Desafio de substituir o milho e a soja na alimentação de suínos e aves

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suinos aglomerados
Foto:Jaelson Lucas / AEN

Quais os desafios na hora de utilizar outros nutrientes para substituir o milho e a soja na alimentação de monogástricos diante da alta destes insumos?

A produção intensiva de suínos e aves está sob forte impacto em função dos elevados custos com alimentação. Desde o início do ano de 2018, o preço médio do milho em Santa Catarina subiu 200% até maio de 2021, segundo os dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa (CIAS), e o farelo de soja sofreu aumento em torno de 122%.

Adicionalmente, o país tem uma elevada dependência da soja como fonte de proteína para a alimentação de suínos e aves. A demanda interna para a soja para o ano de 2021 é estimada em 37,1% da produção (50,44 milhões de t este ano contra 48,99 milhões de t em 2020), os estoques finais serão mais elevados mesmo com maior exportação (estimativa de 85,6 milhões de t).

No entanto, a procura por ingredientes mais baratos visando a produção de dietas menos onerosas nem sempre conduz a resultados econômicos satisfatórios. Além de custo compatível, as alternativas para substituir o milho e o farelo de soja devem ter alta metabolização dos nutrientes e proporcionar desempenho animal equivalente ao oferecido pelos ingredientes convencionais. Da energia bruta total dos grãos, os animais aproveitam, em média, apenas 86,1% do milho e 77,2% do farelo de soja sob a forma de energia metabolizável.

Entre os ingredientes energéticos existem as opções de verão (Tabela 1) e as de inverno (Tabela 2). Na Tabela 3 estão apresentadas as alternativas proteicas.

Tabela 1 – Concentração de proteína bruta na matéria seca (PB, %) e aproveitamento energético (em % da energia bruta) de ingredientes produzidos no verão e subprodutos derivados usados em rações de suínos e aves

ntre as alternativas de verão, o arroz marrom (grão de arroz descascado) e a quirera de arroz (arroz polido branco quebrado), são os ingredientes que mostram altos coeficientes de metabolização (Tabela 1). Isso implica elevados valores nutricionais, em função de seus componentes que são fonte de energia, em comparação ao grão de milho.

Já o farelo de arroz integral, resultante da produção do arroz branco para consumo humano, tem alto valor nutricional e uma produção de cerca de 1,2 milhão de toneladas anuais.

Tabela 2 – Concentração de proteína bruta na matéria seca (PB, %) e aproveitamento energético (em % da energia bruta) de cereais de inverno e seus subprodutos derivados usados em rações de suínos e aves

Entre os cereais de inverno, o trigo está disponível em maior volume e é fruto da rígida seleção genética com base em padrões de qualidade para a panificação. Em anos de chuva no período de maturação da lavoura, o grão de trigo que germina na espiga vai para alimentação animal.

Os cereais de inverno com valor nutricional mais próximo daquele do milho são o trigo e o triticale. Portanto, do ponto de vista nutricional eles são os mais indicados para substituir o milho nas rações de suínos e aves. Na Tabela 2, também estão apresentados os resíduos gerados na fabricação de massas, pão, biscoito e bolacha, cujo aproveitamento na alimentação animal permite reduzir os passivos ambientais sólidos gerados nas fábricas e alivia a logística reversa para produtos fora do padrão de qualidade no varejo.

Para que seja viável o uso dos cereais de inverno na produção de suínos e aves algumas condições básicas devem ser preenchidas: atendimento pleno ao consumo humano e industrial com a qualidade necessária, qualidade nutricional ainda suficiente na condição de ingrediente de rações, remuneração atrativa ao produtor para que esteja assegurada uma produção plena desses ingredientes e que a produção aumente ano a ano na medida das demandas, organização dos canais de comercialização e contratos de compra antecipada das produções.

Em termos de disponibilidade o maior potencial para a substituição do farelo de soja são os subprodutos processados do caroço de algodão (cerca de 3,5 milhões t). Porém, falta agregação de valor a esses produtos como a retirada parcial das cascas do farelo para reduzir o conteúdo de fibra bruta e aumentar a digestibilidade dos nutrientes. O aquecimento excessivo na extração do óleo torna a proteína e os aminoácidos do farelo menos digestíveis. Entre as demais opções (Tabela 3) o farelo de amendoim apresenta o valor nutricional mais próximo ao farelo de soja.

Tabela 3 – Concentração de proteína bruta na matéria seca (PB, %) e aproveitamento energético (em % da energia bruta) de ingredientes proteicos usados em rações de suínos e aves

Fonte: Embrapa

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