Investimento mantém a família Barauna no comando da companhia goiana e deve apoiar projetos de armazenagem, biodiesel e acesso a mercados internacionais.
A Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal em uma transação que marca uma nova etapa da atuação da organização japonesa no Brasil. O acordo mantém a família Barauna como acionista majoritária da empresa goiana e cria condições para acelerar investimentos em infraestrutura, originação de grãos e produção de biodiesel.
A operação foi anunciada em 24 de julho de 2026, mas ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores. O valor negociado não foi informado pelas empresas.
Com a venda da participação minoritária, a família fundadora permanecerá com 70% do capital do Grupo Cereal, preservando o controle acionário e a condução dos negócios. Evaristo Lira Barauna, fundador da companhia, assumirá a presidência do Conselho de Administração.
Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal sem assumir o controle
A estrutura da negociação foi desenhada para combinar o capital e a experiência internacional da Zen-Noh com o conhecimento regional desenvolvido pelo Grupo Cereal ao longo de mais de quatro décadas.
A empresa brasileira continuará responsável pelas decisões administrativas e estratégicas. A investidora japonesa, por sua vez, contribuirá para ampliar a capacidade financeira e comercial da operação.
A participação minoritária também reduz o impacto da entrada do novo sócio sobre a cultura e o modelo de gestão da companhia. Neste momento, não há discussão pública sobre uma possível compra adicional de ações.
Recursos devem apoiar armazenagem e biodiesel
A parceria tem como prioridade sustentar o plano de crescimento do Grupo Cereal. Os próximos investimentos poderão incluir novos armazéns, pontos de recebimento de grãos, expansão para outras regiões e aumento da capacidade industrial.
As empresas não divulgaram quanto será destinado a cada iniciativa. Entretanto, o planejamento já apresentado pelo grupo goiano indica que a infraestrutura logística e a fabricação de biocombustíveis continuarão entre os principais eixos de expansão.
Para 2026, a empresa projetava investir aproximadamente R$ 100 milhões. Parte do montante seria utilizada para acrescentar pelo menos 50 mil toneladas à capacidade estática de armazenagem.
Outro projeto prevê ampliar a produção da usina de biodiesel dos atuais 650 mil litros para 1 milhão de litros por dia a partir de 2027.
Grupo Cereal alcançou faturamento de R$ 5,2 bilhões
Fundado em 1981 e sediado em Rio Verde, Goiás, o Grupo Cereal atua em diferentes etapas da cadeia agrícola. As atividades incluem compra e comercialização de soja e milho, venda de insumos, processamento de oleaginosas e fabricação de biodiesel.
Em 2025, a companhia registrou faturamento de R$ 5,2 bilhões, crescimento de 23,8% em relação aos R$ 4,2 bilhões contabilizados em 2024.
O lucro líquido chegou a R$ 292 milhões, resultado 104% superior ao obtido no exercício anterior.
A empresa emprega cerca de mil profissionais e recebe aproximadamente 2 milhões de toneladas de soja e milho por ano. Sua rede possui 14 unidades e capacidade para armazenar 700 mil toneladas.
Na área industrial, a estrutura permite processar até 3 mil toneladas de soja por dia.
Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal após forte expansão
A entrada da investidora ocorre depois de um ciclo relevante de modernização da companhia brasileira.
Entre 2020 e 2025, o Grupo Cereal aplicou aproximadamente R$ 800 milhões na ampliação de indústrias, construção de estruturas de armazenagem e desenvolvimento da operação de biodiesel, conforme informações fornecidas pelo CEO Adriano Barauna ao AgFeed.
Somente em 2025, foram investidos R$ 160 milhões. As aquisições e ampliações realizadas naquele período adicionaram cerca de 150 mil toneladas à capacidade de armazenamento.
O novo sócio poderá ajudar a empresa a manter esse ritmo sem comprometer o controle familiar construído desde a fundação.
Cooperativa japonesa possui atuação global
A Zen-Noh Brasil pertence à Zen-Noh Grain Corporation, empresa norte-americana vinculada à federação japonesa de cooperativas agrícolas.
A organização reúne 945 cooperativas e representa milhões de agricultores no Japão. Sua atuação internacional alcança dez países e regiões.
No exercício fiscal encerrado em março de 2025, a Zen-Noh faturou 4,8 trilhões de ienes, aproximadamente US$ 30 bilhões segundo a cotação considerada no anúncio da operação.
A dimensão do grupo oferece ao parceiro brasileiro acesso a uma rede consolidada de comercialização, logística e relacionamento com compradores internacionais.
Atuação no Brasil começou com fornecimento de grãos
A presença da Zen-Noh no país começou a ganhar forma em 2013, por meio de uma parceria com a Coamo. Dois anos depois, a organização estabeleceu um escritório em São Paulo.
Em 2017, passou a integrar a ALZ Grãos ao lado da Amaggi e da Louis Dreyfus Company. A joint venture atua na compra e exportação de soja e milho, com operações concentradas no Matopiba.
Parte dos produtos comercializados pela ALZ é embarcada pelo Porto do Itaqui, no Maranhão.
O investimento no Grupo Cereal amplia essa estratégia ao aproximar a Zen-Noh de uma companhia com relacionamento direto com produtores, capacidade própria de armazenagem e presença industrial em Goiás.
Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal e amplia conexão com a Ásia
A rede internacional da organização japonesa poderá facilitar o acesso dos grãos brasileiros a compradores asiáticos.
Para o Grupo Cereal, a parceria representa a possibilidade de diversificar destinos comerciais e estabelecer contratos de fornecimento de longo prazo. Para a Zen-Noh, o acordo aumenta a proximidade com uma região importante para a produção de soja e milho.
Esse tipo de sociedade também tem sido utilizado por tradings e grupos agrícolas para garantir maior segurança na originação. Ao investir em empresas que já possuem estruturas de recebimento e relacionamento com agricultores, os compradores reduzem a dependência de intermediários e fortalecem o abastecimento.
A negociação foi assessorada pelo Rabobank e pela Alianzo, representando o Grupo Cereal. A Zen-Noh contou com o suporte da Deloitte, do Santos Neto Advogados e da SL Process.
A conclusão dependerá da autorização dos órgãos competentes. Até lá, as empresas seguirão operando de forma independente.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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