Conheça as seis raças brasileiras de cães

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Embora esteja no top 3 das nações onde o número de cachorros em ambiente doméstico só cresce, o Brasil não tem tradição de raças nativas. 

Dono de uma das faunas mais ricas do mundo, o Brasil tem inúmeras espécies de animais, sendo a maioria deles silvestres, nativos da Mata Atlântica, do Cerrado e da Amazônia. Já em relação aos cães, o País está longe de ser uma referência. Embora esteja no top 3 das nações onde o número de cachorros em ambiente doméstico só cresce nos últimos anos, o Brasil não tem tradição de raças nativas. 

Enquanto mais de 200 raças tiveram origem na Europa, as oriundas em território brasileiro não chegam a 10% disso. É tanto que a maioria da população nem as conhece.

Folha Pet fez o perfil de algumas delas. Apesar de algumas outras raças serem apontadas também como brasileiras, listamos apenas as catalogadas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBCK). Confira abaixo: 

Raças catalogadas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBCK) e reconhecidas pela Federação Cinológica Internacional (FCI)

Fila Brasileiro

Imponentes, os filas viveram anos de muita popularidade. Foto: Pixabay

Entre as raças brasileiras, é uma das mais conhecidas. O fila brasileiro é fruto de cruzamentos entre cães nativos do Brasil e algumas raças que foram introduzidas pelos colonizadores portugueses, como buldogue, mastiff e bloodhound. Mas, ainda hoje existem divergências sobre como esses cruzamentos ocorreram. 

Alguns historiadores defendem que essa reprodução aconteceu naturalmente. Outros afirmam que foi intencionalmente, no intuito de criar uma raça forte e resiliente, com habilidades de destaque para caçar e vigiar. E eles são exatamente famosos por isso. 

Durante o Império, auxiliavam na localização de escravos que tentavam fugir. Também já foram usados para caçar animais grandes, especialmente pumas e outros felinos. Posteriormente, passaram a ser treinados para atuar com a polícia. 

Trata-se de um cão de grande porte e massa muscular privilegiada. Podem apresentar pelagem em tons tigrados, dourados, baios e pretos. Em todas as cores permitidas, podem ter marcações brancas nas patas, peito e ponta da cauda. Já os olhos e focinho são sempre pretos. 

As fêmeas da raça devem exibir feminilidade bem pronunciada, de forma que a diferença para os machos seja nítida. Eles foram muito populares na década de 80, mas atualmente não são tão comuns. 

Em 1940, o fila brasileiro foi reconhecido pelo AKC (American Kennel Club), se tornando a primeira raça de cães no Brasil oficialmente registrada por sociedades internacionais caninas. 

O fila brasileiro tem personalidade forte e pode apresentar comportamentos distintos a depender das suas relações. Com as pessoas da casa onde vivem, por exemplo, os cães da raça costumam ser muito dóceis, companheiros e obedientes.  

Também apresentam uma boa convivência com crianças, mas é bom ter cuidado com as brincadeiras pela força deles, que pesam ente 40kg e 50kg. 

Foto: Reprodução/Instagram

Em contrapartida, são territorialistas, têm um lado reservado e podem ser hostis com pessoas e animais que não fazem parte do convívio deles. Por isso, devem ser socializados desde cedo. 

Entre as peculiaridades desses cães, está o fato de moverem simultaneamente os membros dianteiros e traseiros do mesmo lado quando caminham.

Esse caminhar específico é denominado “andar de camelo”, pela semelhança com os movimentos semelhança com os movimentos deste animal, e promove um molejo diferenciado a eles. 

Costumam ser cães de boa saúde, com expectativa de vida em torno de 12 anos. O cuidado maior com eles deve ser com a alimentação e a oferta de atividades, a fim de evitar que desenvolvam obesidade, o que pode desencadear patologias ortopédicas. 

Terrier brasileiro

Mais conhecida como Fox Paulistinha, essa raça trava uma disputa em pé de igualdade com o fila brasileiro quando o assunto é popularidade entre os cães nacionais. 

A diferença é que esses caninos são de pequeno a médio porte, com variações de tamanho a partir da herança genética de cada um. Em média, pesam cerca de 10kg, mas têm uma musculatura forte. 

 Eles podem ter tons diferentes, mas a cor branca é predominante. Foto: Reprodução/Instagram

Segundo a CBCK, o terrier brasileiro é fruto do cruzamento entre cães do tipo terrier vindos da Europa com animais locais. No início do século 20, era comum jovens brasileiros de maior poder aquisitivo deixarem o País para estudar na Europa, em especial na França e na Inglaterra. 

De lá, costumavam retornar casados, e muitas esposas traziam consigo cães terriers, eleitos como animais de estimação de muitas famílias, por serem companheiros, carinhosos e leais. 

Entre as características físicas desta raça, um destaque especial é a pelagem bem densa, curta e lisa. Os pelos são tão colados que não é possível ver a pele. A cor predominantemente é branca, com marcações em preto, azul, marrom ou isabela (um tipo de bege, um marrom claro). 

No quesito personalidade, o terrier brasileiro, ou fox paulista, é famoso pela hiperatividade – quem tem ou já teve um pet da raça entende o que isso quer dizer. 

São, também, muito alegres, curiosos e espertos. Se estimulados, podem aprender truques e serem treinados para esportes caninos. Independente, a raça tem personalidade forte e, às vezes, os cães podem se tornar teimosos e territorialistas. 

São extremamente gentis com os que o cercam, mas podem apresentar comportamento desconfiado com estranhos, sendo indicado fazer a socialização desde filhotes.  

Uma curiosidade é que alguns cães da raça se assemelham ao jack russell terrier e, por isso, muita gente acha que o cachorro do filme “O Máscara”, com o ator Jim Carrey, é um fox paulistinha. 

