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Como a CCS varia nas vacas com mastite clínica?

Para exemplificar este efeito de diluição da produção de leite sobre a CCS, pode-se usar os dados de rebanhos da raça Jersey e Holandesa…

A contagem de células somáticas (CCS) é um dos indicadores de mastite subclínica mais usados atualmente, pois indica a intensidade de resposta das vacas quando são desafiadas por novos casos de mastite.

Quando as vacas têm novas infecções no úbere ocorre rápida migração de células de defesa, especialmente de neutrófilos, para combater a infeção. Desta forma, quando a CCS da vaca está aumentada, há alta chance do animal estar com uma infecção. Tradicionalmente, quando a CCS é >200 mil células/ml (cels/ml), considera-se que a vaca apresenta mastite subclínica.

Curiosamente, algumas dúvidas e questões surgem quando são analisados os resultados de CCS dos rebanhos. Por exemplo, como varia a CCS das vacas que apresentam mastite clínica? A CCS das vacas é um bom indicador de mastite clínica?

Outro ponto que também merece atenção é o impacto da diluição da produção de leite sobre a variação da CCS ao longo da lactação, uma vez que a CCS é normalmente expressa em concentrações (p.ex., cels/ml), ao invés de total de células no leite (células/dia). Quando expressa em cels/ml, a CCS não considera a produção de leite/dia.

Para exemplificar este efeito de diluição da produção de leite sobre a CCS, pode-se usar os dados de rebanhos da raça Jersey e Holandesa na região do Meio Oeste dos EUA. Os rebanhos Jersey têm média de CCS do tanque de 246 mil cels/ml, enquanto nos rebanhos da raça Holandesa a CCS do tanque é de 204 mil cels/ml. No entanto, enquanto a produção média de leite das vacas Holandesas é de 33 L/vaca/dia, a produção do gado Jersey é de 24 L/vaca/dia, resultando em maior produção total de células somáticas/dia nas vacas Holandesas (6,7 bilhões cels) do que nas Jersey (5,9 bilhões de células).

Para responder estas questões (variação da CCS nas vacas com mastite clínica e efeito da produção de leite sobre a variação da CCS), um estudo recente analisou dados de um rebanho, compreendendo um período de 18 anos de avaliação. Foram incluídas nas análises 37 mil dados de controle leiteiro mensal (CCS e produção de leite) e da incidência de mastite clínica, de 4179 lactações e 1679 vacas.

Para fins de análise estatística, os dados de CCS e Total de células somáticas/dia foram transformados para uma escala logarítmica para ECS (escore de células somáticas) e escore total de CS (ETCS), conforme tabela 1.

Tabela 1 – Transformação logarítmica de CCS (cels/ml) e escore de células somáticas (ECS) total de células somáticas, e Total de CS (bilhões cels/ml) em escore total de CS (ETCS).

tabela ccs

Conforme ilustrado abaixo, na Figura 1, ocorre aumento significativo tanto da CCS (cerca de 11,0 vezes) quanto do total de CS (10,6 vezes) na semana de ocorrência do caso clínico (semana 0), em comparação com às duas semanas anteriores.

Após o caso clínico, de forma inversa, tanto a CCS quanto o total de CS são reduzidos após duas semanas e ficam próximos da média das vacas sem mastite clínica.

Foi observada uma relação negativa entre produção de leite e CCS, sendo que a redução da produção é maior na semana 1 após o caso clínico de mastite. A proximidade do caso de mastite clínica teve associação significativa com a produção de leite, assim como com a CCS e total de células somáticas no leite (Figura 1).

Figura 1 – Média do ECS (cels/ml), do ETCS (em bilhões cels/d) e da produção de leite em relação ao dia próximo do diagnóstico de mastite clínica (ECS e ETCS conforme a tabela 1). Fonte: adaptado de Lehew e Dechow, 2021.

Média do ECS (cels/ml), do ETCS (em bilhões cels/d) e da produção de leite

As médias de ECS e de ETCS durante a lactação estão apresentadas na Figura 2. Pode-se observar que a curva de ECS tem redução no início da lactação, seguido por aumento constante até o final da lactação. Por outro lado, o ETCS apresenta comportamento inverso, pois atinge os menores valores no início da lactação, mas não aumenta na mesma proporção do que o aumento observado no ECS, o que indica um efeito de diluição no final da lactação, em razão da menor produção de leite.

Figura 2 – Média do ECS (cels/ml), do ETCS (em bilhões cels/d) conforme a semana de lactação após o parto (ECS e ETCS conforme a tabela 1). Fonte: adaptado de Lehew e Dechow, 2021.

Estes resultados indicam que a variação da produção de leite que ocorre durante a lactação altera a concentração de células no leite, principalmente no início e final da lactação.

Fonte: MilkPoint
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