Genética, desempenho nas pistas e potencial reprodutivo ajudam a explicar cifras que colocam os principais atletas da vaquejada em outro patamar de mercado; Eles são os cavalos mais valorizados da vaquejada em atividade
A vaquejada brasileira deixou há muito tempo de ser apenas uma competição regional. Em torno das pistas surgiu uma cadeia profissional que envolve criadores, treinadores, veterinários, centrais de reprodução, leiloeiras, transportadores, parques, patrocinadores e milhares de trabalhadores, além de um mercado de cavalos capaz de alcançar cifras comparáveis às de grandes ativos do agronegócio.
Um levantamento divulgado no segmento equestre e enviado ao Compre Rural chama atenção justamente para essa valorização. Entre cinco animais em atividade apresentados na relação, o valor estimado chega a R$ 25 milhões para um único cavalo. Somados, os cinco exemplares alcançam R$ 60 milhões em avaliações.
É importante diferenciar avaliação de venda efetivamente realizada. Os números apresentados representam valores atribuídos aos animais, e não necessariamente negociações concluídas por 100% de suas propriedades. Ainda assim, o tamanho das cifras ajuda a dimensionar o estágio alcançado pelo mercado de genética da vaquejada.
Os cinco cavalos mais valorizados da vaquejada em atividade
1º – Príncipe Forte Bar — R$ 25 milhões
O maior valor da relação pertence a Príncipe Forte Bar, avaliado em R$ 25 milhões. Além do peso econômico atribuído ao animal, ele continua aparecendo nas competições. No ranking profissional de cavalos da Confederação Nacional de Vaquejada em 2026, Príncipe Forte Bar figura entre os animais pontuados da temporada.

2º – Inquestionável Par Three — R$ 14 milhões
O segundo colocado aparece com avaliação de R$ 14 milhões. A cifra mostra como animais consolidados podem adquirir valor que vai muito além do prêmio conquistado dentro da pista, especialmente quando desempenho, pedigree e utilização reprodutiva se encontram.

3º – Nilo Apollo Fred — R$ 12 milhões
Avaliado em R$ 12 milhões, Nilo Apollo Fred é um dos nomes mais conhecidos da lista e segue em atividade competitiva. Em 2026, aparece tanto nos registros do Campeonato Portal Vaquejada quanto no ranking nacional.
A valorização do cavalo também encontra respaldo em seu histórico. Em 2024, o Portal Vaquejada noticiou a aquisição de 50% de Nilo Apollo Fred pelo condomínio XJGC e Haras RK, destacando o animal como bicampeão brasileiro do Portal Vaquejada em 2023.

4º – Don Don Master Gav — R$ 8 milhões
Na quarta posição aparece Don Don Master Gav, avaliado em R$ 8 milhões. O animal acumula presença constante em grandes provas. Em 2025, por exemplo, apareceu entre os vencedores da categoria profissional da Vaquejada do Parque Boi Nelore e também em etapas como o Diamante Park Show.
Seu valor esportivo também começa a se transformar em valor genético. Catálogos de leilões já apresentam descendentes de Don Don Master Gav destinados às futuras temporadas da vaquejada, mostrando como a carreira de um grande competidor pode se prolongar comercialmente por meio da reprodução.

5º – Jeck Route — R$ 1 milhão
Fechando a relação está Jeck Route, avaliado em R$ 1 milhão. Apesar da distância financeira para os primeiros colocados, trata-se de um valor expressivo para um cavalo atleta. O animal permanece competindo e aparece na classificação do Campeonato Portal Vaquejada 2026.

Por que um cavalo de vaquejada pode valer milhões?
A explicação não está apenas no desempenho dentro da faixa. Em animais desse nível, o comprador ou condomínio pode estar adquirindo simultaneamente um atleta, uma genética comprovada, uma futura fonte de material reprodutivo e uma marca comercial.
Resultados consistentes aumentam a procura por filhos, coberturas e embriões relacionados a determinada linhagem. Quando um cavalo se transforma em referência esportiva, seu patrimônio genético passa a ter valor próprio.
O mercado recente fornece exemplos do tamanho desse movimento. Em agosto de 2024, o primeiro Leilão Don Toro XJGC, realizado em Bezerros (PE), faturou mais de R$ 37 milhões com apenas 44 lotes. Na ocasião, 50% da égua Dinastia Apollo Roxo foram negociados por R$ 6 milhões, projetando avaliação de R$ 12 milhões para o animal inteiro.
Ou seja: valores milionários deixaram de ser exceções isoladas dentro do segmento.
Vaquejada movimenta uma cadeia que vai muito além da pista
Por trás desses cavalos existe uma atividade econômica significativamente maior.
A estimativa mais difundida pela Associação Brasileira de Vaquejada aponta movimentação superior a R$ 800 milhões por ano e cerca de 720 mil postos de trabalho diretos e indiretos relacionados ao setor. Os números incluem a ampla cadeia criada ao redor das competições e foram divulgados pela entidade em 2023.
São valores institucionais e devem ser tratados como estimativas do próprio setor, mas ajudam a demonstrar sua dimensão. A atividade movimenta alimentação animal, medicamentos veterinários, reprodução, treinamento, ferrageamento, transporte de cavalos, hotéis, restaurantes, comércio, produção de eventos e turismo.
Em Bezerros, Pernambuco, por exemplo, o tradicional Parque Rufina Borba informou movimentar mais de R$ 1,5 milhão por ano na economia local a partir de seus eventos.
Em outra demonstração da profissionalização do esporte, três competições oficiais da ABQM realizadas em 2024 reuniram 350 competidores de 12 estados, mais de 820 inscrições e R$ 600 mil em premiações, mobilizando ainda uma equipe superior a 150 profissionais.
Para 2026, a organização do Campeonato Portal Vaquejada estimou que somente seu circuito poderia injetar mais de R$ 10 milhões na economia nordestina, especialmente em turismo, comércio e serviços.
Uma novidade importante em 2026
O setor também ganhou neste ano uma definição relevante no campo jurídico.
Em decisão publicada em 2026, o Supremo Tribunal Federal manteve o reconhecimento constitucional das práticas esportivas com animais enquadradas como manifestações culturais, incluindo a vaquejada, mas reforçou que sua realização precisa estar associada a regras capazes de garantir o bem-estar dos animais e impedir práticas cruéis.
A legislação federal já reconhece vaquejada, rodeio e modalidades equestres tradicionais como manifestações culturais nacionais e bens de natureza imaterial do patrimônio cultural brasileiro, vinculando esse reconhecimento às normas de proteção animal.
A decisão é especialmente relevante em um momento no qual a atividade cresce economicamente e os cavalos envolvidos passam a alcançar avaliações de oito dígitos.
O cavalo virou o principal patrimônio do negócio
Os números ajudam a explicar a transformação. A premiação ainda importa, mas, nos grandes animais, ela representa apenas uma parte da equação.
Um cavalo que permanece competitivo por várias temporadas, produz resultados e depois transfere essas características para seus descendentes pode gerar receita por muitos anos. Por isso, genética comprovada, campanha esportiva, pedigree e capacidade reprodutiva tornaram-se ativos cada vez mais disputados.
E talvez seja justamente essa a informação mais impressionante da lista: os cinco cavalos apresentados acumulam avaliações de R$ 60 milhões, mas continuam ligados a uma modalidade cuja valorização genética ainda está avançando rapidamente.
Se há alguns anos falar em cavalos de vaquejada avaliados acima de R$ 10 milhões parecia algo excepcional, hoje três dos cinco nomes desta relação já ultrapassam essa marca.
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