Carne bovina: China volta às negociações e mercado espera reação nas compras

Compradores chineses começam a retomar as conversas com frigoríficos brasileiros, mas volumes mais expressivos devem aparecer entre outubro e novembro, aponta analista

O mercado brasileiro de carne bovina começa a receber novos sinais de aproximação da China. Depois de semanas de compras mais contidas, importadores chineses voltaram a negociar com fornecedores brasileiros, embora a recuperação dos embarques ainda deva ocorrer de forma gradual.

Segundo avaliação apresentada no programa do Portal DBO pelo analista Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria, as negociações ganharam espaço em setembro, mas a retomada de volumes mais fortes é esperada principalmente a partir de outubro. Mesmo com a demanda chinesa abaixo do ritmo habitual, a oferta restrita de animais terminados tem ajudado a sustentar os preços do boi gordo no mercado interno.

China deve ganhar força entre outubro e novembro

A expectativa também é compartilhada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que frigoríficos e compradores chineses já precisam considerar o intervalo entre produção, embarque e chegada da carne ao país asiático. Por isso, as negociações realizadas entre outubro e novembro devem estar ligadas ao abastecimento do início de 2027.

Esse movimento ganha importância diante das mudanças previstas para o comércio com a China, especialmente com a entrada em vigor de um novo período relacionado à cota de importação.

Oferta curta segue sustentando o boi gordo

Enquanto a China ainda não recupera totalmente o ritmo de compras, o mercado físico brasileiro encontra suporte na oferta mais enxuta de bovinos terminados.

A menor disponibilidade de animais, combinada ao ajuste da produção dos frigoríficos, reduz a pressão sobre a arroba e mantém o mercado firme no fim de setembro. A expectativa de melhora da demanda externa adiciona um fator positivo para as próximas semanas.

Outros mercados também entram no radar

Além da China, a indústria brasileira acompanha as negociações para retomada das exportações à União Europeia e busca ampliar o acesso ao mercado dos Estados Unidos.

Segundo a Abiec, o Brasil exporta carne bovina para mais de 167 países, e a diversificação dos destinos é considerada estratégica para reduzir a dependência de poucos compradores e melhorar a formação de preços no mercado interno.

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