo em Mato Grosso do Sul

A confirmação mais recente sobre a rotina de Ranulfo foi publicada em 28 de maio de 2026, um dia depois de ele completar 103 anos. O registro informa que ele permanece ativo, circulando entre Camapuã, a fazenda e a casa de familiares em Campo Grande.

Também há confirmação de que Ranulfo continua dirigindo sua caminhonete. A manutenção dessa independência chama atenção porque sua habilitação permanece válida e porque ele segue utilizando o veículo em sua rotina.

A relação com o volante ganhou maior repercussão em 15 de maio de 2025. Naquele dia, Ranulfo, então com 101 anos, foi sozinho até a Agência do Detran-MS em Camapuã conduzindo sua Ford F-1000.

Ele acumulava 65 anos como motorista habilitado e precisava passar pela avaliação exigida para renovar o documento. Após o exame médico, recebeu mais três anos de validade, deixando a CNH vigente até 2028. O Detran-MS o apontou como o condutor ativo mais idoso do estado naquele momento.

O médico responsável pela avaliação determinou o uso de óculos durante a condução. Ranulfo também afirmou que costuma dirigir de maneira cautelosa e evita velocidades elevadas.

Duas fazendas e uma rotina de trabalho registrada aos 102 anos

Aos 103 anos, produtor ainda dirige, anda a cavalo e acompanha duas fazendas em MS
Foto: Rachid Waqued

A parte mais detalhada da rotina rural de Ranulfo foi registrada em 2025, quando ele tinha 102 anos.

Naquele período, reportagens mostraram que ele continuava envolvido diretamente com duas fazendas, cuidando de questões financeiras, funcionários e demandas das propriedades. Também acompanhava serviços realizados no campo e permanecia próximo do manejo e da rotina das equipes.

Seu dia começava cedo. Os registros daquele período apontam que Ranulfo costumava levantar por volta das 4h30 e organizava as atividades conforme as necessidades que apareciam nas propriedades.

O trabalho não era a única atividade que mantinha o produtor em movimento. Aos 102 anos, havia registros de que ele andava a cavalo, nadava, dirigia e pescava, incluindo pescarias no Pantanal.

A atualização publicada após seu aniversário de 103 anos confirma que a ligação com a fazenda permanece, mas não detalha se todas essas atividades continuam sendo realizadas atualmente. Por isso, não é correto transportar automaticamente para os 103 anos uma rotina documentada no ano anterior.

A longevidade acompanhada de atividades ligadas ao meio rural também aparece em outras histórias, como a de uma mulher que chegou aos 100 anos ainda mantendo o hábito de montar a cavalo.

A vida em Camapuã começou ainda na juventude

Ranulfo nasceu em Três Lagoas (MS) e chegou a Camapuã em 1941, quando tinha 18 anos. Na época, buscava trabalho e encontrou oportunidades principalmente em serviços braçais.

Foi no município que construiu patrimônio, criou raízes e formou família. Ranulfo é pai de sete filhos e reúne diferentes gerações de descendentes, com netos, bisnetos e tataranetos.

Sua trajetória atravessa uma parcela significativa das transformações ocorridas no campo brasileiro no último século. Quando chegou a Camapuã, a atividade rural dependia de muito mais trabalho manual e contava com uma estrutura de transporte, comunicação e mecanização bastante diferente da atual.

Outra trajetória marcada por décadas de atividade rural é a de um pecuarista que calcula ter passado por cerca de 45 fazendas ao longo da vida.

CNH foi renovada até 2028

Aos 103 anos, produtor ainda dirige, anda a cavalo e acompanha duas fazendas em MS
Foto: Rachid Waqued

O caso de Ranulfo também chama atenção por uma questão prática: não existe uma idade máxima automática para deixar de dirigir no Brasil.

Pelo Código de Trânsito Brasileiro, condutores com 70 anos ou mais precisam renovar o exame de aptidão física e mental a cada três anos. O prazo pode ser reduzido pelo médico responsável quando houver necessidade de acompanhamento em intervalo menor.

Ranulfo recebeu os três anos de validade e, portanto, teve a habilitação renovada até 2028.

Na época, dados divulgados pelo Detran-MS indicavam que 208 condutores com mais de 90 anos haviam renovado a habilitação no estado nos cinco anos anteriores. Entre janeiro e abril de 2025, outras 15 pessoas nessa faixa etária haviam passado pelo processo.

Os números mostram que existem outros motoristas acima dos 90 anos em atividade em Mato Grosso do Sul, embora permanecer habilitado após ultrapassar um século de vida seja uma situação muito menos comum.

Uma trajetória que atravessou mais de oito décadas no campo

Ranulfo chegou a Camapuã em 1941. Em 2026, completou 103 anos ainda mantendo contato constante com a propriedade rural e preservando boa parte da autonomia que marcou sua vida adulta.

Durante esse período, acompanhou diferentes fases da pecuária e das transformações ocorridas no interior brasileiro. Histórias de produtores que passaram décadas construindo propriedades também incluem a trajetória de Garon Maia, ligado à abertura de mais de 50 fazendas ao longo da vida.

No caso de Ranulfo, o dado mais recente e verificável continua sendo incomum: aos 103 anos, ele segue dirigindo e mantém uma rotina ativa ligada à fazenda e à família. As cavalgadas, a gestão direta das duas propriedades e outras atividades permanecem documentadas aos 102 anos e só devem ser tratadas como atuais caso haja uma nova confirmação do próprio produtor ou de sua família.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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