Operação mira empresas suspeitas de vender defensivos agrícolas irregulares em sete cidades de MT

Operação Tesmófora cumpriu oito mandados de busca e apreensão no norte de Mato Grosso; investigação apura possíveis irregularidades na comercialização e no armazenamento de produtos agrícolas

Empresas de sete municípios de Mato Grosso entraram na mira de uma investigação sobre a possível comercialização de defensivos agrícolas irregulares em MT. A Operação Tesmófora foi deflagrada nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, pela Polícia Civil de Mato Grosso, com participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Tabaporã, Alta Floresta, Marcelândia, Sorriso, Ipiranga do Norte, Matupá e Porto dos Gaúchos. As ordens foram expedidas pelo Juízo das Garantias da Regional de Sinop a partir de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema). Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

O que está sendo investigado na Operação Tesmófora

Segundo a Polícia Civil, os responsáveis pelos estabelecimentos são investigados sob suspeita de comercializar agrotóxicos em desacordo com as regras vigentes.

A corporação informou que as diligências identificaram possíveis problemas relacionados a normas sanitárias, ambientais e de segurança. O material recolhido durante o cumprimento dos mandados deverá ajudar a esclarecer a origem dos produtos, sua regularidade e a eventual responsabilidade dos envolvidos.

As equipes receberam autorização para buscar dados telemáticos e contábeis, insumos agrícolas, produtos e outros materiais que possam contribuir para a investigação.

Até a publicação do comunicado consultado, não haviam sido divulgados os nomes das empresas nem um balanço de apreensões ou prisões. Isso significa que o cumprimento das buscas, por si só, não comprova a prática de crime pelos investigados.

O que a legislação exige para os defensivos agrícolas

A Lei nº 14.785/2023 estabelece as principais regras federais para registro, produção, armazenamento, transporte, comercialização, fiscalização e utilização de agrotóxicos e produtos relacionados.

Pela legislação, esses produtos somente podem ser comercializados e utilizados quando previamente registrados ou autorizados pelo órgão federal competente. A venda direta ao usuário também depende, como regra, de receituário agronômico emitido por profissional legalmente habilitado.

A mesma lei prevê sanções para diferentes tipos de irregularidade. O artigo 56 estabelece pena de três a nove anos de reclusão, além de multa, para quem produzir, armazenar, transportar, importar, utilizar ou comercializar agrotóxicos não registrados ou não autorizados.

Essa previsão, porém, não pode ser automaticamente atribuída às empresas investigadas na Operação Tesmófora. O enquadramento dependerá do que for comprovado durante a apuração e da natureza das irregularidades encontradas.

O problema não é novo no estado. Em 2022, uma fiscalização contra agrotóxicos irregulares em Mato Grosso resultou na apreensão de aproximadamente 20 mil litros de defensivos e 600 quilos de produtos apontados como fraudulentos pelas autoridades.

Produto irregular pode gerar prejuízo dentro da porteira

Para o produtor, comprar um defensivo fora dos canais regulares pode trazer consequências que ultrapassam uma eventual fiscalização.

Produtos sem registro, falsificados, adulterados ou de procedência desconhecida podem não oferecer as mesmas garantias de identidade, concentração e qualidade previstas para um produto regularizado. Isso amplia o risco de perda de eficiência no controle de pragas, danos à lavoura e prejuízo financeiro.

Em março de 2026, por exemplo, uma operação do Mapa em Patos de Minas (MG) apreendeu cerca de 28 toneladas de defensivos com indícios de irregularidades. Parte dos produtos estava armazenada em recipientes sem rotulagem, segundo o Ministério.

Outras ocorrências recentes também mostram diferentes caminhos utilizados pelo mercado clandestino, como a venda de agrotóxicos ilegais pelas redes sociais e a manutenção de estruturas destinadas à manipulação e comercialização irregular de insumos agrícolas.

Tesmófora integra ações do Vigifronteiras

A operação realizada em Mato Grosso faz parte das ações do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Instituído pela Lei nº 14.515/2022, o programa estabelece um sistema integrado de vigilância em defesa agropecuária e permite a atuação conjunta de órgãos de fiscalização e forças de segurança contra irregularidades envolvendo produtos e insumos agropecuários.

Na Operação Tesmófora, além da Dema e do Mapa, participaram equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Sinop, das delegacias de Sorriso, Juara e Guarantã do Norte e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

O nome da operação também tem relação com o tema investigado. Segundo a Polícia Civil, Tesmófora significa “a que traz as leis” e remete a Deméter, divindade da mitologia grega ligada à agricultura e à fertilidade da terra.

A investigação prossegue com a análise dos documentos, registros e produtos obtidos nas buscas. Somente a partir desse material será possível determinar quais irregularidades efetivamente ocorreram e se existem elementos para responsabilização administrativa ou criminal dos envolvidos.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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