Catarinenses batem recorde histórico na agropecuária

Catarinenses batem recorde histórico na agropecuária

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Cultiva produtos orgânicos em sua propriedade no interior de Santo Amaro da Imperatriz
Foto: Ricardo Wolffenbüttel

Santa Catarina alcança o maior valor de produção agropecuária da história; “Os números refletem essa grandiosidade e mostram que o setor se mantém forte e ativo”

Em 2020 o Valor de Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina ficou em R$40,9 bilhões, o maior da história, superando o recorde anterior, alcançado em 2017. No ano passado, a agropecuária catarinense também bateu recorde de participação no valor de exportações do Estado: 70,2%.

Estes e outros números fazem parte da 41ª edição da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicação anual da Epagri/Cepa lançada em evento virtual realizado nesta quarta-feira, 14. No evento também foi lançado o livro Indicadores de Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de Santa Catarina 2019/2020. As duas publicações trazem os resultados do mais recente ciclo agrícola do Estado.

“O agronegócio é um dos motores mais importantes da nossa economia. Os números refletem essa grandiosidade e mostram que o setor se mantém forte e ativo, no mercado interno e também internacional, graças ao empreendedorismo, à força dos trabalhadores do campo e à qualidade dos nossos produtos”, afirma a governadora Daniela Reinehr.

A presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, lembra que os resultados positivos se deram apesar das adversidades que o agronegócio catarinense enfrentou na safra 2019/20. O clima não ajudou, e estiagem, granizo e até tornados afetaram cultivos pelo Estado. A pandemia foi outro empecilho que agricultores e profissionais da Epagri precisaram contornar para seguir garantindo segurança alimentar para a população brasileira.

O Secretário do Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva, destaca que Santa Catarina tem um conjunto de líderes com vocação natural para o agro, fazendo do Estado um sucesso no setor, demonstrado nos números das publicações da Epagri/Cepa. “Temos trabalhado fortemente com municípios e Epagri para impulsionar os fatores de produção do Estado, como estradas rurais de qualidade, melhorias no fornecimento de energia elétrica e de água e acesso à internet”.

Valor de Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina

O VPA de R$40,9 bilhões alcançado pelo Estado em 2020 é 21,1% superior ao de 2019, quando ficou em R$33,8 bilhões. Entre 2018 e o ano seguinte, o índice já havia registrado variação positiva de 8,7%. O aumento nos preços recebidos pelos produtores foi a principal razão do crescimento do VPA estadual nos dois períodos, com destaque para suínos, bovinos, leite e grãos.

Para alcançar o VPA histórico em 2020, Santa Catarina contou principalmente com a produção de suínos, que participou com 23% do total, de frangos (17,5%) e de leite (11,9%). A Síntese aponta que nos últimos anos houve grandes variações na composição do VPA catarinense, com ampliação da participação de suínos, bovinos, soja e leite e perda de participação dos frangos e do tabaco.

Exportações de Santa Catarina

Em 2020 o agronegócio catarinense exportou US$5,7 bilhões, valor 6,7% menor do que em 2019 (US$6,1 bilhões). Apesar da redução no valor total das suas exportações, o setor agropecuário seguiu a trajetória de aumentar sua participação nas exportações de Santa Catarina, chegando a 2020 como responsável por mais de 70% do valor total exportado pelo Estado.

De 2019 para 2020 houve grande redução do valor das exportações de carnes de frango e derivados (-32,2%), de tabaco e derivados (-22,6%), de outras carnes e derivados (-19,5%) e de couros e peles (-18,4%). A expressiva expansão no valor exportado de carne suína (+35,3%), de madeira e suas obras (+15,4%) e de outros produtos de origem animal (+35,9%) não foi suficiente para evitar a queda das exportações no ano.

Mesmo com a expressiva queda de 2019 para 2020, a carne de frango segue destacadamente como principal produto das exportações do agronegócio de Santa Catarina, representando 26,3% do valor exportado pelo setor (já foi mais de 40%).

