Carne: Brasil leva vantagem hoje sobre os concorrentes

Carne: Brasil leva vantagem hoje sobre os concorrentes

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Foto e Montagem: Thiago Pereira

Entenda por que o Brasil leva vantagem hoje sobre os concorrentes no setor de carne bovina; Banco holandês alerta para a possibilidade de paralisações na indústria brasileira de carne!

Relatório do banco holandês divulgado nesta quarta-feira, 27 de maio, aponta os problemas vivenciados hoje por alguns concorrentes do Brasil no mercado mundial de fornecimento de carne bovina, ocasionados principalmente pelo avanço da Covid-19.

No mesmo relatório, o banco alerta para a possibilidade de uma onda mais forte de paralisações de fábricas brasileiras de carne bovina, por causa de eventual proliferação da doença entre os funcionários que trabalham no chão das fábricas  – assim como ocorreu recentemente nos abatedouros dos Estados Unidos, inclusive em plantas norte-americanas controladas pela brasileira JBS.

Segue abaixo relatos sobre o setor de carne bovina em três países exportadores concorrentes do Brasil, de acordo com o Rabobank:

Índia

As interrupções na cadeia de suprimentos (questões logísticas e trabalhistas) durante o bloqueio nas cidades imposto pela pandemia da Covid-19 estão impactando as operações dos frigoríficos de carne bovina na Índia, relata o banco.

O fornecimento de carne de búfalos (o tipo de produto exportado pelo país, já que a vaca é animal sagrado por lá) aos matadouros foi significativamente impactado, pois os mercados de animais não estão operando ou estão´operando de maneira limitada.

Além disso, diz o Rabobank, existem atrasos nos portos indianos para a movimentação do produto, pois as operações nos portos estão sob pressão. “Nós esperamos que as exportações de carne indiana no período de março a maio sejam significativamente menores”, prevê.

Austrália

Em 12 de maio, a China suspendeu as licenças de exportação de quatro grandes fábricas de carne bovina na Austrália, relembra o banco. Essas quatro plantas representam uma grande proporção do abate de bovinos de corte da Austrália e acredita-se que contribua com um volume substancial das exportações direcionadas à China, o maior importador mundial da commodity. Algo similar ocorreu em 2017 na Austrália e, naquela ocasião, levou três meses para que o assunto fosse resolvido, observa o Rabobank.

O fechamento das unidades exportadoras australianas ocorreu após a troca de acusações entre os governos australianos e chinês acerca da crise da Covid-19, em que a Austrália solicitou investigações profundas sobre a origem do surto em Wuhan e da atuação do governo central da China.

 A China é o maior mercado de exportação de carne bovina da Austrália, representando cerca de 300.000 toneladas em 2019, ou 29% do total embarcado pelo país no ano passado. Em março passado, os embarques australianos de carne bovina para a China subiram 41% na comparação mensal, tornando o país o quarto principal fornecedor chinês, com 11% de participação.

Estados Unidos

Nos últimos meses, os surtos de Covid-19 obrigaram o fechamento temporário de várias grandes plantas de carne bovina dos EUA. Ao mesmo tempo, as unidades que continuaram operando foram obrigadas a reduzir drasticamente a capacidade de produção, devido ao grande número de funcionários contaminados pela doença. Após a desaceleração ou fechamento das unidades de carne bovina no final de abril, o abate de bovinos nos EUA caiu quase 50% em relação aos níveis de igual período de 2019, relata o banco holandês.

“Tais choques maciços e simultâneos na cadeia norte-americana de suprimentos nunca foram vistos antes”, destaca. O desequilíbrio
criado entre o número de bovinos prontos para abate em relação à capacidade de operações das plantas frigoríficas exerceu imensa pressão negativa sobre os preços do gado vivo norte-americano, afetando drasticamente o bolso dos pecuaristas norte-americanos.

Com o recente decreto executivo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que nenhuma indústria norte-americana de carne não fosse fechada durante a crise da Covid-19, há esperança de que o pior já passou, pondera o banco.  A semana que terminou em 9 de maio registrou o primeiro aumento nos abates desde o início do colapso nas fábricas ocasionado pelo coronavírus.

No entanto, observa o banco, houve um acúmulo de gado pronto para abate nas seis semanas anteriores (estimado em 900.000 cabeças). “Mesmo que as fábricas retornem em junho à capacidade de processamento relativamente normal, provavelmente chegará em 2021 sem que consiga recuperar completamente esse atraso nos abates”, prevê o Rabobank.

Fonte: Canal RUral

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