Sementes geneticamente modificadas geram ganhos de produtividade, mostram dados do CropData; Um em cada cinco hectares tem plantio de sementes sem certificação.
A biotecnologia está presente em praticamente 100% das áreas de soja e algodão cultivadas com sementes certificadas no Brasil. Os dados da safra 2025/2026 e série histórica estão disponíveis no CropData, portal de dados da CropLife Brasil, que passa a incorporar nova funcionalidade no segmento de Sementes – área por biotecnologia, com detalhamento de categorias e culturas agrícolas.
A plataforma permite acompanhar adoção de tecnologias que conferem resistência a insetos, tolerância a herbicidas ou combinam as duas características. Essas soluções contribuem para ganhos de produtividade e maior eficiência no manejo das lavouras brasileiras.
“A biotecnologia é relevante porque permitiu ao Brasil produzir muito mais sem expandir a área na mesma proporção. Desde a introdução das chamadas sementes transgênicas, a área de soja e algodão cresceu 5% ao ano, enquanto a produção avançou 6,8%. E essa diferença vem da produtividade fornecida pela tecnologia. Com um clima mais instável e pragas cada vez mais resistentes, o insumo agrícola também dá resiliência à lavoura, por isso continuar investindo em pesquisa é essencial”, analisa o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.
Soja
Na soja, a biotecnologia que combina resistência a insetos e tolerância a herbicidas é a predominante na cultura, presente em 38 milhões de hectares na safra 2025/2026, o equivalente a 78% da área total plantada. Essa tecnologia permite uma simplificação do manejo, por oferecer a cultivar mecanismos de defesa contra insetos e auxílio no melhor de plantas daninhas.

Um exemplo destaque é a tecnologia Baccilus thuringiensis (comumente conhecida como Bt), uma bactéria de solo que produz proteínas com ação inseticida contra lagartas e insetos-praga. Na sequência, está a biotecnologia voltada exclusivamente para tolerância de herbicidas, que cobriu um milhão de hectares (2%) na última safra.
Algodão
No algodão, a mesma biotecnologia de dupla combinação ocupou 1,1 milhão de hectares na safra 2025/2026, o equivalente a 55% da área plantada. Diferente da soja, na cotonicultura a adoção de biotecnologia voltada exclusivamente para resistência a insetos ocupa o segundo lugar, com 800 mil hectares (40%).

Proteção da inovação
A série histórica também traz outro alerta: o avanço no uso de sementes não certificadas — próprias (salvas) ou piratas —, que já representam um em cada cinco hectares cultivados. Entre as safras 2021/2022 e 2025/2026, a área com estas sementes avançou 210%, levantando ponto de reflexão setorial para acompanhamento da dinâmica de mercado.
Na sojicultura, elas ocupam 9,6 milhões de hectares, aproximadamente 20% da área cultivada. No algodão, foram mapeados 47 mil hectares, cerca de 2,4%. Em ambas as culturas, as áreas convencionais, sem eventos transgênicos, são praticamente inexistentes entre as lavouras com sementes certificadas.
25 de transgênicos no Brasil
Autorizados para plantio no Brasil a partir de 1998, os organismos transgênicos são desenvolvidos por técnicas de modificação genética, que passam por avaliações científicas e de biossegurança. Ao permitir o desenvolvimento de plantas com características e resistências específicas, a biotecnologia contribui para aumentar a produtividade, aprimorar o trabalho agronômico e tornar os sistemas produtivos mais eficientes.
Os ganhos produtivos dos transgênicos no campo e o impacto desta ferramenta na economia brasileira são destacados em estudo da CropLife Brasil e da Agroconsult, publicado em 2023, quando a tecnologia completou 25 anos de uso no país.
Os efeitos da adoção da biotecnologia no Brasil aparecem diretamente na evolução da produção agrícola nacional. Entre a safra 1998/1999 e a de 2025/2026, a produção avançou 6,8% ao ano, enquanto a área plantada com soja e algodão cresceu 5% ao ano.
O estudo isolou os efeitos da biotecnologia na produtividade e estima que a solução contribuiu para poupar 21,4 milhões de hectares de expansão agrícola ao longo de 25 anos, considerando as culturas abrangidas pela pesquisa (soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar). No mesmo período, a dosagem de defensivos aplicada foi reduzida em 35% na soja e 27,5% no algodão, evitando o uso de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas desses produtos.

Os resultados também se refletem na rentabilidade do produtor rural. Segundo o estudo, a margem por hectare foi até 7% superior na soja e 64% maior no algodão com o uso de sementes com biotecnologia, em comparação com variedades convencionais. A economia com defensivos químicos chegou a R$ 262 por hectare na soja e a R$ 1.048 por hectare no algodão. A combinação entre menor aplicação de defensivos e economia de área também contribuiu para evitar a emissão de 70,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), volume equivalente ao plantio de 504 milhões de árvores nativas.
Diante dos desafios associados às mudanças climáticas, à resistência de pragas e à necessidade de ampliar a produção com menor impacto ambiental, o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento de novas biotecnologias é estratégico para a agricultura brasileira.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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