Confira abaixo o desempenho das principiais cadeias produtivas do Estado na safra 2019/20 e algumas estimativas para o período agrícola 2020/21.

Alho

Santa Catarina é o terceiro maior produtor de alho do país, respondendo por 11,78% da produção nacional. Na safra 2019/20, a produção catarinense foi de 16,4 mil toneladas, redução de 7,34% em relação ao ciclo anterior. A safra 2019/20 foi afetada pela ocorrência de estiagem, mas mesmo assim o volume produzido ficou dentro da média dos últimos anos, que tem oscilado entre 15 e 20 mil toneladas.

A produção catarinense no ciclo mais recente foi de boa qualidade comercial, apesar dos bulbos de menor calibre. Assim, os produtores de alho do Estado obtiveram bons resultados econômicos na safra 2019/20. A safra 20/21 está sendo colhida agora, com estimativa de produção de pouco mais de 15,5 mil toneladas. Estiagem e granizo provocaram perdas.

A produção brasileira de alho permanece estacionada em torno de 120 mil toneladas por safra, desde 2015. O consumo interno anual de alho (produção nacional mais importação) se mantém acima de 280 mil toneladas. Esse quadro mostra, por um lado, o potencial do mercado interno e, por outro, a necessidade de superação de gargalos que afetam a cadeia produtiva da cultura no país, entre os quais destaca-se a redução de custo de produção.

Arroz irrigado ganha espaço no sistema rotacionado
Foto: Divulgação

Arroz

A produção catarinense de arroz é a segunda maior do país, chegando na safra 2019/20 a 1.254.139t, o que representa 11% do total nacional. A produtividade média foi de 8,4 toneladas por hectare, o que representa um incremento de aproximadamente 9% em relação ao período agrícola anterior.

O arroz irrigado é produzido em 93 municípios catarinense, concentrados no Litoral Sul (61,9%), Médio/Baixo Vale do Itajaí e Litoral Norte (25,2%), Alto Vale do Itajaí (9,04%) e Litoral Centro (3,9%). O grão ocupou o oitavo lugar no VPA do Estado em 2020, com cerca de R$1,25 bilhão.

A alta do dólar fez da exportação uma boa alternativa para os rizicultores catarinenses em 2020. De janeiro a outubro do ano passado Santa Catarina exportou 47,9 mil toneladas, contra 6,1 mil toneladas exportadas em 2019. O mês de maior movimentação foi agosto. Este cereal é o alimento-base de mais de 3 bilhões de pessoas no mundo.

cebola de santa catarina
Foto: Divulgação

Cebola

Santa Catarina é o maior produtor nacional de cebola, cultivada basicamente por agricultores familiares, em pequenas áreas. Segundo o Censo Agro 2017/IBGE, são 8.289 estabelecimentos agropecuários no Estado dedicados à atividade. Na safra 2019, segundo dados da Epagri/Cepa, a produção bruta colhida foi de 528.440 mil toneladas. A disponibilidade líquida para o mercado foi de aproximadamente 430 mil toneladas.

A colheita da safra 2020/21 está ocorrendo normalmente, mas perdas causadas pela estiagem e outros eventos climáticos devem derrubar a produção em 25% em relação à safra anterior, finalizando em volume inferior a 400 mil toneladas.

A cebola é produzida em todos os continentes e está presente em quase todos os países. A produção mundial se mantém acima de 94 milhões de toneladas/ano desde 2014

mulher segurando folha de feijao em lavoura
Foto: Nayara Sousa

Feijão

A cultura do feijão foi menos produtiva na safra catarinense 2019/20, com 101.295t. Problemas climáticos, como estiagem próxima da época de colheita da primeira safra e durante toda segunda safra, reduziram o potencial produtivo das lavouras, acarretando num volume cerca de 2% menor do que na safra anterior.

