Boro, Ferro, Manganês e Cobre: Funções e sintomas de deficiência no cafeeiro

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Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O boro guarda estreita relação com o cálcio, o qual exerce importante papel na sua absorção e também em suas funções na planta, agindo em conjunto

Junto com o zinco, o boro é o micronutriente que mais limita a produção do cafeeiro. É encontrado na matéria orgânica (maior fornecedora do elemento), e a sua falta pode se dar tanto em função da lixiviação (chuvas excessivas), do efeito de calagem excessiva, como também em decorrência de doses excessivas de adubos nitrogenados, e pode ser agravada nos períodos secos do ano. O boro guarda estreita relação com o cálcio, o qual exerce importante papel na sua absorção e também em suas funções na planta, agindo em conjunto. O boro atua na elongação e divisão celular, portanto muito exigido nas partes da planta com intenso crescimento, como o ápice do ramo ortotrópico, a ponta dos ramos laterais e os meristemas radiculares. Por limitar o crescimento das raízes, a planta passa a ter menor tolerância à seca. Exerce também importante papel no crescimento do tubo polínico e na germinação do grão de pólen. 

Sintomas de deficiência

Um sintoma característico da carência de boro é a morte das gemas apicais dos ramos e do ápice do cafeeiro, seguida da brotação de várias outras gemas logo abaixo, dando aspecto de um leque. Como no caso da carência de zinco, pode haver encurtamento dos internódios. Por ser imóvel na planta, o boro é um nutriente que apresenta os primeiros sintomas de deficiência nas partes mais novas, ainda em crescimento. Nas folhas novas, que se apresentam pequenas, retorcidas e com os bordos irregulares, há também o estreitamento do limbo. A deficiência do nutriente pode provocar o abortamento de flores com consequente queda de produção da lavoura. 

Ferro 

É um componente da clorofila e participa do processo de respiração. Pouco móvel na planta, o ferro é, entre os micronutrientes, o mais acumulado pelo cafeeiro, não por uma exigência metabólica, mas pela alta disponibilidade nos solos, onde se encontram implantados os cafezais. O excesso de calcário e de matéria orgânica pode ocasionar a sua deficiência. Em condições de acidez elevada, a deficiência pode ocorrer devido ao excesso de manganês que, por antagonismo, diminui a absorção de ferro. No período chuvoso e quente, quando ocorre uma rápida expansão da folha, é também frequente ocorrer o distúrbio, mas a tendência é desaparecer com o tempo. É comum o aparecimento de sintomas após podas drásticas. Em solos excessivamente drenados, pode ocorrer a deficiência, quando o ferro se faz presente em uma forma que não é absorvida pela planta. A carência de ferro em mudas de café em viveiros está associada ao excesso de matéria orgânica no substrato, ao encharcamento e à falta de luz. Nestas condições, a diminuição das regas e a maior exposição ao sol são suficientes para restabelecer as condições normais de seu suprimento. 

Sintomas de deficiência 

Os sintomas podem ser observados em pares de folhas novas, que ficam amarelas com as nervuras permanecendo verdes, formando um reticulado verde fino.

Manganês 

No cafeeiro, é o micronutriente mais acumulado, após o ferro, e, a exemplo deste, o grande acúmulo não traduz uma exigência da planta, sendo que eventuais desequilíbrios em manganês se destacam mais pela sua deficiência que pelo excesso, salvo em algumas regiões da Zona da Mata mineira. O manganês participa da fotossíntese e pode substituir o magnésio em diversas enzimas. Em solos ácidos, a sua disponibilidade é aumentada, situação que pode, por antagonismo, afetar a absorção de zinco. Por outro lado, calagens excessivas e solos com elevado teor de matéria orgânica podem induzir a sua deficiência. 

Sintomas de deficiência 

A deficiência de manganês pode ser verificada inicialmente em folhas novas, apresentando as regiões internervais verde-claras, com pontuações amareladas. (Fotos Carlos M. Mesquita) Os sintomas de toxidez se iniciam em folhas mais velhas, por meio de manchas cloróticas de contorno irregular, que posteriormente se tornam necróticas. 

Cobre 

O cobre é um micronutriente que, a exemplo do zinco, geralmente não é encontrado em quantidade suficiente no solo. Adubação nitrogenada elevada, calagem excessiva, alto teor de matéria orgânica, adubação fosfatada pesada e encharcamento são alguns fatores que podem induzir à sua deficiência. Nas lavouras em cujo manejo se adota o controle da ferrugem e da cercosporiose, mediante o emprego, via foliar, de fungicidas cúpricos, o suprimento desse nutriente é satisfatório para o atendimento das necessidades nutricionais do cafeeiro. 

Sintomas de deficiência

A deficiência é observada em folhas novas, em que as nervuras secundárias se tornam salientes, com aspecto de “costelas”, podendo haver manchas cloróticas irregularmente distribuídas que, quando concentradas nas margens, chegam, algumas delas, a coalescerem, seguindo-se a necrose. Ocorre, ainda, o encurvamento do limbo para baixo, sintoma que é comumente chamado de “orelha de zebu”. 

Molibdênio, cloro e níquel

Em condições normais de cultivo do cafeeiro, não são encontrados sintomas visuais de deficiência de molibdênio, de cloro e de níquel, o que demonstra que estes micronutrientes são encontrados nos solos cultivados e fornecidos nos níveis requeridos pelo cafeeiro.

Clique aqui para ler sobre as funções e sintomas de deficiência ou excesso dos nutrientes Nitrogênio, Fósforo e Potássio. E aqui para conferir sobre Cálcio, Magnésio, Enxofre e Zinco.

Fonte: CaféPoint

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