Além da nova fábrica de tortilhas, cooperativa construirá uma moderna unidade de nutrição para bovinos e uma central própria de energia; projeto amplia agregação de valor ao milho e ao leite produzidos pelos cooperados.
A Castrolanda acaba de anunciar um dos maiores investimentos industriais dos últimos anos dentro do cooperativismo agropecuário brasileiro. A cooperativa aplicará R$ 191,6 milhões na implantação de um novo complexo industrial em Castro (PR), reforçando uma estratégia que vai muito além da expansão da capacidade produtiva: agregar valor às matérias-primas produzidas pelos cooperados, diversificar receitas e aumentar a competitividade diante de um mercado cada vez mais exigente.
O pacote de investimentos contempla três projetos complementares: uma indústria para fabricação de tortilhas à base de milho, uma moderna Unidade de Dietas Bovinas (UDB) e uma central de energia que abastecerá todo o novo parque industrial.
A decisão foi anunciada durante a abertura do Agroleite, um dos principais eventos da cadeia leiteira brasileira, e reforça a tendência observada entre grandes cooperativas do Sul do país: investir em industrialização para capturar maior valor dentro da própria cadeia produtiva.
O investimento vai além da construção de fábricas
Embora o valor de R$ 191,6 milhões chame atenção, o principal movimento está na mudança estratégica da Castrolanda.
Historicamente reconhecida pela força na produção leiteira e agrícola, a cooperativa amplia agora sua atuação para segmentos industriais de maior valor agregado.
A nova fábrica de tortilhas receberá investimento de R$ 102,1 milhões e produzirá snacks à base de milho, priorizando o mercado B2B (empresa para empresa), utilizando equipamentos altamente automatizados e tecnologias voltadas à eficiência operacional.
Já a Unidade de Dietas Bovinas receberá R$ 49,5 milhões e produzirá alimentos balanceados prontos para uso nas propriedades leiteiras, reduzindo erros de manejo nutricional e aumentando a eficiência das fazendas. O início das operações está previsto para 2027.
Complementando o complexo, será construída uma central de energia de aproximadamente R$ 40 milhões, garantindo infraestrutura para futuras expansões industriais.
Industrialização passa a ser prioridade dentro das cooperativas
O anúncio acompanha um movimento que vem ganhando força no agronegócio brasileiro.
Cooperativas deixaram de atuar apenas como receptoras da produção dos associados e passaram a investir fortemente na transformação industrial dos produtos agrícolas.
Esse modelo permite capturar margens maiores, reduzir dependência das commodities e aumentar a renda distribuída aos cooperados.
No caso da Castrolanda, a estratégia combina leite, milho, tecnologia e indústria em um único projeto, fortalecendo toda a cadeia regional.
Novo complexo foi planejado para crescer
O empreendimento será instalado em uma área próxima à unidade da Cargill, em Castro, com acesso facilitado pela PR-090.
Mais do que atender às necessidades atuais, o terreno foi adquirido para receber novas unidades produtivas futuramente, transformando-se em um verdadeiro polo industrial da cooperativa.
Segundo o diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, a fábrica de tortilhas atenderá inicialmente um parceiro comercial da cooperativa, enquanto a Unidade de Dietas Bovinas nasce para oferecer uma solução inovadora aos produtores de leite da região.
“É um modelo inovador que vai facilitar muito a vida do produtor rural, reduzindo as margens de erro no manejo da alimentação dentro da propriedade e diminuindo o custo da nutrição dos animais”, afirmou o executivo.
Impacto econômico vai além dos empregos
A expectativa é que os novos empreendimentos gerem aproximadamente 80 empregos diretos.
Mas o impacto econômico será muito maior.
A projeção da cooperativa aponta incremento de aproximadamente R$ 85 milhões no faturamento já em 2027, podendo atingir cerca de R$ 310 milhões em 2030, consolidando o novo complexo como um dos principais motores de crescimento da organização.
Paraná amplia aposta na agroindústria
O investimento conta com apoio do programa estadual Paraná Competitivo, voltado à atração de investimentos industriais.
Segundo dados apresentados pelo governo estadual durante o anúncio, cada R$ 1 investido por meio do programa pode gerar aproximadamente R$ 3,79 em Produto Interno Bruto (PIB) para a economia paranaense, evidenciando o efeito multiplicador da industrialização sobre toda a cadeia do agronegócio.
O que esse anúncio representa para o agro
Mais do que inaugurar novas plantas industriais, a Castrolanda sinaliza uma transformação importante no cooperativismo brasileiro.
O foco deixa de ser apenas produzir mais e passa a ser industrializar mais, capturar valor dentro da própria cadeia e entregar produtos com maior rentabilidade ao mercado.
Em um cenário de margens cada vez mais apertadas para diversas commodities, investimentos desse porte mostram como inovação, diversificação e agregação de valor tendem a definir a próxima etapa de crescimento das grandes cooperativas do país.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.