Vacas que não conseguem ficar em pé passam por terapia dentro de tanque com água

Utilizada na recuperação de bovinos que não conseguem se levantar, técnica reduz a pressão sobre músculos e nervos, mas exige avaliação veterinária e cuidados específicos

Um tanque com água morna pode ajudar vacas que perderam a capacidade de se levantar. Conhecida como terapia de flutuação, a técnica utiliza a sustentação proporcionada pela água para aliviar a sobrecarga sobre músculos, articulações e nervos, permitindo que o animal tente permanecer em pé. O procedimento é utilizado em casos selecionados, especialmente na pecuária leiteira.

A dificuldade para levantar pode surgir após o parto, em consequência de alterações metabólicas, lesões nervosas, traumas ou doenças infecciosas. O atendimento rápido é fundamental, pois a permanência prolongada no chão pode provocar danos adicionais, mesmo quando a causa inicial já foi tratada. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Como funciona a terapia de flutuação em vacas?

O procedimento começa com a transferência cuidadosa da vaca para um tanque desenvolvido especificamente para bovinos. A estrutura recebe água aquecida gradualmente ou previamente preparada, em temperatura próxima à corporal do animal.

À medida que o nível da água sobe, o empuxo reduz a carga que a vaca precisa sustentar, facilitando os movimentos necessários para tentar se levantar. O objetivo é permitir que os membros voltem a suportar peso com menor esforço e reduzir os danos associados à permanência prolongada no chão.

Segundo a Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o tratamento pode durar várias horas e ser repetido conforme a evolução clínica. A temperatura da água, a estabilidade do animal e sua capacidade de permanecer em pé precisam ser monitoradas durante todo o procedimento. Extensão Penn State+1

Quais vacas podem receber o tratamento?

A terapia é considerada principalmente para animais conscientes e responsivos, que apresentam possibilidade de recuperação de lesões musculares ou nervosas. Entretanto, nem toda vaca caída é candidata à flutuação.

A hipocalcemia no pós-parto, caracterizada pela redução dos níveis de cálcio no sangue, está entre as possíveis causas da incapacidade de levantar. Problemas relacionados ao parto, traumas e infecções também podem provocar o quadro.

Fraturas graves, comprometimento neurológico importante ou doenças sistêmicas severas podem tornar o procedimento inadequado. Por isso, a avaliação veterinária precisa identificar a causa e definir o prognóstico antes de iniciar a terapia.

O que dizem os estudos sobre a recuperação?

Uma pesquisa publicada em 2023 no Journal of Veterinary Internal Medicine analisou 190 vacas leiteiras submetidas à terapia de flutuação em um hospital veterinário, entre 2000 e 2020.

47% dos animais receberam alta hospitalar

89 das 190 vacas avaliadas no estudo retrospectivo. O percentual não representa uma taxa garantida de sucesso da técnica.

Os pesquisadores identificaram que o diagnóstico, o apetite e a capacidade de sair caminhando do tanque após a primeira sessão estavam associados às chances de sobrevivência. Outro estudo, publicado em 2016, destacou a importância do atendimento precoce e da qualidade dos cuidados prestados enquanto o animal permanece caído.

A aplicação clínica já faz parte da estrutura de hospitais especializados. No Canadá, o hospital veterinário da Universidade de Montreal utiliza um tanque com paredes transparentes, que permite acompanhar os movimentos dos membros durante a flutuação e auxiliar na avaliação da recuperação. Internet English

O que o produtor deve fazer quando uma vaca não consegue levantar?

A primeira medida é solicitar atendimento veterinário e evitar tentativas improvisadas de erguer ou arrastar o animal. Enquanto aguarda assistência, o produtor deve garantir uma superfície confortável e seca, proteção contra condições climáticas adversas e acesso a água e alimento, quando o estado clínico permitir.

O acompanhamento do rebanho também faz diferença. Observar alterações de comportamento, alimentação e movimentação, inclusive por meio de tecnologias de monitoramento da saúde bovina, pode contribuir para reconhecer problemas antes de sua evolução.

Embora o tanque represente uma alternativa de suporte para determinados casos, sua utilização depende de estrutura apropriada, profissionais capacitados e avaliação do custo-benefício clínico. O tratamento da doença de origem e o bem-estar do animal continuam sendo prioridades.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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