China voraz compra 600 carcaças de bovinos no mês

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carcacas bovinas da raca angus
Foto: Roberto Barcellos

Mas nem mesmo o Estado que mais produz carne bovina no Brasil é capaz de alimentar o apetite chinês que vem crescendo e mudando a pecuária!

O estado de Mato Grosso possui o maior rebanho bovino de corte do país, chegando a quase 31 milhões de cabeças. É responsável por cerca de 450 a 500 mil abates de cabeças por mês. É também o que mais exporta. Mas nem mesmo o Estado que mais produz carne bovina no Brasil é capaz de alimentar o apetite chinês, que necessita de 600 mil carcaças todos os meses.

Essa fome dos orientais, acrescida de outros fatores, como a alta do dólar, estimulando embarques para mais de 140 países, e a seca de 2020 que reduziu a disponibilidade de pastagens, pode explicar porque a arroba bovina saltou de R$ 200 para 300 em um ano e porque os preços devem permanecer nesses patamares ao longo de 2021.

O médico veterinário e diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco de Sales Manzi, explica que para entender a alta do preço da arroba é preciso analisar o cenário do ano passado sob vários aspectos.

“Em 2020 tivemos uma redução no abate (450 mil cabeças a menos do que em 2019). Os preços pagos ao produtor pela indústria tiveram uma valorização expressiva, chegando a R$ 100,00 a mais por arroba no período compreendido entre janeiro de 2020 a janeiro de 2021. Para que ocorresse essa alta diversos foram os fatores. Um deles é o ciclo pecuário. Após um significativo abate de matrizes entre os anos de 2016 a 2019, houve valorização no preço dos bezerros, o que fez com que o produtor retivesse matrizes que concorriam com o boi na indústria. Outro é o aumento das exportações, não só para a China, nosso maior mercado, mas para mais de 140 países impulsionados pela alta dólar”, equaciona o diretor da Acrimat.

Com relação à China, esmiúça Manzin, “além da pandemia, houve aumento também em função da peste suína africana que praticamente dizimou o plantel de porcos daquele país. O que está acontecendo é praticamente uma mudança na fonte principal de proteína de suína para bovina para os chineses”.

Manzin menciona ainda a intensa seca de 2020 que “reduziu significativamente a disponibilidade de pastagens, diminuindo ainda mais a quantidade de animais prontos para o abate”.

Ele explica que em MT a situação foi mais aguda porque o modelo de criação é basicamente a pasto. “Vale lembrar que 85% dos nossos animais são criados, recriados e engordados a pasto”, menciona.

O diretor explica que esse é o momento de o produtor faturar mais, depois de anos de preços não corrigidos. No entanto, lembra que os custos de produção também aumentaram.

“Há bastante tempo a pecuária brasileira vem se profissionalizando e em Mato Grosso não é diferente. Não há mais espaço para amadores. Se os preços estão numericamente maiores, isso não se reflete diretamente na margem. Grande parte do valor que a arroba tem alcançado trata-se apenas de correção, pois desde 2015 o preço não era corrigido, tanto é que muitas matrizes foram para o frigorífico para o produtor pagar as contas. Na mesma linha, os custos de produção aumentaram muito e alguns itens muito mais que a arroba, como por exemplo o arame utilizado nas cercas que subiu mais de 100% e o milho, principal componente da dieta de suplementação que decolou de menos de R$ 30 para mais de R$ 70 a saca”, pondera o dirigente.

Para este ano, Manzin espera um mercado com preços ainda em alta, com forte participação da China. “O estado de Mato Grosso possui o maior rebanho do país, chegando a quase 31 milhões de cabeças, e abate entre 450 e 500 mil cabeças por mês. A China importa do Brasil cerca de 600 mil cabeças por mês. Ou seja: o Estado maior produtor do Brasil não produz suficiente para cumprir o contrato nacional com a China, que é o maior destino da exportação brasileira de carne”, acentua, avaliando um cenário de oportunidades.

O diretor da Acrimat destaca que é preciso profissionalização para aproveitar o bom momento do setor de carne bovina e pensar em usar parte dos recursos para a promoção de investimentos nos sistemas produtivos.

“O produtor precisa cada vez mais se profissionalizar. Aquele que tem conhecimento dos seus custos tem melhores condições de entender as suas margens. Se entrar no mercado de opções, por exemplo, pode fazer uma previsão de investimentos a prazos maiores e ser mais competitivo”, orienta Francisco de Sales Manzin.

Fonte: O Presente Rural.

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