Para a safra 2020/21, que está a campo, a expectativa é de aumento da produção em Santa Catarina, com estimativa de alcançar 105.117t. O bom momento por que passa o agronegócio brasileiro, com preços bastante favoráveis ao setor produtivo, motivou os agricultores a investir na atividade. O resultado foi a ampliação das áreas plantadas.

As últimas nove safras catarinenses de feijão enfrentaram declínio sistemático da área plantada, com redução de aproximadamente 33%. Na safra catarinense 2019/20, mais uma vez observou-se queda, desta vez de 3%. A grande oscilação de preços nos últimos anos causa insegurança ao produtor na tomada de decisão em relação ao que plantar e quanto plantar. Além disso, a cultura é bastante suscetível às intempéries.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é o maior consumidor per capita mundial de feijão, com 16 kg/ habitante/ano em 2013. Em 2018 o Brasil ocupava a segunda posição mundial em área plantada de feijão, sendo responsável por 8,8% do total.

Milho

Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 2.866.905t de milho. Para a safra 2020/21 a estimativa de produção, que era de 2,3 milhões de toneladas em dezembro, deve se reduzir em função da estiagem e da incidência da cigarrinha-do-milho no início de 2021.

Nesse cenário, a relação entre oferta e demanda, que já não é favorável, se agrava. A menor produção do grão se soma ao crescimento da demanda provocada pela expectativa de aumento nas exportações de carnes. A Epagri/Cepa estima que Santa Catarina precisará adquirir mais de 5 milhões de toneladas de milho em 2021.

Em 2020, a demanda total de milho grão em SC chegou a 7,37 milhões de toneladas, um incremento de 2% em relação ao ano anterior. Com a oferta de 2,58 milhões de toneladas, houve um déficit de 4,36 milhões de toneladas, atendido pelas importações interestaduais, principalmente de Mato Grosso do Sul e Paraná, bem como pela importação de países como Paraguai e Argentina.

A falta de produção para atender toda a demanda tem como reflexo o aumento do custo do produto, principalmente em função do transporte. Mercado futuro, câmbio, relações comerciais entre países e fundos de investimentos estão entre os outros fatores que vêm influenciando a formação dos preços do grão, que se mantiveram altos em 2020. As cotações de 2021, tanto internas como no mercado internacional, demonstram a manutenção de preços fortalecidos.

Superprodução de soja garante proteção da floresta 1
ILPF Biomas Fazenda Cristalina / Foto: Vinicius Soares Braga

Soja

A Epagri/Cepa estima que as lavouras catarinenses produziram 2,24 milhões de toneladas de soja em 2020. Para a safra 2020/2021 a expectativa é de produzir 2.308.070t. O crescimento é impulsionado pelo aumento da área plantada.

Entre as safras de 2012/13 e 2019/20, foram incorporados cerca de 167 mil hectares para a produção da oleaginosa e a elevação da produção chegou próximo de um milhão de toneladas no período, avançando sobre áreas de milho, feijão e pastagens. Na safra 2020/21 o cultivo da soja deve ocupar uma área próxima a 700 mil hectares no Estado.

O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se consolidou como o maior exportador de soja nos últimos anos. Na safra 2018/19 embarcou 74,9 milhões de toneladas, enquanto as exportações americanas registraram 47,5 milhões. A China, maior comprador mundial, intensificou as compras do produto brasileiro já no início de 2020. As exportações brasileiras de soja tiveram uma evolução superior a 250% de 2012 a 2020.

tabaco - fumo de corda
Foto: Divulgação

Tabaco

No território catarinense, segundo a Epagri/Cepa, a estimativa para a área plantada de tabaco na safra 2020/21 praticamente se manteve em relação à safra anterior, com apenas 0,4% de aumento. Em sentido oposto, estima-se uma redução de 5,6% na safra em relação à anterior. A explicação para essa estimativa de queda na produção se relaciona à redução observada no rendimento da atual safra (-6,1%), em decorrência de eventos climáticos, como estiagem e granizo.

