Ciência ou alarmismo? Professor Molion contesta previsões do “Super El Niño”

Especialista Luiz Carlos Molion contesta previsões catastróficas e alerta que o alarmismo sem base científica pode prejudicar seriamente o setor produtivo brasileiro

Em uma entrevista reveladora concedida ao programa Pânico, da Jovem Pan, o renomado Professor Luiz Carlos Molion trouxe uma perspectiva científica divergente sobre as notícias catastróficas que cercam o fenômeno El Niño. Conhecido por sua vasta experiência e precisão técnica, Molion é tratado como um mestre em sua área, tendo antecipado com sucesso fenômenos climáticos complexos, como a nevasca histórica que atingiu os Estados Unidos e o Canadá, fato que surpreendeu a comunidade internacional, mas que já havia sido alertado por ele à audiência do programa.

A importância de Molion no cenário meteorológico brasileiro é consolidada por décadas de estudo e uma capacidade única de interpretar dados de satélite e boias oceânicas. Durante a entrevista, foi ressaltado que o professor é um dos maiores conhecedores do tema, frequentemente requisitado para palestras e reconhecido por “antecipar” as tendências climáticas de forma técnica, longe do sensacionalismo.

el nino no brasil

A opinião de Molion: Um fenômeno atípico

Contrariando as manchetes que preveem uma catástrofe climática, Molion afirma que o atual aquecimento do Pacífico não é um El Niño no sentido tradicional. Segundo o professor:

  • Origem Geológica: O aquecimento observado não foi gerado pela dinâmica atmosférica comum, mas sim pela liberação de energia de um terremoto de magnitude 7,5 no Japão, ocorrido em 20 de abril, que gerou uma onda interna de água quente que atravessou o oceano de forma extremamente rápida.
  • Falta de Acoplamento: Para que um El Niño ocorra (fenômeno ENOS), é necessário que a atmosfera e o oceano trabalhem juntos. No entanto, Molion destaca que os ventos continuam soprando normalmente da América do Sul para a Austrália e que a atmosfera ainda não “respondeu” ao aquecimento da água.
  • Sinais de Resfriamento: Imagens de satélite já mostram a chegada de água fria na retaguarda da onda quente gerada pelo terremoto, indicando que o fenômeno pode perder força em breve.

Previsões e Alerta contra o Alarmismo

Molion foi enfático ao classificar as previsões de desastres como “alarmismo sem base científica”, muitas vezes baseadas em modelos de clima que ele considera ineficazes. Ele esclarece que, em 35% dos casos registrados desde 1950, a atmosfera não interagiu com o aquecimento oceânico, resultando em nenhum efeito prático no clima.

Para o Brasil, o professor recomenda cautela, especialmente aos produtores rurais que, temendo a seca, estão cogitando vender gado ou deixar de plantar. “O importante é que os produtores trabalhem como se nada fosse acontecer”, afirmou Molion, prevendo apenas um possível atraso na estação chuvosa no Centro-Oeste para meados de novembro. Segundo ele, a confirmação real se a atmosfera aceitará ou não o El Niño só poderá ser feita em setembro.

A entrevista reforça a necessidade de olhar para os dados empíricos antes de sucumbir ao temor de crises climáticas iminentes que podem prejudicar seriamente a economia e a produção nacional.

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