Ator, Tarcísio Meira, tinha confinamento gigante

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Tarcísio Meira era dono da Fazenda São Marcos, e um confinamento em São Paulo; Ele passou passou a quarentena com a esposa em seu sítio, antes de vir a óbito.

O ator Tarcísio Meira e a mulher, Glória Menezes, estavam desde o início da pandemia morando em uma fazenda de Porto Feliz, no interior de São Paulo. O artista morreu aos 85 anos na manhã de uma quinta-feira (12), vítima da Covid-19. Tarcísio Meira era, também, dono da Fazenda São Marcos, localizada na área rural do município de Aurora do Pará, e foi por lá que fortaleceu ainda mais sua relação com os paraenses.

Era proprietário de algumas fazendas. Duas no interior paulista, nas cidades de Porto Feliz e Buri. Tinha áreas também no Pará, região onde investia em atividades agrícolas e criação de animais desde 1974.

Em entrevista o produtor rural, Tarcísio Meira, conta como virou um grande fazendeiro. “Eu sempre fui apaixonado por fazenda. Certa vez, na década de 70, eu fiz uma viagem a trabalho para Manaus, quando um amigo me falou de uma área que estava à venda no interior do Pará. Não demorou muito e eu fechei o negócio. De lá para cá virei quase um paraense. Sempre que arranjo um tempo, corro para ver como estão meus bois no Pará” diz ele.

A fazenda tem a pecuária como principal atividade. Mas a cultura e milho e soja também têm espaço. Com mais de 10 mil hectares, a propriedade tem metade de sua extensão como reserva ambiental, no estado do Pará. Já em São Paulo, o ator possui um grande estrutura de confinamento, onde trabalhava com animais de cruzamento, que eram abatidos com idade máxima de 20 meses de idade!

Na fazenda, a prática ambiental era muito criteriosa, com a utilização de reservas ambientais, utilização de biodigestores e outras ações. O ator era um grande entusiasta e um apaixonado pela pecuária de corte. Em sua propriedade ele trabalhava com animais da raça Nelore e também da raça Angus.

Com certeza, como vários pecuaristas, ele também tira bons resultados da cruza do angus com o nelore para a produção de proteínas, que faz um trabalho muito elogiado no Pará. Na cidade de Aurora do Pará, na região nordeste do estado, ele cruza angus com nelore e se declara satisfeito. “O choque de sangue dá origem a um animal que ganha peso facilmente e sua carne marmorizada é muito saborosa”, disse ele após um dos leilões que participou.

Além disso, diz Tarcísio, a experiência é feliz ao dar precocidade ao meio-sangue, já que o nelore é um pouco mais tardio. “Estou muito satisfeito com a pecuária de corte e com a raça angus”, afirma Tarcísio.

Tarcísio Meira também mantinha vários projetos na fazenda, como a escola para crianças e o projeto de empregar mais mulheres, incluindo as esposas dos funcionários da propriedade. Regiane explica que o ator se dedicava a cuidar do “Sítio Glória” desde que foi morar no local, no início da pandemia de Covid-19.

“Ele veio morar pra cá no começo da pandemia e apenas saía de carro acompanhado da Glória após o expediente dos funcionários. Ele gostava de ver a criação de gado e a plantação de milho que usava para a alimentação dos bois”, explica.

Na fazenda São Marcos, Tarcísio plantava e criava gado. Era muito querido pelos funcionários e pelos moradores da região. Na propriedade, além de construir casas para os seus trabalhadores, ele também construiu e mantinha, com recursos próprios, uma escola que recebia, tanto os filhos dos funcionários da fazenda, como os filhos dos colonos e agricultores da área.

O ator Tarcísio Meira, 85 anos, e sua esposa, Glória Menezes, 86, foram internados no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no início deste mês. O casal estava junto desde 1962. Tarcísio precisou ser intubado e acabou não resistindo e veio a óbito no dia 12 de agosto.

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