ILP como alternativa para elevar a produtividade

A integração entre lavoura e pecuária amplia o aproveitamento da terra e melhora o resultado econômico, mas depende de planejamento e manejo.

Aumentar a produção agropecuária não exige, necessariamente, ampliar a área, pois parte desse avanço vem do melhor aproveitamento da terra ao longo do ano, sobretudo em períodos de menor utilização, como por exemplo na agricultura durante a época seca do ano.

Nesse contexto, a integração lavoura-pecuária (ILP) combina agricultura e produção de bovinos em rotação, sucessão ou consórcio, buscando ganhos que não seriam obtidos pelas atividades isoladamente. 

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O principal diferencial está na produtividade do sistema e não necessariamente no rendimento individual de cada atividade – embora esse também seja um diferencial. 

Mesmo que a produtividade da lavoura não aumente, a produção de carne na mesma área, em outra época do ano, permite obter mais produção por hectare ao longo do ano. Como grãos e bovinos têm unidades diferentes, a comparação pode ser feita em equivalente econômico ou pelo resultado financeiro por hectare ao ano. 

Um estudo de Leal et al. (2024), em Goiás, ilustra essa lógica. 

A produtividade média da soja foi de 4,1 t/ha, sem diferença significativa entre sistemas com e sem pastejo nesse estudo. Entretanto, a entrada dos bovinos após a lavoura acrescentou 145,0 quilos de peso vivo por hectare – convertida pelo valor relativo dos produtos, essa produção correspondeu a mais 0,6 t/ha de soja, elevando em 15,0% a eficiência do uso da terra (figura 1). 

Ou seja, a soja não produziu 15,0% a mais, mas a área passou a gerar outra produção. 

Figura 1. 
Produção total da área sem e com ILP.

Fonte: Leal et al., 2024 / Elaborado por Scot Consultoria.

Calil e Ribera (2025) avaliaram esse balanço em quatro cenário para Goiás, combinando soja, milho e bovinos. Para a safra 2015/16, o modelo estimou resultado líquido de R$1.452,00/ha com soja apenas, R$2.298,00/ha com soja e milho, R$3.711,00/ha no primeiro sistema integrado e R$4.802,00/ha no segundo (figura 2). 

Figura 2. 
Resultado econômico estimado por sistema

Fonte: Calil e Ribera, 2025 / Elaborado por Scot Consultoria.

As margens sobre a receita ficaram em torno de 29,0% a 30,0% nos dois primeiros e de 39,0% a 40,0% nos integrados. Ressalta-se que são cenários com combinações e áreas diferentes, e não uma garantia de retorno em qualquer propriedade.

O segundo diferencial é que a ILP pode beneficiar a produtividade agrícola, pois a correção e a adubação do solo das lavouras favorece o desenvolvimento da pastagem seguinte, e as forrageiras deixam palhada e aumentam a matéria orgânica do solo para as lavouras subsequentes. 

Em pesquisa de Camargo et al. (2024), antecipar a adubação de fósforo e potássio para a fase de pastagem elevou em 3,0% a produtividade da soja; a adubação nitrogenada do pasto esteve associada a ganho de 7,0%, nas comparações estudadas. 

A diversificação pode distribuir receitas e reduzir a dependência de um único mercado, mas não elimina riscos. A margem depende dos preços dos grãos e do boi, do custo dos insumos e da estrutura disponível. Há também maior exigência de gestão: semeadura, pastejo e retirada dos bovinos precisam ser coordenados para preservar a lavoura seguinte.

A ILP não aumenta a produtividade automaticamente. Em experimento da Embrapa Pecuária Sudeste, conduzido em São Carlos-SP na safra 2025/26, o consórcio de soja com a braquiária BRS Paiaguás reduziu a produtividade de grãos, sem controle da forrageira, o arranjo testado tornou-se inviável. Sendo assim, a ILP deve ser feita com cuidado. Há a necessidade de “know-how” para a escolha das espécies e, por consequência, para o manejo delas. 

O potencial da ILP, portanto, está em fazer lavoura e pecuária funcionarem de forma complementar. Quando a produção adicional remunera os recursos empregados, o ganho não se limita às sacas colhidas ou às arrobas produzidas isoladamente, aparece na produtividade e na rentabilidade do hectare ao longo do ano. 

Fonte: Scot Consultoria

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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