Boi gordo segue firme e oferta curta favorece o pecuarista

Com escalas de abate próximas de seis dias úteis e oferta restrita de animais terminados, pecuarista mantém poder de negociação no mercado do boi gordo; contrato de outubro avançou para R$ 359,55/@ na B3

O mercado do boi gordo atravessa a segunda quinzena de agosto com um sinal importante para o pecuarista: mesmo diante de um consumo doméstico mais lento, a arroba continua sustentada nas principais praças, enquanto a dificuldade dos frigoríficos para alongar as escalas limita movimentos mais fortes de baixa.

Em São Paulo, referência nacional para a pecuária de corte, a Scot Consultoria apontou o boi gordo em R$ 350/@, enquanto o chamado “boi China” chegou a R$ 352/@. A vaca gorda foi indicada em R$ 325/@ e a novilha terminada em R$ 337/@, considerando valores brutos e a prazo.

O cenário ganha uma leitura mais positiva quando se observa o mercado futuro. Na B3, o contrato de outubro/26 encerrou a sessão de terça-feira (12) em R$ 359,55/@, alta de 1%, no segundo avanço consecutivo.

Não significa que uma arrancada da arroba esteja contratada. Mas mostra que, mesmo em um período sazonalmente mais desafiador para o consumo, a oferta de boiada terminada continua funcionando como um importante ponto de sustentação do mercado.

Oferta curta ajuda o pecuarista

A Agrifatto aponta justamente esse fator como um dos principais componentes do mercado neste momento. Segundo a consultoria, o ritmo de negócios permanece moderado, porém a oferta restrita de animais terminados favorece o poder de negociação do pecuarista e dá sustentação às cotações.

Do outro lado da mesa, os frigoríficos tentam recompor suas programações, mas ainda encontram dificuldades para avançar nas compras.

As escalas de abate estão, em média, em seis dias úteis no Brasil, segundo a Agrifatto.

Esse é um indicador que merece atenção. Escalas confortáveis normalmente permitem que a indústria teste preços menores com maior facilidade. Quando permanecem relativamente curtas e existe dificuldade para encontrar animais terminados, o espaço para pressão compradora aumenta.

A situação, porém, não é uniforme no país.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que o Norte apresenta negociações acima das referências médias, enquanto o Centro-Sul trabalha de maneira mais acomodada. Frigoríficos maiores também contam com maior presença de animais provenientes de parcerias, enquanto unidades menores encontram mais dificuldade para completar suas escalas.

Arroba permanece próxima dos R$ 350 em São Paulo

Os levantamentos das consultorias mostram pequenas diferenças decorrentes das metodologias de apuração, mas confirmam um mercado sem grandes oscilações.

Na pesquisa da Safras & Mercado, os preços médios estavam em R$ 349,33/@ em São Paulo, R$ 338,07/@ em Goiás, R$ 338,53/@ em Minas Gerais, R$ 342,66/@ em Mato Grosso do Sul e R$ 333,45/@ em Mato Grosso.

Na referência da Scot Consultoria, São Paulo permaneceu nos R$ 350/@.

Mais importante do que uma diferença pontual de alguns reais entre levantamentos é o comportamento geral: não há, neste momento, uma oferta abundante de boiada capaz de provocar uma queda consistente da arroba.

Consumo ainda impede uma alta mais forte

Se a oferta trabalha a favor do pecuarista, o consumo doméstico representa o principal contraponto.

A Agrifatto relata vendas mais fracas de carne bovina no atacado e varejo paulista com a aproximação da segunda metade do mês, período marcado pela redução da disponibilidade financeira das famílias e pela migração de parte do consumo para proteínas mais baratas, principalmente frango e carne suína.

A Safras & Mercado também observa perda de competitividade da carne bovina diante das proteínas concorrentes. No atacado, entretanto, os preços permanecem firmes: quarto dianteiro em R$ 21,50/kg, ponta de agulha em R$ 20/kg e quarto traseiro em R$ 27/kg.

É justamente esse equilíbrio entre boiada curta e demanda doméstica mais lenta que ajuda a explicar a estabilidade atual.

Setembro pode mudar o ritmo do mercado

A atenção agora começa a se voltar para a virada do mês.

Segundo os analistas da Agrifatto, a lentidão das negociações pode continuar até o fim de agosto, com uma recuperação esperada a partir da primeira semana de setembro.

Para o pecuarista, portanto, o momento pede acompanhamento das escalas e cautela na comercialização. A combinação de oferta limitada, escalas próximas de seis dias e mercado futuro trabalhando acima do físico impede, por enquanto, que a pressão sazonal do consumo se transforme em uma queda mais expressiva.

E o contrato de outubro acima de R$ 359/@ acrescenta uma sinalização interessante para os próximos meses.

O mercado físico ainda precisa confirmar esse movimento, especialmente com uma reação da carne no atacado. Mas, enquanto a boiada terminada continuar relativamente curta, a disputa por animais tende a oferecer sustentação à arroba — e mantém aberta a possibilidade de preços mais firmes na entrada da primavera.

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