Com alta na produção de etanol nos EUA, milho sobe em Chicago

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Foto: Divulgação

No Brasil a produção de etanol a partir do milho deve chegar a 9,65 bilhões de litros em 2030/31, quase o triplo da produção esperada na safra atual.

O milho fechou com alta expressiva na bolsa de Chicago nesta quarta-feira, apoiado pelos bons índices de produção de etanol nos Estados Unidos, onde o biocombustível é feito majoritariamente a partir do cereal. Sob a preocupação com a alta dos insumos, os traders avaliaram que os agricultores americanos trocarão as áreas de milho pelo cultivo da soja na próxima safra.

Sob este cenário, o vencimento para dezembro, o mais negociado, avançou 2,53% (13,75 centavos de dólar), para US$ 5,5725 o bushel. O papel de segunda posição, março, teve alta de 2,49% (13,75 centavos de dólar), a US$ 5,660 por bushel.

Como mencionado, a produção de etanol nos Estados Unidos avançou 0,9% na semana encerrada em 22 de outubro, para 1,11 milhão de barris por dia, segundo e a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). Esta é a maior produção diária de etanol desde agosto de 2018. Os traders de grãos já estimavam que a produção de etanol aumentaria no país graças às fortes margens oferecidas aos produtores.

No Brasil, a produção de etanol a partir do milho deve chegar a 9,65 bilhões de litros em 2030/31, quase o triplo da produção esperada na safra atual, de acordo com uma estimativa média feita pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Como parâmetro, na safra atual (2021/22), o volume deve ficar em 3,5 bilhões de litros.

Já o plantio de milho verão no país alcançou 68,9% da área estimada para esta safra 2021/22 até o dia 22 de outubro, segundo levantamento divulgado pela consultoria Datagro. Na semana anterior, o percentual estava em 56,6%.

A soja conseguiu sua terceira alta seguida em Chicago, com apoio dos outros grãos negociados na bolsa americana. O papel para janeiro, o mais líquido atualmente, subiu 0,18% (2,25 centavos de dólar), a US$ 12,4975 o bushel. A posição seguinte, março, teve alta de 0,18% (2,25 centavos de dólar), para US$ 12,590 por bushel.

O grão encontrou espaço para alta diante da forte valorização do milho e do trigo na sessão. Tirando este fato, a oleaginosa não encontrou nenhum outro suporte para avançar no campo positivo, uma vez que o petróleo e o óleo de soja novamente caíram no pregão.

Para além desta sessão, o cenário ainda é “baixista” aos futuros da soja. A reta final da colheita nos Estados Unidos e o rápido plantio no Brasil, os dois maiores produtores mundiais, pressionam as cotações no longo prazo.

Ainda sobre os trabalhos de campo na safra brasileira, a Datagro informou que a semeadura no país chegou a 38,5% da área estimada até o dia 22 de outubro. “Mantivemos um quadro de chuvas intercaladas com períodos de sol em toda a região produtora, o que favoreceu os trabalhos de cultivo e também o bom desenvolvimento das lavouras já implantadas, com chuvas se regularizando aos poucos em toda a região produtora”, diz, em nota, o analista Flávio França Junior.

Ademais, como dito, existe uma perspectiva de aumento da área de soja na próxima safra americana, indicando mais alívio ao quadro de oferta e demanda mundial.

Fonte: Valor Econômico

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