Sereia, uma égua Mangalarga Marchador de 20 anos e 480 kg, passa por um rigoroso protocolo sanitário antes de visitar pacientes internados. Ao lado da cadela Akira, ela integra um projeto de pet terapia que vem reduzindo ansiedade, humanizando o ambiente hospitalar e conquistando profissionais da saúde e pacientes.
Uma cena que até pouco tempo parecia impossível vem chamando atenção nas redes sociais e emocionando quem acompanha histórias de superação e bem-estar. Em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, uma égua Mangalarga Marchador de 480 quilos percorre os corredores de um hospital para visitar pacientes internados, levando conforto emocional e ajudando a reduzir a ansiedade durante o tratamento.
Batizada de Sereia, a égua da raça Mangalarga Marchador divide a missão com a pequena cadela Akira, da raça Shih Tzu. As duas fazem parte do projeto “Patinhas e Cascos que Acolhem Vidas”, iniciativa que já funciona há cerca de três anos no Hospital Sapiranga e vem sendo reconhecida pelos benefícios observados tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde.
Uma “enfermeira” de quatro patas que conquista pacientes
A primeira impressão costuma ser de surpresa. Afinal, não é comum encontrar um cavalo dentro de um hospital.
Mas o impacto inicial rapidamente dá lugar ao encantamento. Crianças, idosos, gestantes, pacientes da maternidade, da clínica médica e até da ala de saúde mental aguardam a chegada da dupla terapêutica.
Segundo o hospital, o contato com os animais ajuda a:
- reduzir os níveis de ansiedade;
- melhorar o humor dos pacientes;
- estimular a interação social;
- favorecer a adesão aos tratamentos médicos;
- tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor e humanizado.
A preparação leva cerca de três horas
Muito além da emoção, existe um rigoroso protocolo para que a visita aconteça com total segurança.
Antes de cada entrada no hospital, Sereia inicia um processo de preparação que dura aproximadamente três horas.
O protocolo inclui:
- caminhada para estimular a evacuação antes do deslocamento;
- banho completo;
- higienização minuciosa;
- limpeza e esterilização dos cascos;
- secagem completa;
- colocação de acessórios totalmente higienizados;
- transporte em reboque até o hospital.
Somente após cumprir todas essas etapas a égua recebe autorização para entrar na instituição de saúde.
Akira abre caminho pelos corredores
Enquanto Sereia chama atenção pelo porte e pela tranquilidade, a pequena Akira exerce uma função curiosa.
A cadela percorre os corredores primeiro, funcionando como uma espécie de “batedora”. Em algumas visitas, inclusive, ela segue acomodada sobre a garupa da própria égua, cena que rapidamente se tornou uma das mais compartilhadas nas redes sociais.
As duas possuem crachás de identificação do hospital e participam oficialmente do programa terapêutico.
Projeto vai além da visita de animais
Idealizado pela arteterapeuta Rejane Beatriz, o projeto não consiste apenas em levar animais ao hospital.
Cada encontro faz parte do plano terapêutico dos pacientes.
Segundo a idealizadora, o objetivo é estimular vínculos afetivos, proporcionar conforto emocional e criar momentos capazes de aliviar a tensão típica do ambiente hospitalar. A experiência também incentiva muitos pacientes a deixarem temporariamente o leito para participar das atividades, favorecendo o bem-estar durante a internação.

Hospital observa melhora no ambiente
A direção do Hospital Sapiranga afirma que os efeitos positivos são percebidos desde o início da iniciativa.
Além da melhora no humor dos internados, colaboradores também relatam um ambiente mais leve nos dias das visitas.
A diretora-executiva da instituição destaca que a expectativa pela chegada de Sereia já faz parte da rotina do hospital e que, após cada visita, permanece uma sensação de acolhimento entre equipes e pacientes.
Pacientes relatam emoção ao conhecer a égua
Os depoimentos de quem participa das visitas ajudam a explicar por que o projeto ganhou tanta repercussão.
Uma paciente que acabara de dar à luz contou que o contato com os animais trouxe um sentimento de conforto durante a recuperação pós-parto.
Outro internado afirmou que jamais imaginava ver uma égua caminhando pelos corredores de um hospital e classificou a experiência como algo capaz de animar quem enfrenta dias difíceis de tratamento.
Também houve quem recordasse a infância no campo ao escovar Sereia, transformando o encontro em um momento carregado de memória afetiva.
O Mangalarga Marchador também mostra sua versatilidade
Embora seja conhecido principalmente pelo conforto da marcha, temperamento dócil e ampla utilização em cavalgadas, esportes e lazer no meio rural brasileiro, o Mangalarga Marchador demonstra, com Sereia, outra característica valorizada pelos criadores: o equilíbrio emocional.
Essa docilidade permite que animais devidamente treinados participem de programas de equoterapia e intervenções assistidas por animais, atividades que vêm ganhando espaço em hospitais, clínicas e instituições de reabilitação em diferentes regiões do país.
No caso de Sapiranga, a combinação entre uma égua de grande porte e uma pequena Shih Tzu transformou um simples corredor hospitalar em um ambiente de acolhimento, mostrando que a conexão entre seres humanos e animais pode ultrapassar os limites do campo e contribuir também para a recuperação dentro de um hospital.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.