Dono de 60 mil cabeças, não sabe se vende ou espera alta...

Dono de 60 mil cabeças, não sabe se vende ou espera alta da arroba

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Foto Divulgação

Recorde de preços no boi: Carlito, dono de um rebanho de 60 mil cabeças, está com um bom problema nas mãos; vender a R$ 200 ou esperar mais?

Chegou a época da bonança para os pecuaristas brasileiros, principalmente para os que atuam nas fronteiras agrícolas, como é o caso do Norte do MT. Durante 6 anos a arroba ficou praticamente congelada em torno de R$ 140,00. Agora, com as expressivas valorizações nos últimos dias, o pecuarista enfrenta um cenário sem referência:

— “Não sabemos a que preço vender”, diz o pecuarista de São José do Xingu/norte do MT, Carlito Guimarães. “Aqui o preço está batendo nos R$ 200, mas amanhã pode estar mais alto; a expectativa é de novas altas e sabemos que está faltando reposição; em fevereiro vai faltar boi”.

Carlito conta que os últimos seis anos foram marcados por muita dificuldade. “Mas depois da tempestade vem a bonança e com a recuperação dos preços melhorou a atividade”, comemora o pecuarista que conta com um rebanho de 60 mil cabeças. 

Para aliviar as contas nos periodos de dificuldades, as propriedades  investiram em áreas cultivadas com a soja e cana-de-açúcar. “Temos 17 mil hectares plantados com a soja; fazendas vizinhas entraram na cana-de-açúcar. Com esse aperto da pecuária a nossa solução foi cultivar a soja, mas agora acho que vamos ter que voltar a jogar capim na lavoura”, diz Guimarães.

Para suprir a baixa nas referências do boi gordo, a maioria dos pecuaristas começaram a abater as fêmeas por necessidade. Atualmente, os preços para o boi gordo estão próximos de R$ 200,00/@ e a vaca está precificada a R$ 180,00/@.

“Em minha opinião, os preços devem subir até janeiro com a demanda aquecida da China e a oferta restrita de animais. Nós não preparamos o nosso rebanho para exportar a produção, porém eu já estou colocando garrote no semi-confinamento para atender o mercado chinês”, conta.

Cotações segundo a Agência Safras

O mercado físico do boi gordo segue com preços em forte alta nas principais praças de produção e comercialização do país. “A oferta permanece escassa, com os frigoríficos disputando de maneira acirrada animais que cumpram os padrões de exportação para Europa e China”, comenta o analista de Safras & Mercado, Allan Maia.  

Segundo ele, não há sinais que apontem para mudança de tendência no curto prazo, avaliando que a demanda é outro elemento a ser considerado, também o ótimo desempenho das exportações em 2019, além do ápice do consumo no mercado doméstico, no último bimestre do ano. 

Em São Paulo, os preços passaram de R$ 206 a arroba para R$ 215. Em Minas Gerais, preços de R$ 207 a arroba, contra R$ 197 a arroba ontem. No Mato Grosso do Sul, preços em R$ 202 a arroba, contra R$ 191. Em Goiás, o preço passou de R$ 195 a arroba para R$ 198, em Goiânia. Já em Mato Grosso, o preço passou de R$ 177 a arroba para R$ 188.  

Atacado 

No atacado, os preços da carne bovina voltaram a subir. “Mas o movimento não possui a mesma proporção se comparado ao boi gordo. No entanto os preços do atacado também apresentam um consistente movimento de alta. Reiterando que esse movimento tende a respingar nas outras proteínas de origem animal”, disse Maia. 

O corte traseiro teve preço de R$ 17,15 por quilo, com alta diária de 15 centavos. A ponta de agulha passou de R$ 11 por quilo para R$ 11,10 por quilo, enquanto o corte dianteiro seguiu em R$ 11,20 por quilo. 

Câmbio 

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com baixa de 0,23%, sendo negociado a R$ 4,194 para venda e a R$ 4,192 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,185 e a máxima de R$ 4,223.

Fonte: Notícias Agrícolas e Agências

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