Rastreador brasileiro 

São cães dóceis, apegados ao dono e muito alegres. Foto: Reprodução/Internet

Diferente do fila brasileiro e do fox paulistinha, que tiveram origem através de cruzamentos inter-raciais, essa raça foi desenvolvida por meio de seleção genética, a partir do foxhound americano. 

O objetivo era ajustar as características funcionais e a adaptação ao clima brasileiro. A raça foi desenvolvida pelo criador brasileiro Osvaldo Aranha Filho, levando o nome de Rastreador Brasileiro pelas  comprovadas adaptações como caçador. 

Esta raça é a evolução do antigo “urrador brasileiro”, com características físicas que se ajustam à vida no interior do País. Também diferente dos cães citados anteriores, não é tão popular. 

Se o fila brasileiro foi a primeira raça originada no País a ser reconhecida pela Sociedade Canina Internacional, o rastreador brasileiro foi o primeiro reconhecido pela Federação Cinológica Internacional (FCI), em 1967. 

No entanto, sofreu um grande retrocesso na década de 70 até o ano 2000, quando sua criação foi retomada. Amplamente criado nas áreas rurais, principalmente no norte do Brasil, esse cão é um importante aliado do homem em diversas atividades. 

O rastreador brasileiro é um cão de grande porte, com peso entre 20kg e 30kg, variando entre machos e fêmeas. São fortes, musculosos e resistentes, capazes de correr por longos períodos em terrenos acidentados. 

É uma raça de olfato privilegiado. Isso, aliado à personalidade confiante e corajosa, faz desses animais caçadores natos. Apesar dessa habilidade aguçada, são animais tranquilos, dóceis, alegres e apegados ao dono. Podem ser mais reservados na presença de estranhos, mas não possuem traços de agressividade. 

Raças catalogadas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBCK), mas não reconhecidas pela Federação Cinológica Internacional (FCI)

Dogue brasileiro

Apesar do jeito sério, é uma raça carinhosa. Foto: Reprodução/Instagram

Também conhecida como dogo brasileiro, essa raça surgiu no final da década de 70, criada pelo cinéfilo Pedro Ribeiro Dantas. De início, se chamava bull boxer, em alusão às duas outras raças que a originaram: boxer e bull terrier. 

Mas Pedro Dantas decidiu alterar o prenome para dogue brasileiro, para expor que a raça é proveniente de molossos (categoria de cães de físico forte, geralmente de porte grande a gigante, e que possuem, em teoria, traços físicos similares ao extinto cão molossus) e que o país de origem é o Brasil.

Ele era um criador de bull terriers em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Após insistência de um vizinho, que tinha uma cadela boxer, aceitou fazer o cruzamento de um de seus bull terriers com a boxer.

Nascida a ninhada, Pedro Dantas decidiu criar uma filhote, que, com o tempo, se mostrou muito obediente e inteligente, além de apresentar músculos fortes e vigor para atividades físicas, com agilidade e boa resposta para função de guarda.  

Também se notou que ela era muito mais tolerante em relação aos bull terriers. Quando estes a provocavam, ela não respondia com agressividade, apenas usava o porte físico para se impor. O criador, então, contatou os tutores dos demais filhotes da ninhada para saber como eles tinham se desenvolvido. 

Os relatos foram de cães de muito vigor físico, excelentes na guarda e, apesar da feição aparentemente séria, extremamente dóceis com a família.

O comportamento afetuoso, inclusive, fez o dogo brasileiro ser conhecido como “cão amigo das crianças”, uma característica que os bulls também têm, apesar da fama agressiva que lhes foi atribuída. 

Esses cães têm o mesmo nível de energia de um boxer ou um bull terrier. Por isso, necessitam de uma rotina intensa de atividades para se manterem saudáveis e ativos. 

Eles costumam ter boa saúde, sem histórico de doenças características, e têm uma expectativa de vida entre 12 e 14 anos. Durante o século 20, o Dogue Brasileiro foi reconhecido pela CBCK, mas ainda não foi reconhecida pela FCI. 

Ovelheiro Gaúcho 

Raça dócil e expert no pastoreio. Foto: Reprodução/Instagram

De tamanho e estrutura medianos, os cães dessa raça possuem grande resistência, agilidade e rusticidade. São nativos do Rio Grande do Sul e descendem de cães de pastoreio, embora nem a própria CBCK tenha muitos detalhes sobre a origem da raça. 

Às vezes são confundidos com os collies, nativos da Escócia e do norte da Europa. Esses também são cães de pastoreio, têm cabeça triangular e focinhos longos. Entretanto, os ovelheiros têm o focinho um pouco menos alongado que os “sósias”. 

Eles são utilizados há muitas décadas como auxiliares na agropecuária. Eles têm grandes qualidades exigidas no trato com as delicadas ovelhas, mas também sabem como comandar um rebanho bovino quando necessário. Costumam ser dóceis e amigáveis com as pessoas com quem convive.

Veadeiro Pompeano

São cães dóceis com a família e exímios caçadores. Foto: Reprodução/Instagram

Presente no Brasil, constatadamente, desde o início do século 19, a raça é encontrada em diversas regiões geográficas do País, especialmente no Sul. 

É uma raça de porte mediano, com comportamento obediente ao dono. É um exímio caçador e executa sua tarefa sem problemas, mesmo fora da vista do dono ou do condutor. Possui sentidos aguçados e está sempre alerta aos estímulos do ambiente. 

O trabalho desenvolvido por eles exige que tenham um comportamento grupal tranquilo, pois caçam individualmente ou em grupo. No entanto, são arredios com estranhos, embora permitam a aproximação sem se mostrar medrosos ou agressivos. Eles costumam ter fácil convívio com crianças.

Fonte: Folha Pet

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