Entre 2013 e 2020 Santa Catarina observou uma taxa de crescimento negativa da área plantada (-3,7% ao ano) e da produção (-2,4% ao ano). A menor taxa de queda da produção, quando comparada ao declínio da área plantada, decorre do aumento do rendimento do tabaco, ocorrido no mesmo período.

O Brasil mantém a posição de liderança mundial de exportação de tabaco por 27 anos seguidos, sendo responsável por 22% do total mundial em 2019. Em segundo lugar, com aproximadamente 9%, está a Bélgica. A maior parte da produção brasileira tem como destino o mercado internacional, entre outros motivos em decorrência de sua qualidade

Tomate

Segundo estimativas da Epagri/Cepa, Santa Catarina deve produzir 149,4 mil toneladas de tomate na safra 2020/21, contra 139,9 mil toneladas produzidas em 2019/20.

Santa Catarina é o sétimo maior produtor de tomate no Brasil. Contribuiu, segundo dados da PAM/IBGE de 2019, com 4,5% da área total plantada e 4% da produção total nacional. Os municípios de Caçador e Lebon Régis são os maiores produtores do Estado, com o plantio de 450ha e 400ha, respectivamente, na safra de 2019/20.

A China lidera o ranking das produções mundiais de tomate, considerando a soma do produto de mesa e processado, alcançando uma participação de 31% do total mundial, conforme a FAO. O Brasil se posiciona em décimo lugar no ranking das produções mundiais. O tomate possui um dos maiores custos de produção do segmento olerícola.

Trigo

É o terceiro grão mais produzido do mundo, atrás do milho e do arroz. Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 154.774t e para este período agrícola espera-se 188.490t. No ciclo agrícola 2019/20, foi cultivada no Estado uma área de aproximadamente 50,8 mil hectares, o que representa uma redução de 5,8% em relação à safra anterior. Mesmo com redução da área, a produção estadual cresceu 13,8%, resultado do incremento de 20,8% na produtividade média das lavouras. Para a safra 2020/21, é esperado um plantio de 64,5 mil hectares, o que representaria um crescimento de 26,9% em relação a 2019/20.

Uma característica importante dos produtores catarinenses é que o trigo é plantado em sucessão às culturas de verão, como milho e soja. Assim, propicia a rotação de culturas e formação de palhada para plantio das culturas de verão, condição de uso das áreas produtivas que permite um maior aproveitamento econômico dos fatores de produção, como o solo, agrícola da propriedade, da mão de obra e do maquinário. Praticamente todo o trigo produzido em Santa Catarina é transformado em farinha. Boa parte é consumida dentro do próprio Estado, direcionada para o setor de confeitaria e panificação ou para o uso doméstico. Em 2020, o trigo bateu recordes no preço pago aos produtores

Uva e vinho

Santa Catarina é o quarto maior produtor de uva do Brasil, com 55,1 mil t em 2019. Os dados catarinenses de 2020 estão desatualizados, devido ao sistema de declaração realizado pelas empresas, que é novo e se encontra em fase de adaptação. A safra em Santa Catarina apresentou elevada qualidade, como no Rio Grande do Sul, com uvas sadias, pouca podridão e elevadas concentrações de sólidos solúveis.

A produção de vinhos de mesa e sucos predomina no Estado catarinense. Porém, houve incremento na produção de vinhos finos nas regiões de altitude, o que está relacionado à tendência de aumento de consumo no Brasil. É relevante, também, o aumento na produção de vinhos espumantes, o que acompanha a evolução de consumo em todo o país. Verifica-se, ainda, importante aumento na produção de suco de uva e sua relação inversa com a produção de vinhos de mesa.

O maior processador de uvas de Santa Catarina é o município de Pinheiro Preto, com mais de 12 milhões de litros e uma participação de 58,7%. Videira está em segundo lugar, com 14,5%.

