Fim do vazio sanitário libera plantio da soja em MT, mas clima exige cautela

Semeadura da safra 2026/27 está autorizada até 7 de janeiro; Imea projeta 48,88 milhões de toneladas, enquanto custos elevados e incertezas climáticas preocupam os produtores

O vazio sanitário da soja terminou neste domingo (6) em Mato Grosso, liberando a semeadura da safra 2026/27 a partir desta segunda-feira (7). Embora o calendário esteja oficialmente aberto, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) ressalta que o início efetivo dos trabalhos dependerá principalmente da umidade disponível no solo.

De acordo com o calendário definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o vazio sanitário vigorou entre 8 de junho e 6 de setembro. A janela oficial de plantio no Estado se estende de 7 de setembro de 2026 a 7 de janeiro de 2027.

A autorização, entretanto, não significa que os produtores devam colocar imediatamente as máquinas no campo. Sem umidade adequada, a semente pode não germinar de maneira uniforme, comprometendo o estabelecimento inicial da lavoura e elevando a necessidade de replantio.

Segundo a Aprosoja MT, além das condições climáticas, a qualidade das sementes, o tratamento utilizado e a revisão das plantadeiras serão determinantes para as decisões tomadas neste começo de temporada.

O que é o vazio sanitário da soja?

O vazio sanitário é um período contínuo no qual fica proibido cultivar, manter ou permitir a presença de plantas vivas de soja nas propriedades. A medida inclui as chamadas plantas voluntárias ou “tigueras”, que nascem após a colheita a partir de grãos perdidos no campo, às margens de rodovias, em áreas de armazenamento ou em outros locais.

O principal objetivo é reduzir a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Como o patógeno depende de plantas vivas para se multiplicar, a retirada dessas hospedeiras por pelo menos 90 dias ajuda a diminuir a quantidade de esporos presente no ambiente antes da implantação da nova safra.

A medida não elimina completamente a ferrugem, mas reduz a chamada “ponte verde” entre uma safra e outra. Com menor pressão inicial do fungo, espera-se retardar a chegada da doença às lavouras e preservar por mais tempo a eficiência dos fungicidas.

A ferrugem asiática é considerada uma das doenças mais severas da soja. Quando não controlada adequadamente, provoca desfolha precoce, reduz o enchimento dos grãos e pode causar perdas expressivas de produtividade.

Mato Grosso pode colher 48,88 milhões de toneladas

Para a safra 2026/27, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que Mato Grosso cultive aproximadamente 13,05 milhões de hectares de soja, área praticamente estável em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média está projetada em 62,44 sacas por hectare. Com isso, a produção estadual poderá alcançar 48,88 milhões de toneladas, uma redução estimada em 5,19% na comparação anual. Segundo o instituto, a cautela está relacionada principalmente às incertezas climáticas e à possibilidade de condições menos favoráveis ao longo do ciclo. Canal Rural

Mesmo com a expectativa de recuo, Mato Grosso deve continuar como o maior produtor brasileiro de soja e terá novamente papel decisivo na oferta nacional do grão.

A preocupação das entidades não está restrita ao clima. Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, estima o custeio da soja em R$ 4.315,29 por hectare na safra 2026/27, alta de 3,21% sobre a temporada anterior.

A Aprosoja MT também vem alertando para o avanço das despesas com fertilizantes, defensivos, sementes, crédito e operações agrícolas. Dependendo da metodologia considerada, a entidade avalia que o aumento dos custos poderá representar de três a quatro sacas adicionais por hectare para o produtor.

Dessa forma, mesmo propriedades que obtenham boa produtividade poderão enfrentar margens mais apertadas. O cenário reforça a necessidade de controle rigoroso dos custos, planejamento da comercialização e atenção às condições de financiamento.

Chuva definirá o avanço das máquinas

Durante os três meses do vazio sanitário, os produtores aproveitaram para preparar o solo, corrigir áreas, adquirir insumos e revisar o maquinário. Agora, a principal variável será o retorno das chuvas em volume suficiente para garantir germinação uniforme e estabelecimento seguro das lavouras.

O início antecipado da soja é estratégico em Mato Grosso porque amplia a janela disponível para o cultivo do milho segunda safra. Entretanto, plantar em solo seco apenas para antecipar o calendário pode aumentar os riscos agronômicos e financeiros.

Assim, a safra 2026/27 começa oficialmente autorizada, mas ainda cercada de cautela. O desempenho da produção dependerá da regularização das chuvas, do comportamento das temperaturas, do controle da ferrugem asiática e da capacidade dos produtores de administrar custos crescentes em um ambiente de margens mais estreitas.

Com informações do Estadão Conteúdo

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