Aos 11 anos, menina assume missão de salvar uma das ovelhas mais raras do mundo

zzy Hoffman cria animais Navajo-Churro na fazenda dos avós, aprende a trabalhar a lã ao lado da avó e participa de um esforço para manter viva uma raça profundamente ligada à história do povo Diné

Enquanto muitas crianças de 11 anos estão começando a descobrir novos hobbies, Izzy Hoffman assumiu uma responsabilidade diferente na fazenda dos avós, em Foster, no estado norte-americano de Rhode Island. A menina cria exemplares da Navajo-Churro, uma antiga raça ovina que chegou perto de desaparecer e hoje permanece entre as mais ameaçadas acompanhadas por organizações de conservação nos Estados Unidos.

Na Bayberry Knoll Farm, Izzy cuida da ovelha Arizona e de Cadbury, cordeiro de pelagem marrom nascido na propriedade. A história ganhou repercussão nos Estados Unidos depois de ser publicada pela Ocean State Media em maio de 2026.

Uma raça que quase desapareceu

A Navajo-Churro descende de ovinos ibéricos levados para a América do Norte por colonizadores espanhóis a partir do século XVI. Com o passar das gerações, os animais foram selecionados por comunidades indígenas e hispânicas e se adaptaram às condições secas e montanhosas do sudoeste dos Estados Unidos.

A raça ganhou importância especialmente entre o povo Diné, também conhecido como Navajo. Os animais forneciam carne, leite e lã, enquanto a fibra passou a ocupar um papel central na produção de mantas, tapetes e outros tecidos tradicionais.

Esse patrimônio, porém, enfrentou uma forte ruptura no século XIX.

Em 1863, durante a campanha comandada pelo general James Carleton e executada em campo por Kit Carson, tropas norte-americanas adotaram uma estratégia de destruição dos meios de sobrevivência das comunidades Navajo. Plantações foram queimadas e rebanhos foram mortos. A ofensiva antecedeu o episódio conhecido como Long Walk, quando milhares de Navajo foram obrigados a deixar suas terras.

Décadas depois, a criação voltou a ser afetada por programas de redução de rebanhos implementados pelo governo dos Estados Unidos.

O impacto sobre a Navajo-Churro foi profundo. Segundo o Navajo Sheep Project, na década de 1970 restavam menos de 450 animais do tipo tradicional em meio a centenas de milhares de ovinos existentes na reserva Navajo.

Programas de recuperação começaram então a localizar animais remanescentes, formar novos núcleos de reprodução e distribuir genética entre criadores interessados em manter a raça.

Izzy recebeu uma matriz para ajudar na conservação

Segundo a Ocean State Media, Izzy recebeu a matriz Arizona por meio de um acordo envolvendo a The Livestock Conservancy. Como parte do compromisso, a menina deveria cuidar da ovelha, reproduzi-la, apresentá-la em feiras e produzir uma peça utilizando sua lã.

Não encontrei, porém, uma publicação oficial da própria organização detalhando esse acordo específico com Izzy. Por isso, essa informação deve ser atribuída à reportagem original, e não apresentada como confirmação independente da entidade.

O esforço já resultou em uma nova geração: Arizona é mãe de Cadbury, cordeiro nascido na fazenda da família em 2026.

Ao mesmo tempo em que aprende sobre reprodução e manejo dos animais, Izzy participa de outra etapa da cadeia produtiva. Sua avó, Deb Procopio, ensina a neta a preparar, fiar, tingir e tecer a lã retirada do rebanho.

Lã e rusticidade ajudaram a raça a atravessar séculos

A Navajo-Churro possui características desenvolvidas durante gerações de criação em regiões de clima seco e recursos limitados.

A The Livestock Conservancy destaca a capacidade de adaptação da raça ao pastoreio em ambientes semiáridos e montanhosos. Os animais também podem nascer sem chifres, com dois ou até com múltiplos chifres, característica encontrada em algumas linhagens ovinas antigas.

Essa policeratia também aparece em raças como a ovelha Jacob e a Manx Loaghtan, que preservam características pouco comuns em grande parte da ovinocultura moderna.

A lã também se diferencia. A Navajo-Churro pode apresentar um velo de dupla camada, combinando fibras internas e externas com características distintas. Historicamente, essa matéria-prima esteve ligada à produção têxtil tradicional do povo Navajo.

Raça está na categoria mais preocupante da lista de 2026

A situação permanece delicada.

Na Conservation Priority List de 2026, a The Livestock Conservancy coloca a Navajo-Churro na categoria Critical. Para raças de animais de produção, a entidade utiliza essa classificação quando há menos de 200 registros anuais nos Estados Unidos e uma população global estimada abaixo de 500 animais, entre outros critérios de acompanhamento.

Isso torna cada novo núcleo de criação relevante para a manutenção da diversidade genética.

O caso de Izzy mostra como a conservação de uma raça doméstica pode acontecer em pequena escala: uma matriz é mantida em reprodução, nasce uma nova geração e, paralelamente, conhecimentos associados ao animal continuam sendo transmitidos.

No caso da Navajo-Churro, preservar os ovinos significa conservar não apenas genética pecuária, mas também uma relação construída durante séculos entre criação animal, produção de lã e tradição cultural.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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