A safra brasileira 2020 foi, em volume, menor que a safra 2019, com uma queda de 18,2 % na produção geral de uvas. Contudo, a qualidade foi muito superior. O Rio Grande do Sul se destaca, representando cerca de 65% da área plantada e 47% da produção do país, em 2019

Carne bovina

Segundo dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em 31 de dezembro de 2020 o rebanho bovino catarinense era constituído por 4,51 milhões de cabeças, 3,91% abaixo da quantidade registrada no ano anterior. Dentre outros fatores, essa queda tem relação com a significativa alta nos preços do boi gordo observada em 2020, principalmente ao longo do 2º semestre, o que estimulou o aumento no abate. No ano passado Santa Catarina abateu 827.794 cabeças de gado, contra 750.666 em 2019.

A mesorregião Oeste Catarinense (microrregiões de Chapecó, Joaçaba, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Concórdia) foi responsável por 52,31% dos bovinos produzidos no ano de 2020, levando-se em consideração o abate inspecionado, o autoconsumo e o comércio interestadual. Quando são contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, o Oeste Catarinense responde por 50,22%.

O preço de dezembro de 2020 pago aos pecuaristas catarinenses foi 27,17% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Na comparação com fevereiro de 2019, a diferença é de 66,72%.

Embora a demanda interna seja superior à produção estadual, Santa Catarina exporta carne bovina. Em 2020, o estado ocupou a 15ª posição no ranking nacional, tendo exportado 3,06 mil toneladas, com US$9,51 milhões em receitas, quedas de 19,46% e 14,05% em relação ao ano anterior, respectivamente. O principal destino da carne bovina catarinense é Hong Kong, que respondeu 50,01% das receitas com esse produto em 2020.

Carne de frango

Em 2020, foram produzidos no Estado e destinadas ao abate 848,31 milhões de frangos, segundo a Cidasc, alta de 0,7% em relação ao ano anterior. Esse montante inclui tanto as aves cuja finalidade principal é o abate, quanto aquelas com outras finalidades, mas que, em algum momento, são abatidas. São contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, seja em Santa Catarina ou em outras unidades da federação. A mesorregião Oeste Catarinense foi responsável por 79,76% da produção catarinense em 2020, pequeno recuo em relação ao ano anterior, quando respondeu por 80,53%

Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango do país, tendo sido responsável por 25% das receitas brasileiras com esse produto em 2020. Por outro lado, ano passado a quantidade de carne de frango exportada pelo Estado caiu 24,05%, enquanto a variação das receitas foi de -32,17%.

O ranking nacional é liderado pelos três estados da Região Sul, sendo o Paraná o maior produtor nacional de frangos do país, com quase um terço do total. A segunda posição varia de acordo com o parâmetro utilizado. Quando se leva em consideração a produção de carne em equivalente-carcaça, Santa Catarina segue sendo o segundo principal produtor. Quando se considera o número de aves abatidas, o Rio Grande do Sul assume a posição.

Os dados preliminares do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam um crescimento de 1,52% na produção mundial de carne de frango em 2020. No ano passado a produção mundial de carne de frango superou a de carne suína. Essa é a primeira vez que isso ocorre desde o início da série histórica, na década de 1960.

Carne suína

De acordo com os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, em 2019 a produção catarinense atingiu 1,12 milhão de toneladas de carcaça, alta de 3,31% em relação ao registrado em 2018. Nos três primeiros trimestres de 2020, as variações foram ainda mais expressivas em relação ao mesmo período do ano anterior: aumento de 14,84% no número de animais abatidos e de 18,51% na produção de carcaça. Até a finalização desta publicação, o IBGE ainda não havia divulgado os dados do 4º trimestre.

