Participação do Brazilian Beef em feira na Arábia Saudita reuniu dez empresas, gerou 220 reuniões e projetou US$ 287 milhões em negócios para os próximos 12 meses.
A carne bovina brasileira encerrou sua participação na Saudi Food Show 2026, realizada em Jeddah, na Arábia Saudita, com mais de US$ 8 milhões em negócios fechados e uma expectativa de alcançar outros US$ 287 milhões em negócios nos próximos 12 meses. A participação foi organizada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do projeto Brazilian Beef.
Realizada entre os dias 27 e 29 de setembro, a primeira participação do projeto na feira reuniu dez empresas brasileiras, que realizaram 220 reuniões com potenciais compradores, importadores, distribuidores e representantes de diferentes mercados. O resultado reforça a estratégia de ampliar a presença da proteína brasileira no Oriente Médio e diversificar os destinos das exportações.
Participaram da iniciativa Better Beef, Estrela Alimentos, Frigol, Frigosul, JBS, Masterboi, MBRF, Minerva Foods, Naturafrig e Prima Foods. A feira foi realizada no Jeddah Superdome e, em sua edição de 2026, reuniu mais de 1 mil expositores e 25 mil visitantes de mais de 95 países.
Arábia Saudita amplia compras de carne brasileira
O resultado comercial da feira acontece em um momento de crescimento das exportações brasileiras para o mercado saudita. Entre janeiro e agosto de 2026, a Arábia Saudita importou cerca de 50 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 297,9 milhões, segundo dados divulgados pela Abiec. O volume representou alta de 24,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Somente em agosto, os embarques para o país chegaram a 8,6 mil toneladas, equivalentes a US$ 50,7 milhões, colocando a Arábia Saudita entre os dez principais destinos da carne bovina brasileira naquele mês.
Os números ajudam a explicar a importância estratégica da feira para os frigoríficos brasileiros. A ampliação dos negócios com compradores sauditas acontece em um momento em que o mercado do Oriente Médio ganha relevância para a diversificação das exportações, reduzindo a dependência de poucos grandes destinos e abrindo espaço para novos canais de comercialização.
Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que as exportações brasileiras de produtos do agronegócio para países árabes somaram US$ 9,897 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 6,81% em relação ao mesmo período de 2025. Dentro desse resultado, a carne bovina respondeu por US$ 1,177 bilhão, crescimento de 20,23%.
Oriente Médio ganha espaço na estratégia do Brazilian Beef
Segundo a Abiec, a presença em Jeddah faz parte de uma estratégia de longo prazo para aproximar a indústria brasileira de novos compradores e fortalecer a posição da carne nacional no Oriente Médio. O presidente da associação, Roberto Perosa, destacou a importância da região tanto pelo avanço da demanda quanto pelo potencial de conexão com outros mercados.
A participação na Saudi Food Show também dá continuidade à agenda internacional desenvolvida pelo projeto Brazilian Beef ao longo de 2026. Antes da estreia na feira saudita, a iniciativa já havia realizado ações de promoção comercial em mercados como Emirados Árabes Unidos, Singapura, China, México, Rússia, Malásia, Estados Unidos e Filipinas.
A estratégia busca não apenas fechar vendas imediatas, mas estabelecer relações comerciais capazes de gerar contratos e embarques ao longo dos meses seguintes. Por isso, a projeção de US$ 287 milhões é considerada um dos principais resultados da participação brasileira no evento.
Carne bovina brasileira mantém avanço no mercado internacional
O desempenho obtido na Arábia Saudita ocorre em um cenário de forte expansão das exportações brasileiras de carne bovina. A própria Abiec aponta que o setor alcançou resultados históricos em 2025, quando o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas e faturou aproximadamente US$ 18 bilhões, consolidando a posição brasileira como líder mundial nas exportações da proteína.
Atualmente, a entidade reúne dezenas de empresas responsáveis pela maior parte da carne bovina brasileira destinada ao comércio internacional. O país exporta aproximadamente um quarto da carne bovina produzida internamente, atendendo centenas de mercados.
Para a indústria frigorífica, a ampliação da demanda internacional representa uma oportunidade de sustentar o ritmo dos embarques e aumentar a inserção da proteína brasileira em mercados de alto potencial de consumo. Para a cadeia pecuária, uma maior presença externa também pode contribuir para criar condições mais favoráveis de comercialização, embora os preços pagos ao produtor continuem dependendo de fatores como oferta de animais, custos de produção, câmbio e demanda doméstica.
Resultado reforça espaço do Brasil na região
Com mais de US$ 8 milhões em negócios fechados durante três dias de feira e outros US$ 287 milhões projetados para os 12 meses seguintes, a estreia do Brazilian Beef na Saudi Food Show encerra uma agenda comercial considerada estratégica para a pecuária brasileira.
O avanço das compras sauditas ao longo de 2026 e o crescimento das exportações para o conjunto dos países árabes indicam que o Oriente Médio vem ampliando sua importância para a carne bovina do Brasil. A expectativa agora é transformar os contatos realizados em novos contratos, embarques e relações comerciais duradouras.
A participação brasileira em eventos internacionais como a Saudi Food Show mostra que a estratégia de promoção comercial vai além da busca por compradores pontuais. O objetivo é consolidar a carne bovina brasileira como uma das principais proteínas fornecidas ao mercado global, ampliando destinos e fortalecendo a presença do país em regiões com potencial de crescimento.
VEJA TAMBÉM:
- Milho/Imea: consumo em MT deve superar exportações em 2026/27, a 27,09 mi de t
- Menor oferta de trigo de qualidade sustenta preços
- Preços dos etanóis encerram setembro em alta
ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.