China quer baixar o preço da carne, diz Bolsonaro

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Até posso interferir, criar impostos, cotas como a Argentina está fazendo. Mas isso leva a desabastecimento e inflação. Somos do livre mercado.”, disse Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (10/11) que o embargo da China à carne bovina brasileira não se deve a problemas de relacionamento dele com o país asiático ou com o presidente Xi Jinping. O Brasil suspendeu voluntariamente suas vendas de carne à China após a identificação de dois casos atípicos do mal da “vaca louca”, mas cabe aos chineses decidirem quando encerrar o embargo, que já dura mais de dois meses. 

Embargo chinês à carne de gado ‘não é problema de relacionamento’, diz Bolsonaro. Com a China no momento não é relacionamento do presidente Jair Bolsonaro com Xi Jinping, não existe isso. No comércio internacional, o chefe de Estado, quando cai na esfera dele, ele conduz para vender mais caro e comprar mais barato. Não é porque eu não gosto de tal presidente que eu vou deixar de fazer negócios com tal país. Se for mais barato, eu vou comprar dele”, disse em entrevista à rádio Cultura FM pela manhã. 

Bolsonaro questionou o reconhecimento dos casos da doença que levaram à suspensão das exportações nacionais. “O problema da carne, que tem dezenas de navios parados na China, é que em questão de um mês e pouco atrás um funcionário público lá de Minas Gerais falou que tinha um caso de ‘vaca louca’. Mas ele falou da boca para fora, sem comprovação nenhuma”, disse Bolsonaro na entrevista. 

Testes realizados em laboratórios dentro e fora do país confirmaram que dois animais tiveram casos atípicos da doença, em Mato Grosso e em Minas Gerais. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconheceu o risco insignificante para o rebanho brasileiro. Mesmo assim a China mantém o veto. 

“Quando saiu essa notícia, nós fomos obrigados a informar aos países que importam nossa carne o que o servidor falou. Ao anunciar isso, a China simplesmente bloqueou as nossas exportações”, afirmou Bolsonaro. Vale destacar que o protocolo sanitário entre os dois países determina que, nesses casos, os brasileiros têm que determinar o autoembargo das exportações e os chineses, que decidir pela retomada. 

Há três semanas, o chanceler chinês Wang Yi disse ao Itamaraty que o impasse seria solucionado rapidamente. Em reunião técnica, os asiáticos pediram mais informações ao Brasil. 

Na quarta-feira passada, técnicos do Ministério da Agricultura e da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) fizeram um novo encontro virtual para tratar da paralisação das exportações. Os chineses pediram novos esclarecimentos sobre dúvidas que tiveram nos questionários respondidos anteriormente pelo Brasil. O ministério preparou novas respostas, sem nenhuma previsão ou sinalização de aceite e reabertura.

Apesar do impasse, Bolsonaro demonstrou otimismo com a retomada dos negócios. “Não é questão de relacionamento Brasil e China, zero. A China não tem como comprar carne em quantidade suficiente de outros países, e não pode importar da Lua, de Marte, de Saturno, de Plutão, de outro planeta”, afirmou. “Eles seguraram lá, o preço começou a ter pequena queda aqui no supermercado do Brasil quase dois meses depois”. 

Mesmo com os preços altos, Bolsonaro garantiu que não vai interferir no mercado. “Até posso interferir, criar impostos, cotas como a Argentina está fazendo. Mas isso leva a desabastecimento e inflação. Somos do livre mercado, nós não atrapalhamos o homem do campo”, relatou na entrevista. “Sabemos que o preço está alto também por conta do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’. A gente não interfere. Se interferir, no médio prazo, o preço vai ser mais alto ainda. Espero que se normalize”, concluiu. 

Recentemente, lideranças do setor e políticos da bancada ruralista, aliados de Bolsonaro, cobraram uma manifestação pública do presidente em favor da retomada dos negócios. A análise era que a questão política e as críticas feitas pela família Bolsonaro ao governo chinês ainda afetavam o comércio com o país.

Com informações da Valor Econômico

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