Operação Campo Aberto cumpriu ordens judiciais em Goiás e Mato Grosso; investigação aponta que sistema de câmeras da fazenda foi desativado antes da retirada dos bovinos
Um furto de gado em Aragarças, no oeste de Goiás, levou a Polícia Civil a deflagrar nesta quarta-feira (23) a Operação Campo Aberto. A investigação começou após 40 bovinos da raça Nelore, avaliados em R$ 148 mil, serem retirados da Fazenda Pai Felipe III. Segundo as informações divulgadas pela polícia e reproduzidas por veículos da região, a ação teria envolvido pessoas com conhecimento sobre os acessos e a rotina da propriedade.
A ofensiva policial alcançou endereços em Goiás e Mato Grosso e busca esclarecer não apenas quem participou diretamente da retirada do rebanho, mas também quem teria atuado na organização do transporte e na possível destinação dos animais. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Furto de gado em Aragarças teria envolvido desligamento das câmeras
Um dos pontos centrais da investigação está na maneira como o gado teria sido retirado da propriedade.
De acordo com as informações atribuídas à Polícia Civil, os responsáveis pela ação teriam conseguido acesso a chaves mantidas em locais restritos da fazenda. O sistema de videomonitoramento também teria sido desligado antes do embarque dos animais.
Esses elementos levaram os investigadores a trabalhar com a hipótese de uma ação previamente organizada, com divisão de funções entre as pessoas envolvidas.
A polícia apura possíveis participações na execução do furto, na articulação local, na preparação da logística e no transporte do rebanho. A destinação dada aos 40 animais também faz parte das diligências.
Até o fechamento desta reportagem, não havia divulgação pública informando se os bovinos já haviam sido localizados.
Cinco prisões temporárias e nove buscas foram autorizadas
A Operação Campo Aberto é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais (DERCR). Policiais das delegacias de Aragarças, em Goiás, e Barra do Garças, em Mato Grosso, além do Batalhão Rural da Polícia Militar goiana, participam da ação.
Por decisão da 2ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia, foram expedidos mandados de prisão temporária contra cinco investigados. As prisões foram decretadas inicialmente pelo prazo de cinco dias.
Também foram autorizadas buscas e apreensões em nove endereços, distribuídos por cinco municípios:
- Aragarças (GO);
- Itumbiara (GO);
- Quirinópolis (GO);
- Barra do Garças (MT);
- General Carneiro (MT).
A divulgação inicial da operação informou que as diligências ainda estavam em andamento na manhã desta quarta-feira. Portanto, não é possível afirmar, apenas com as informações disponíveis até agora, que todos os mandados de prisão tenham sido efetivamente cumpridos.
Retirar dezenas de bovinos exige estrutura de transporte
O desaparecimento simultâneo de 40 animais chama atenção também pela logística necessária para movimentar o lote.
Não há informação pública sobre quantos veículos teriam sido utilizados no episódio de Aragarças, nem sobre o trajeto percorrido pelos bovinos. A investigação, no entanto, inclui pessoas apontadas como responsáveis pela logística e pelo transporte, segundo a divulgação atribuída à Polícia Civil.
Casos recentes investigados em outras regiões demonstram que o furto de grandes lotes pode envolver redes mais amplas de transporte e comercialização.
No início de setembro, por exemplo, uma megaoperação contra o furto de mais de 2 mil cabeças de gado no Paraná mobilizou cerca de 210 policiais. O caso é distinto do ocorrido em Goiás, mas também envolve suspeitas de estruturas organizadas para retirar e movimentar bovinos.
Em outro episódio recente, a Polícia Civil de Minas Gerais conseguiu recuperar 33 cabeças de gado furtadas e encontradas em outra propriedade rural.
Esses casos não permitem concluir que exista aumento nacional do abigeato, já que seria necessário um levantamento estatístico específico e comparável para sustentar essa afirmação. Eles mostram, porém, que furtos envolvendo dezenas ou centenas de animais continuam mobilizando operações policiais em diferentes estados.
GTA deixa registro formal da movimentação dos animais
Uma das barreiras para colocar bovinos furtados novamente na cadeia formal está na documentação exigida para o trânsito dos animais.
A Guia de Trânsito Animal (GTA) é o documento oficial utilizado no transporte de animais no país. Segundo a Agrodefesa, ela contém informações sobre origem, destino, condições sanitárias e finalidade da movimentação.
Dentro de Goiás, a emissão da GTA também movimenta automaticamente o saldo de animais registrado nas propriedades de origem e de destino no sistema estadual.
Isso não significa que o sistema, isoladamente, impeça fraudes ou furtos. O próprio estado investiga atualmente outro episódio envolvendo suspeitas de irregularidades em documentos de movimentação pecuária, tema abordado na reportagem GTA teria sido usada para “legalizar” transporte de gado furtado em Goiás; Agrodefesa investiga.
Não existe, até o momento, informação pública relacionando irregularidades em GTA ao caso de Aragarças.
Lei endureceu pena para furto de animais em 2026
O episódio também ocorre poucos meses depois de uma mudança importante no Código Penal.
A Lei nº 15.397, sancionada em 30 de abril de 2026, elevou as penas para diferentes crimes patrimoniais, incluindo aqueles relacionados ao furto e à receptação de animais.
Pela redação atualmente em vigor do artigo 155 do Código Penal, a subtração de semovente domesticável de produção, categoria que inclui bovinos, pode resultar em reclusão de quatro a dez anos, além de multa.
Já o artigo 180-A prevê três a oito anos de reclusão e multa para quem adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, manter em depósito ou vender animal que sabe ou deve saber ser produto de crime, quando presentes os requisitos previstos na legislação.
Isso não significa que essas penas serão necessariamente aplicadas aos investigados na Operação Campo Aberto. O enquadramento penal dependerá das provas reunidas, da individualização das condutas e das etapas posteriores da investigação e do processo judicial.
Investigação agora busca reconstruir o caminho do rebanho
A principal questão em aberto é onde foram parar os 40 Nelore avaliados em R$ 148 mil.
A apuração deverá reconstruir desde a entrada na propriedade e o embarque até o transporte e a eventual entrega ou comercialização dos bovinos.
Também caberá à Polícia Civil estabelecer a participação individual de cada investigado e verificar se outras pessoas podem ter contribuído para a retirada ou para a destinação do rebanho.
Enquanto a Operação Campo Aberto permanece em andamento, ainda não foram divulgados publicamente um balanço final das prisões, os resultados das buscas ou a informação de que os animais tenham sido recuperados.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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