China habilita mais 31 frigoríficos americanos, e agora?

China habilita mais 31 frigoríficos americanos, e agora?

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Esta é a segunda vez no mês em que o governo chinês habilita uma quantidade alta de empresas norte-americanas para exportação.

A Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) informou ontem que concedeu autorização para 31 frigoríficos de carne suínabovina e de aves dos Estados Unidos exportarem seus produtos para o gigante asiático. A habilitação entra em vigor nesta segunda-feira, 26 de abril.

Esta é a segunda vez no mês em que o governo chinês habilita uma quantidade alta de empresas norte-americanas para exportação. Em 8 de abril, a Gacc já havia informado permissão para outras 19 plantas de processamento de carnes.

As medidas configuram um aceno positivo ao atual governo do democrata Joe Biden, após a relação mais conflituosa com o ex-presidente Donald Trump.

Desde meados do ano passado, com o agravamento da pandemia, a China mudou o seu esquema de importação de carnes e iniciou uma série de suspensões temporárias de compras de vários países. A necessidade de aumentar o controle sanitário em decorrência da Covid-19 tem sido o motivo alegado extraoficialmente pelo governo chinês.

Bolsonaro pede a Putin que mais frigoríficos brasileiros

O presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que mais frigoríficos brasileiros sejam liberados para exportar carnes para lá. Apesar de habilitadas, muitas plantas estão com restrições temporárias para vender aos russos. Esse foi um dos temas da conversa entre os dois chefes de Estado por telefone hoje, que tratou também da fabricação da vacina Sputnik contra a covid-19. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não acompanhou o diálogo.

“O presidente Bolsonaro enfatizou a necessidade de que mais frigoríficos brasileiros sejam liberados para exportação àquele país”, segundo nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social.

Em nota ao Valor, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que mantém boas expectativas com os avanços das tratativas entre os presidentes de Brasil e Rússia.

“Recentemente, autoridades russas sinalizaram a possibilidade de reduzir as tarifas para importações de carne de frango provenientes do Brasil. Neste sentido, há expectativa tanto por novas habilitações como também pela expansão dos volumes de carne de frango e de carne suína importados pelo principal mercado do Leste Europeu, reforçando a parceria comercial histórica entre as duas nações”.

O Brasil vendeu 143,8 mil toneladas de carnes para a Rússia em 2020, negócios que renderam US$ 311,4 milhões. O principal produto comercializado é a carne de frango, com 83,6 mil toneladas, volume 30% maior que o vendido em 2019. Na sequência aparece a carne bovina, com 58,8 mil toneladas, mas que representaram maior valor: US$ 199,7 milhões contra US$ 108,7 milhões da venda de aves, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Apesar de ter cinco plantas habilitadas para a Rússia, o Brasil quase não vendeu carne suína em 2020. Foram apenas 100 toneladas, muito abaixo, por exemplo, das 918 toneladas de carne de cavalo vendidas no mesmo período. O baixo fluxo do produto deve-se aos investimentos da Rússia para produção de suínos internamente.

São 30 unidades com permissão para exportar frangos e 11 para a venda de carne bovina. Muitos outros frigoríficos aparecem na lista de plantas habilitadas, mas com restrições, principalmente a partir de 2017.

Para a exportação de carne de frango, por exemplo, são listadas 54 unidades no site do governo russo. Dessas, 23 têm restrições e uma teve a certificação suspensa. No caso da carne bovina, são 58 frigoríficos licenciados para exportar para a Rússia, mas 47 têm restrições temporárias. De carne suína, além dos cinco habilitados, outras 27 plantas estão com restrições.

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