Descoberta forma de produzir tomates sem sementes

Descoberta forma de produzir tomates sem sementes

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Tomate sem sementes
Molécula permite frutificação de tomates sem a necessidade de sementes e sem alterar as características dos frutos, podendo facilitar produção, processamento e consumo – Foto: Eder Silva

Segundo pesquisa desenvolvida pela Escola Superior de Agricultur a molécula permite frutificação de tomates sem sementes e sem alterações morfológicas

Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz desenvolveu um produto que promete chamar a atenção de cientistas, da agroindústria e dos consumidores: tomate sem sementes.

No Laboratório de Genética Molecular e Desenvolvimento de Plantas, um grupo de pesquisadores identificou a molécula microRNA159, que permite a frutificação de tomates sem a necessidade de sementes e sem alterar a morfologia dos frutos. A descoberta poderá facilitar a produção, processamento e consumo de tomates.

Segundo o pós-doutorando Eder Marques Silva, que participou do estudo, a transição da etapa de florescimento para a formação do fruto, processo chamado de frutificação, é essencial para assegurar o sucesso reprodutivo das plantas angiospermas (aquelas em que as sementes são protegidas pela estrutura do fruto).

No entanto, embora alguns estudos tenham descrito a importância de hormônios vegetais como a auxina e a giberelina, substâncias que controlam vários aspectos do desenvolvimento vegetal, inclusive a formação do fruto depois da polinização, a importância de outras moléculas que regulam tal processo ainda é pouco compreendida.

Com orientação do professor Fabio Tebaldi Silveira Nogueira, do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq, o trabalho demonstrou como o microRNA159, que é um pequeno RNAs regulatório, é importante para a formação do fruto. “Utilizamos o tomateiro como organismo-modelo para explorar o papel desse pequeno RNA durante a formação do fruto”, comenta Silva.

Frutificação

Na prática, os pesquisadores demonstraram que, quando o microRNA159 está induzido, a planta deixa de necessitar da etapa de fertilização para gerar o fruto. “Em geral, quando a flor não é polinizada, ela não é fisiologicamente apta a gerar o fruto”, aponta o pesquisador.

O trabalho demonstrou que quando o microRNA159 é induzido, a planta de tomateiro é capaz de frutificar mesmo quando não é polinizada. “Assim, ela produz frutos sem sementes, conhecidos como frutos partenocárpicos”, aponta Silva.

Para o professor Fabio Nogueira, a desvinculação do processo de frutificação e fertilização para a geração de frutos pode facilitar tanto a produção como o processamento e consumo do tomateiro.

E o mais importante, os frutos gerados pela indução do microRNA159 não possuem alterações morfológicas, o que pode torná-los ainda mais atrativos para o consumo. “Nossa descoberta pode ser posteriormente utilizada para gerar frutos sem sementes em outras culturas ou espécies com o intuito de facilitar a palatabilidade e digestibilidade, bem como facilitar o processamento de frutos contidos em alimentos processados”, conclui o docente.

O estudo foi publicado na prestigiada revista The Plant Journal e pode ser acessado, na íntegra, aqui.

Fonte: Caio Albuquerque/ Divisão de Comunicação da Esalq, com edição do Jornal da USP

 

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