Boi paraguaio pode invadir o Brasil e pecuaristas reagem

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Foto: Divulgação

Para economistas, reação dos pecuaristas brasileiros, que temem queda no preço da arroba, é fundamental para poder barrar essa tentativa dos frigoríficos!

Em meio ao embate entre pecuaristas e frigoríficos sobre a importação de gado paraguaio, o governo de Mato Grosso do Sul afirmou que a decisão será tomada pelo governo federal, mas que vai tentar acordos que estabeleçam limites e regras claras caso o processo seja aprovado.  

A demanda foi encaminhada pelos abatedouros ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que ainda não tomou uma decisão.  

Para especialistas, a recusa em aceitar animais do país vizinho visa favorecer a reserva de mercado. Como durante a pandemia as exportações de carne bateram recordes, a disponibilidade do produto diminuiu, fazendo com que os preços aumentassem. A entrada de bovinos mudaria o jogo.

“Quanto mais gado tiver no Brasil, quanto mais você ofertar, o preço tende a diminuir. Isso seria uma boa para o consumidor final, porque haveria mais oferta de carne e isso tende a fazer o preço cair. Para o produtor, a tendência é que ele queira vender mais caro”, afirmou o economista Michel Constantino.  

Para a economista Adriana Mascarenhas, a recusa do sindicato diante da possibilidade da entrada de gado em pé paraguaio é por medo de haver queda nos preços, o que traria prejuízos ao setor. “Eu acredito que no Paraguai os preços estejam melhores do que aqui”, ressaltou Adriana.

Repúdio

Em nota, o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, tratou o tema como “uma pauta delicada” e afirmou que é preciso pensar e analisar a questão a fundo antes de tomar qualquer decisão. 

Foto Divulgação.

Segundo ele, por várias vezes os pecuaristas de Mato Grosso do Sul foram prejudicados pelas altas dos preços no Paraguai e quando faltaram animais para abate no país vizinho, não houve a exportação de gado brasileiro.

No comunicado, Coelho afirma que a indústria paraguaia conseguiu superar os problemas sem autorizar as importações. Além disso, o país também tem problemas logísticos nesta época do ano por conta das estradas, e isso acaba prejudicando o escoamento da produção e a chegada de insumos para acabamento.

“Acreditamos, como pecuaristas, que a solução é temerária e que pode vir a prejudicar o futuro dos pecuaristas de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Mediação 

O titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, reforçou que a decisão deve ser tomada pela ministra Tereza Cristina, “mas o governo tem trabalhado para que possamos estabelecer um limite, dado que o status sanitário do Paraguai é similar ao nosso. Então eu acho que tem alguns mecanismos que nós ainda temos, como a saída de gado gordo para abate em outros estados”.

Verruck acredita que há uma forma de atender às demandas de ambos os lados, como estabelecer uma cota. “Isso seria extremamente salutar para dar escala de produção neste momento, viabilizando a manutenção dos empregos na cadeia produtiva da carne em Mato Grosso do Sul”, explicou.

Segundo ele, os números mostram que o setor está gerando números positivos. “A quantidade de abates no mês de janeiro, por exemplo, foi superior à registrada no ano passado. Obviamente tem a questão de plantas credenciadas, então o impacto da falta de bois não é generalizado, mas acaba criando situações pontuais, afetando diretamente alguns municípios. Por exemplo, nós tivemos o fechamento da Marfrig em Paranaíba, o que gerou uma série de demissões”, disse o titular da Semagro.  

Verruck disse ainda que o governo está conversando com o Ministério da Agricultura para avançar nessa questão da entrada de gado em pé no Estado, de uma forma que agrade a “gregos e troianos”. 

As equipes que cuidam das questões sanitárias também estão em constante contato com os órgãos paraguaios para intensificar o controle na fronteira e desburocratizar a comercialização de gado com o país vizinho.

O presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes do Estado de Mato Grosso do Sul (Assocarnes), Regis Comarella, que assinou o documento enviado ao Mapa com entidades de outros estados, afirmou ao Correio do Estado que ainda não obteve retorno sobre a demanda encaminhada ao governo federal.

O SRCG afirmou que acompanha o desenrolar da questão e afirmou que se preocupa com a falta de animais para abate, mas disse que a medida pode impactar em riscos mercadológicos para o Estado.

Com informações do Correio do Estado

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