Diplomata pede estímulo à indústria halal brasileira

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Foto: Divulgação

Segundo o dirigente, há espaço para o Brasil crescer no atual comércio de bilhões de dólares com os 57 países da Organização para Cooperação Islâmica

O Brasil deveria considerar estimular seus setores econômicos a adotar a certificação halal, para produtos cuja fabricação respeita as tradições do islã, como “política pública” para ampliar exportações para países muçulmanos. O apelo foi feito hoje (6) pelo ex-diplomata Osmar Chohfi, atualmente presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em fala no Global Halal Brazil Business Forum, realizado pela entidade e pela Fambras Halal até quarta, na capital paulista.

Segundo Chohfi, países como Filipinas e Malásia já estimulam suas indústrias a adotarem a certificação halal não apenas para atender suas populações muçulmanas minoritárias, mas como forma de ampliar vendas de produtos de consumo para países islâmicos e atrair investimentos produtivos de fundos soberanos e privados dessas nações.

O diplomata destacou que o produto halal é cada vez mais associado na África e na Ásia à produção responsável, à sustentabilidade e à saudabilidade, inclusive por populações não-muçulmanas. Para Chohfi, o Brasil, que já é líder na produção e exportação de proteínas halal e é visto pelo consumidor muçulmano como especialista em halal, num comércio que existe desde os anos 1970, deveria buscar destacar outros tipos de produtos com ações de promoção no mundo islâmico, conjuntamente realizadas pelo governo e setor privado.

“Numa das frentes, esse trabalho precisa destacar a expertise do Brasil em produção halal em proteínas e outras associações positivas que o consumidor muçulmano faz do nosso país. Em outra frente, é crucial que a indústria brasileira sensibilize-se para as oportunidades no mundo islâmico e que amplie a disponibilidade de produtos certificados para além do alimento, em segmentos não tradicionais, como cosméticos e fármacos, nesses mercados”, ressalta.

Segundo o dirigente, há espaço para o Brasil crescer no atual comércio com os 57 países da Organização para Cooperação Islâmica. Para se ter uma ideia, essas nações adquiriram em 2020 um total de US$ 14,2 bilhões em cosméticos, dos quais o Brasil forneceu apenas US$ 21,6 milhões. No setor de fármacos, num universo total de compras de US$ 40,4 bilhões, o Brasil participou do bolo com apenas US$ 54,1 milhões. Mesmo no setor de alimentos, entre compras totais de US$ 190,5 bilhões, o Brasil participou com apenas 14,1 bilhões, segundo compilação de dados feita pela Câmara Árabe.

O State of Islamic Economic Report estima o mercado de consumo islâmico em US$ 4,77 trilhões. Segundo o relatório, o setor vai crescer 18% até 2024, motivado pelo aumento demográfico da população islâmica mundial, hoje de 1,9 bilhão de pessoas, e por ações de incentivo à produção certificada no Sudeste Asiático e no Oriente Médio.

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