Em 2020, 7.318 suinocultores catarinenses destinaram suínos para abate em estabelecimentos inspecionados, queda de 3% em relação ao ano anterior. Entre 2015 e 2020, o número de produtores caiu 15,57%, o que indica um processo de concentração em curso no setor, com produções cada vez maiores e um número decrescente de suinocultores. A mesorregião Oeste (microrregiões de Concórdia, Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste e Xanxerê) foi responsável por 79,40% dos animais produzidos em 2020.

Assim como observado no cenário nacional, as exportações catarinenses de carne suína também apresentaram crescimento significativo em 2020: foram embarcadas 523,39 mil toneladas, aumento de 25,63% em relação ao ano anterior, o que mantém Santa Catarina no topo do ranking de maiores exportadores da proteína do país. As receitas registraram incremento ainda mais expressivo: US$1,17 bilhão, alta de 35,30%. Tais resultados representam recordes históricos nas exportações de carne suína do estado, tanto em valor como em quantidade. Os bons resultados de 2020 devem-se, principalmente, ao crescimento dos embarques para a China. Em relação a 2019, as exportações para aquele país cresceram 70,32% em quantidade e 76,32% em valor.

O fator que afetou de forma mais expressiva a suinocultura mundial em 2020 foi a peste suína africana (PSA), doença que atingiu a Ásia em meados de 2018 e, desde então, afeta drasticamente a atividade na principal região produtora e consumidora da proteína. Como já havia sido observado em 2019, quando a produção mundial caiu 9,71%, em 2020 registrou-se nova queda, dessa vez de 4,02%, de acordo com os dados da USDA.

Para 2021, as projeções iniciais do USDA apontam um crescimento de 4,4% na produção mundial, impulsionado pela gradativa recuperação da economia após as fases mais críticas da pandemia de Covid-19, e por aumentos consideráveis na produção chinesa (9,2%), brasileira (3,6%), russa (5,9%) e vietnamita (4,9%), entre outros países.

Leite

Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM/IBGE), a produção catarinense de leite em 2019 foi 8,1% superior à levantada pelo Censo Agropecuário 2017. Os analistas da Epagri/Cepa avaliam que é certo que houve crescimento nesse período, mas, ao se comparar os dados municipais e regionais dessas duas fontes e considerando o histórico de alta subjetividade nos dados da PPM, é possível afirmar que, mesmo a produção total de 2019 podendo, de fato, não ter sido muito diferente dos 3,040 bilhões de litros apontados pela PPM, há problemas com a sua distribuição geográfica. A Epagri/Cepa entende que é muito improvável, por exemplo, que as produções das mesorregiões Oeste e Sul, as duas principais produtoras, tenham crescimentos a taxas menores que as mesorregiões Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis.

No que diz respeito aos preços recebidos pelos produtores, o ano de 2020 teve dois semestres bem distintos. No primeiro semestre, os preços estiveram em patamares bem inferiores aos do segundo semestre, o que fez com que o preço médio anual alcançasse o maior patamar da série histórica da Epagri/Cepa. A elevação dos valores é resultado da combinação da produção com desempenho apenas discreto e abaixo do esperado e, principalmente, pelo crescimento da demanda de lácteos por milhões de pessoas beneficiadas pelo auxílio emergencial, em face da pandemia da Covid-19.

Moluscos

A produção catarinense de moluscos na safra 2019 foi de 15.156t, valor 6,62% maior que no ano anterior. A produção do Estado segue crescendo desde 2018, que havia sido precedido por três anos seguidos de queda. O aumento em 2019 foi impulsionado pela produção de ostras, com crescimento de 29,5%, enquanto a produção de mexilhões teve incremento de 2,4% em 2019.

Um total de 485 produtores estiveram envolvidos no cultivo de moluscos em Santa Catarina em 2019. Seguindo a tendência de redução observada nos últimos anos (2016 a 2018), a quantidade de produtores em 2019 diminuiu 1,4% em relação a 2018. No entanto, esse valor é menor que as reduções observadas em 2017 e 2018, de 10, 8% e 8,4%, respectivamente.

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